50. Manuela

894 Palavras

A diretora levou o Ítalo pra sala de avaliação, e eu e Alex ficamos esperando num corredor silencioso, daqueles com chão polido que reflete até a alma da pessoa. Eu sentei no banco comprido de madeira. Ele ficou de pé, encostado na parede, braços cruzados, como sempre fazia quando queria parecer que tava no controle: mesmo quando não tava. O silêncio doía. Eu não sabia se agradecia, se brigava, se chorava. E ele... ele parecia me observar com a visão periférica, desde o jeito que eu respirava até como minhas mãos apertavam a barra da minha saia. Uns minutos depois, ele disse: — Pode respirar, tá? Ele vai se sair bem. Eu levantei o olhar. — Eu não tô nervosa pelo teste. — Então pelo quê? Eu hesitei. Ele percebeu. — Fala. — disse, firme. — Não fica guardando tudo aí dentro. Respi

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