confia em mim

874 Palavras
O silêncio no porão era sufocante. Patrícia m*l respirava. O corpo encolhido no canto. As mãos tremendo, segurando o celular com força. Lá em cima… Os passos estavam mais próximos. Mais lentos. Mais atentos. — Tem alguma coisa aqui… — disse uma voz. O coração dela disparou. Cristiano ainda estava na ligação. — Fica quieta — sussurrou ele — não faz barulho nenhum. Ela levou a mão à boca, segurando o choro. --- O homem parou exatamente em frente à porta escondida. Silêncio. Ele analisou. A mão foi até a maçaneta. Girou devagar. — Achei… --- No exato segundo em que ele puxou a porta— A porta da casa explodiu com um estrondo. — AGORA! A voz de Cristiano ecoou. O caos começou. --- TÁ! TÁ! TÁ! TÁ! Tiros. Gritos. Correria dentro da casa. Os homens invasores foram pegos de surpresa. — É ele! É o Dogão! Cristiano entrou como um furacão. Frio. Rápido. Sem hesitar. O olhar dele… mortal. — NINGUÉM ENCOSTA NELA! Os disparos eram precisos. Cada movimento calculado. Os homens dele dominando cada canto da casa. --- O homem que estava no porão hesitou. Olhou para cima. Erro dele. Antes que reagisse… Cristiano apareceu no corredor. Os olhos travaram nele. Um segundo de silêncio. Suficiente. Cristiano levantou a arma. — Acabou pra você. O disparo ecoou. Fim. --- O silêncio voltou… Pesado. Cortado apenas pela respiração acelerada de Cristiano. — Limpa tudo — ordenou ele, sem nem olhar para trás. Mas ele já não estava mais ali. Já estava correndo. --- Descendo as escadas do porão. — Patrícia! A voz dele ecoou. Desesperada. --- Lá embaixo… Ela levantou no mesmo instante. — CRISTIANO! Ele abriu a porta. E viu ela. Encolhida. Assustada. Chorando. Viva. --- Ele foi até ela na hora. Ela correu. Se jogou nos braços dele. — Eu achei que… — ela chorava, sem conseguir terminar — eu achei que eles iam me achar… Cristiano abraçou forte. Muito forte. Como se nunca mais fosse soltar. — Eu cheguei — disse ele, a voz rouca — eu te falei que chegava. Ela tremia nos braços dele. — Eu tive muito medo… Ele segurou o rosto dela, olhando nos olhos. — Acabou. Eu tô aqui. Mas por dentro… ele sabia. Aquilo não tinha acabado. --- Ele encostou a testa na dela, respirando fundo. O olhar mudou. Agora não era só proteção. Era decisão. Fria. Perigosa. — Agora… isso vai acabar de verdade. O silêncio no porão ainda carregava o eco do que tinha acabado de acontecer. Patrícia estava nos braços de Cristiano, ainda tremendo, tentando se recuperar. Ele respirou fundo, segurando o rosto dela com cuidado, mas com firmeza no olhar. — Você vai lá pra casa, tá? — disse ele. Ela franziu a testa na hora, ainda assustada. — Mas… Respirou fundo, balançando a cabeça. — É perigoso… — a voz dela saiu mais baixa — Lá também é perigoso… e você sabe disso. Cristiano assentiu, sem negar. — Eu sei. O tom dele era sério. Real. — Mas eu vou deixar homens meus lá o tempo todo. Sempre de vigia, principalmente quando eu não estiver. Ele aproximou mais o rosto dela. — Não tem como você permanecer aqui sozinha pra sempre. Não tem. Patrícia desviou o olhar, pensativa, o medo ainda evidente. — Mas… meu trabalho… Ela voltou a olhar pra ele. — Você sabe onde eu trabalho… se tentaram me pegar aqui… A voz dela falhou. — Eles podem tentar lá também. Cristiano fechou os olhos por um segundo, como se já tivesse pensado nisso mil vezes. — Você vai ter que se afastar um pouco do trabalho. Ela arregalou os olhos. — Parar de vez? — Não — respondeu ele na hora — não é parar. Ele segurou as mãos dela, firme. — É só por enquanto. Silêncio. — Eu prometo. Os olhos dele escureceram levemente, carregados de determinação. — Até eu derrubar um por um. Aquilo fez o coração dela apertar. Porque ela sabia… ele ia fazer isso mesmo. — Quando isso acabar — continuou ele — eu arrumo outro lugar pra você. Seguro. A voz dele suavizou um pouco. — Você volta pra sua rotina… pro seu trabalho… pras suas coisas. Ele tocou o rosto dela de leve. — Pro seu cantinho. Os olhos dela encheram de lágrimas de novo. — A gente vai se ver… como sempre… — disse ele, mais baixo — mas agora eu preciso que você fique onde eu sei que você tá segura. Silêncio. Pesado. Ela respirou fundo, tentando acalmar o coração. O medo ainda estava ali. Mas o olhar dele… era firme. Seguro. Decidido. — Só preciso que você confie em mim agora — disse ele. Um segundo de silêncio. — Você pode confiar em mim? Patrícia fechou os olhos por um instante. Pensou em tudo. No medo. No perigo. No amor. E nele. Quando abriu os olhos de novo… ela assentiu. — Tá bom… A voz ainda tremia. — Tá bom. Eu confio em você. Cristiano puxou ela pra um abraço forte, aliviado… mas ainda carregando o peso da guerra que estava só começando. — Eu não vou deixar nada acontecer com você — murmurou ele. E daquela vez… não era só uma promessa. Era uma decisão.
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