O restaurante era um daqueles que parecia cenário de filme: luz baixa, taças finas, garçons que andavam como sombras treinadas, música suave e um ar-condicionado que fazia a pele arrepiar. Lugar caro. Lugar onde eu jamais pisaria sozinha na vida. Mas ali, ao lado do Alex e com Ítalo devorando um prato infantil de 80 reais, parecia até... normal. Alex tava relaxado, ou pelo menos na versão relaxada dele: ombro solto, mão na minha coxa debaixo da mesa, aquele olhar de vigilante mas com a boca levemente macia do vinho caro que ele tomou. — Comendo direitinho, soldado? — ele perguntou pro Ítalo. — Tô, capitão! O suco é muito gostoso! Eu ia reclamar, mas o jeito que ele falou, tão natural, tão autoconfiante, me deu aquele frio na barriga de sempre. E foi então que a porta do restaurante

