O domingo amanheceu claro, daqueles dias que prometem calor e fingem que o Rio é uma cidade normal. Acordei com o peso do Ítalo nas minhas costas. O moleque tinha mania de escalar a cama durante a noite e terminar amassado entre eu e a Manuela. Dessa vez, ele estava atravessado, um pé na minha cara, a mão no cabelo dela, roncando como um adulto depois de bebedeira. Olhei o relógio. 6:47. Domingo. Dia de descanso. Dia de fingir que o mundo não estava pegando fogo. Manuela dormia profundo, os cabelos espalhados no travesseiro, a boca entreaberta. Linda. Linda demais pra ter acabado com um cara como eu. Desencaixei o pé do Ítalo do meu rosto com cuidado. Levantei sem fazer barulho. No banheiro, olhei no espelho e vi o que já sabia: olheiras profundas, expressão cansada, a guerra estampad

