A viatura cortava o trânsito da Linha Vermelha como uma faca em manteiga podre. Sirene ligada. Faróis cortando a noite. Dentro dela, eu ia em silêncio, com as mãos apertando o volante até os dedos doerem. Caveira ocupava o banco do passageiro. Pernas abertas no jeito largado dele, uma mão apoiada na janela. — Tu vai me explicar o que aconteceu ou eu vou ter que adivinhar? — a voz rouca dele cortou o silêncio. Não respondi. — Buarque. — ele insistiu, jogando a cinza pela janela. — Tô falando contigo. — O moleque que tentaram sequestrar semana passada. Ele franziu a testa. — O filho da tua mina? O Italinho? — É filho dela. — a voz saiu mais dura do que eu pretendia. — E o pai é o Kevin. Caveira tossiu. Engasgou com a própria fumaça. — Peraí. — ele se virou no banco, me encarando co

