Acordei tarde, muito mais tarde do que eu costumava. Culpa dele, claro. Alex tinha dormido grudado em mim depois de um sexo que me deixou com as pernas bambas e o corpo inteiro dolorido do jeito certo. Ele tava ali ainda, deitadaço do meu lado, peito nu, respiração pesada, aquela calma de quem derrubou o próprio cansaço em cima de mim durante horas. Eu saí devagar da cama, só de camiseta, tentando não acordar Ítalo. Lavei o rosto na pia, amarrei o cabelo num coque frouxo e fui pra cozinha com a intenção de fazer almoço. O relógio marcava quase meio-dia. Olhei a geladeira: ovos, um restinho de arroz, legumes, manteiga, nada demais. Foi automático começar a tirar as coisas pra fazer alguma coisa simples. Eu ainda tinha a mania de me antecipar: cozinhar, limpar, ajeitar a casa. Mas antes

