— De você ir embora. A frase bateu. — De você acordar um dia e perceber que não vale a pena. Que eu não valho a pena. Que o passado é pesado demais. Que o Ítalo é problema demais. Que tudo isso é confusão demais pra um homem que podia ter qualquer mulher sem bagagem, sem trauma, sem filho de bandido. Pousei a caneca no chão. Inclinei o corpo para frente, pegando o rosto dela com as duas mãos. Polegares enxugando as lágrimas. Olhos fixos nos olhos dela. — Escuta. — minha voz saiu baixa. Firme. — Eu entrei no BOPE com vinte anos. Já matei gente que nem nome eu soube. Já vi colega estourar na minha frente. Já fiz acordo com bandido, menti pra corregedoria, fingi que não vi o que vi. Minha mão é suja, Manuela. Meu passado é podre. Meu presente é uma mentira atrás da outra. Ela tentou desv

