Os dias seguintes correram lentos, como se o morro tivesse prendido o ar desde aquela noite. A imagem dele batendo nos caras ainda me vinha à cabeça às vezes, não por medo, mas pela intensidade. Era como se a presença dele tivesse ficado presa nas paredes da viela, me seguindo onde quer que eu fosse. Eu tentei seguir a vida. Trabalhei, limpei, fiz unha, ajeitei cabelo, cuidei do Ítalo. Mas o tempo todo sentia aquele peso invisível me observando. Quando o vento batia diferente, eu sabia. Quando a moto subia devagar demais, o coração disparava. Era instinto. O corpo reconhece o perigo mesmo antes da mente admitir. Naquela tarde, o sol descia quente, o ar pesado. Eu voltava do posto de saúde com o Ítalo pela mão, um saquinho de remédio pendurado no braço. O calor era tanto que o chão pareci

