escondida

700 Palavras
Alguns dias se passaram. Depois daquela noite de tiros, tudo parecia… estranhamente calmo. Patrícia estava em casa, tentando retomar a rotina. A televisão ligada baixo. Ela sentada no sofá, mexendo no celular. O coração já não estava tão acelerado como antes… mas a sensação de alerta… ainda existia. Foi então que… toc toc toc Alguém bateu na porta. Patrícia franziu a testa, olhando na direção. — Ué… Não estava esperando ninguém. Se levantou devagar. Caminhou até a porta, mas antes de abrir… hesitou. Algo dentro dela… travou. Depois de tudo que tinha acontecido… ela já não era mais tão despreocupada. — Quem é? — perguntou, ainda atrás da porta. Silêncio por um segundo. — É entrega — respondeu uma voz masculina do outro lado. Ela franziu mais a testa. — Entrega? Eu não pedi nada… — Tá no seu nome aqui, moça — insistiu o homem. Patrícia ficou em dúvida. Olhou discretamente pela fresta da janela… Viu um homem com uma caixa na mão. Parecia normal. Comum. Mas o coração dela… não confiou. Do outro lado da rua… um carro escuro estava estacionado. Vidros fechados. E lá dentro… o mesmo homem observava. O olhar fixo na casa dela. Esperando. Patrícia voltou pra porta. A mão já na maçaneta… Mas algo fez ela parar de novo. Lembrou das palavras de Cristiano. "Não abre pra ninguém." O coração acelerou. — Pode deixar aí na porta — disse ela, mais firme agora. Silêncio. O homem do outro lado mudou o tom. — Precisa assinar. Ela não respondeu. Ficou parada. Respirando devagar. Pensando. Do lado de fora… o homem perdeu a paciência. E lá dentro do carro… o outro observava, com um leve sorriso. — Esperta… — murmurou. Patrícia deu um passo pra trás. Agora tinha certeza. Algo estava errado. Muito errado. E então… A maçaneta mexeu. Com força. Tentando abrir. O coração dela disparou. — CRISTIANO… — sussurrou, já pegando o celular com as mãos tremendo. Do lado de fora… o jogo tinha começado. O som da maçaneta sendo forçada fez o coração de Patrícia disparar. — Meu Deus… A respiração ficou curta. As mãos tremendo. Ela não pensou duas vezes. Virou as costas e correu. A casa tinha um pequeno porão — algo simples, quase esquecido, que ficava escondido atrás de uma porta discreta perto da cozinha. Pouca gente sabia. Ela mesma quase nunca usava. Mas agora… era a única opção. O barulho na porta aumentou. BAM! Uma batida forte. — Abre essa porta! — gritou a voz do lado de fora, agora sem disfarce. O sangue gelou. Patrícia abriu a porta escondida com pressa, desceu os degraus quase tropeçando. Entrou. Fechou. E ficou ali…No escuro. O peito subindo e descendo rápido demais. Lá em cima… CRASH! O som da porta sendo arrombada ecoou pela casa. Ela levou a mão à boca pra abafar o próprio grito. As lágrimas começaram a cair na hora. — Calma… calma…sussurrava pra si mesma, tentando não entrar em pânico. Com as mãos tremendo, pegou o celular. Ligou. Chamando. Chamando. Atende… — Atende, Cristiano… por favor… Do outro lado, no morro, Cristiano viu o nome dela na tela. Atendeu na mesma hora. — Patrícia? A voz dela saiu quebrada. — Cristiano… invadiram minha casa… O mundo dele parou. — O quê?! — Eles tão aqui… — ela sussurrava, chorando baixo — eu tô escondida no porão… O olhar dele mudou na hora. Frio. Perigoso. — Fica aí. Não faz barulho — disse ele, firme — EU TÔ INDO. Ele já estava pegando a chave, saindo rápido. — Não desliga — completou. Lá dentro do porão… Patrícia se encolheu no canto, abraçando as pernas. Ouvindo. Cada passo. Cada barulho. Acima dela… os homens reviravam a casa. — Procura! Ela tá aqui! O coração dela parecia que ia sair pela boca. — Cristiano… — sussurrou, quase sem voz — eu tô com medo… A voz dele veio firme do outro lado. — Eu tô chegando. Aguenta mais um pouco. Mas o que nenhum dos dois sabia… é que lá em cima… um dos homens já tinha percebido algo. Uma porta fora do lugar. Um detalhe mínimo. Mas suficiente. Ele parou. olhou fixo. E começou a andar…na direção do porão.
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