O cheiro de café atravessou a porta antes mesmo de eu colocar a chave na fechadura. Fiquei parado por um segundo, a testa encostada na madeira, sentindo aquele aroma quente invadir o peito de um jeito que nenhuma bala perdida conseguia. Depois girei a chave e entrei. O apartamento estava iluminado. Não as luzes frias do teto, mas os abajures. Os que ela acendia quando queria que a casa parecesse menos um apartamento de homem sozinho e mais um lar. A televisão desligada. O silêncio ocupado pelo chiado do bule e o som dos pés dela na cozinha. Manuela estava de costas quando entrei. Cabelo preso de qualquer jeito, uma camisola simples, daquelas que ela usava quando era só ela e eu, sem luxo, sem fantasia. Mexia alguma coisa no fogão com a concentração de quem colocava amor onde a vida tinh

