O silêncio no porão era sufocante.
Patrícia m*l respirava.
O corpo encolhido no canto.
As mãos tremendo, segurando o celular com força.
Lá em cima…
Os passos estavam mais próximos.
Mais lentos.
Mais atentos.
— Tem alguma coisa aqui… — disse uma voz.
O coração dela disparou.
Cristiano ainda estava na ligação.
— Fica quieta — sussurrou ele — não faz barulho nenhum.
Ela levou a mão à boca, segurando o choro.
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O homem parou exatamente em frente à porta escondida.
Silêncio.
Ele analisou.
A mão foi até a maçaneta.
Girou devagar.
— Achei…
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No exato segundo em que ele puxou a porta—
A porta da casa explodiu com um estrondo.
— AGORA!
A voz de Cristiano ecoou.
O caos começou.
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TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!
Tiros.
Gritos.
Correria dentro da casa.
Os homens invasores foram pegos de surpresa.
— É ele! É o Dogão!
Cristiano entrou como um furacão.
Frio.
Rápido.
Sem hesitar.
O olhar dele… mortal.
— NINGUÉM ENCOSTA NELA!
Os disparos eram precisos.
Cada movimento calculado.
Os homens dele dominando cada canto da casa.
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O homem que estava no porão hesitou.
Olhou para cima.
Erro dele.
Antes que reagisse…
Cristiano apareceu no corredor.
Os olhos travaram nele.
Um segundo de silêncio.
Suficiente.
Cristiano levantou a arma.
— Acabou pra você.
O disparo ecoou.
Fim.
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O silêncio voltou…
Pesado.
Cortado apenas pela respiração acelerada de Cristiano.
— Limpa tudo — ordenou ele, sem nem olhar para trás.
Mas ele já não estava mais ali.
Já estava correndo.
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Descendo as escadas do porão.
— Patrícia!
A voz dele ecoou.
Desesperada.
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Lá embaixo…
Ela levantou no mesmo instante.
— CRISTIANO!
Ele abriu a porta.
E viu ela.
Encolhida.
Assustada.
Chorando.
Viva.
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Ele foi até ela na hora.
Ela correu.
Se jogou nos braços dele.
— Eu achei que… — ela chorava, sem conseguir terminar — eu achei que eles iam me achar…
Cristiano abraçou forte.
Muito forte.
Como se nunca mais fosse soltar.
— Eu cheguei — disse ele, a voz rouca — eu te falei que chegava.
Ela tremia nos braços dele.
— Eu tive muito medo…
Ele segurou o rosto dela, olhando nos olhos.
— Acabou. Eu tô aqui.
Mas por dentro…
ele sabia.
Aquilo não tinha acabado.
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Ele encostou a testa na dela, respirando fundo.
O olhar mudou.
Agora não era só proteção.
Era decisão.
Fria.
Perigosa.
— Agora… isso vai acabar de verdade.
O silêncio no porão ainda carregava o eco do que tinha acabado de acontecer.
Patrícia estava nos braços de Cristiano, ainda tremendo, tentando se recuperar.
Ele respirou fundo, segurando o rosto dela com cuidado, mas com firmeza no olhar.
— Você vai lá pra casa, tá? — disse ele.
Ela franziu a testa na hora, ainda assustada.
— Mas…
Respirou fundo, balançando a cabeça.
— É perigoso… — a voz dela saiu mais baixa — Lá também é perigoso… e você sabe disso.
Cristiano assentiu, sem negar.
— Eu sei.
O tom dele era sério. Real.
— Mas eu vou deixar homens meus lá o tempo todo. Sempre de vigia, principalmente quando eu não estiver.
Ele aproximou mais o rosto dela.
— Não tem como você permanecer aqui sozinha pra sempre. Não tem.
Patrícia desviou o olhar, pensativa, o medo ainda evidente.
— Mas… meu trabalho…
Ela voltou a olhar pra ele.
— Você sabe onde eu trabalho… se tentaram me pegar aqui…
A voz dela falhou.
— Eles podem tentar lá também.
Cristiano fechou os olhos por um segundo, como se já tivesse pensado nisso mil vezes.
— Você vai ter que se afastar um pouco do trabalho.
Ela arregalou os olhos.
— Parar de vez?
— Não — respondeu ele na hora — não é parar.
Ele segurou as mãos dela, firme.
— É só por enquanto.
Silêncio.
— Eu prometo.
Os olhos dele escureceram levemente, carregados de determinação.
— Até eu derrubar um por um.
Aquilo fez o coração dela apertar.
Porque ela sabia…
ele ia fazer isso mesmo.
— Quando isso acabar — continuou ele — eu arrumo outro lugar pra você. Seguro.
A voz dele suavizou um pouco.
— Você volta pra sua rotina… pro seu trabalho… pras suas coisas.
Ele tocou o rosto dela de leve.
— Pro seu cantinho.
Os olhos dela encheram de lágrimas de novo.
— A gente vai se ver… como sempre… — disse ele, mais baixo — mas agora eu preciso que você fique onde eu sei que você tá segura.
Silêncio.
Pesado.
Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração.
O medo ainda estava ali.
Mas o olhar dele…
era firme.
Seguro.
Decidido.
— Só preciso que você confie em mim agora — disse ele.
Um segundo de silêncio.
— Você pode confiar em mim?
Patrícia fechou os olhos por um instante.
Pensou em tudo.
No medo.
No perigo.
No amor.
E nele.
Quando abriu os olhos de novo…
ela assentiu.
— Tá bom…
A voz ainda tremia.
— Tá bom. Eu confio em você.
Cristiano puxou ela pra um abraço forte, aliviado… mas ainda carregando o peso da guerra que estava só começando.
— Eu não vou deixar nada acontecer com você — murmurou ele.
E daquela vez…
não era só uma promessa.
Era uma decisão.