57. Manuela

942 Palavras

Acordei tarde, muito mais tarde do que eu costumava. Culpa dele, claro. Alex tinha dormido grudado em mim depois de um sexo que me deixou com as pernas bambas e o corpo inteiro dolorido do jeito certo. Ele tava ali ainda, deitadaço do meu lado, peito nu, respiração pesada, aquela calma de quem derrubou o próprio cansaço em cima de mim durante horas. Eu saí devagar da cama, só de camiseta, tentando não acordar Ítalo. Lavei o rosto na pia, amarrei o cabelo num coque frouxo e fui pra cozinha com a intenção de fazer almoço. O relógio marcava quase meio-dia. Olhei a geladeira: ovos, um restinho de arroz, legumes, manteiga, nada demais. Foi automático começar a tirar as coisas pra fazer alguma coisa simples. Eu ainda tinha a mania de me antecipar: cozinhar, limpar, ajeitar a casa. Mas antes

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