Eu acordei antes do despertador. Na verdade, acho que nem dormi direito. Fiquei acordando de meia em meia hora, olhando pro relógio como se o tempo pudesse simplesmente esquecer de passar. Hoje era o aniversário do Ítalo. Cinco anos. Cinco anos desde o dia em que eu pari aquele menino num hospital público, sozinha, com medo, sem saber se ia conseguir criar ele. Cinco anos de luta, de apertar dinheiro, de inventar história pra explicar por que ele não tinha pai. E hoje... Hoje ele ia ter uma festa. Uma festa de verdade. Com decoração, bolo grande, lembrancinha, crianças correndo, tudo aquilo que eu via os outros tendo e fingia que não fazia falta. Me virei na cama devagar. Alex estava dormindo de lado, o braço pesado jogado por cima da minha cintura, respirando fundo daquele jeito

