Cristiano não vacilou.
Depois daquela noite, ele deixou claro mesmo sem falar tudo que Patrícia não ficaria desprotegida nem por um segundo.
Na manhã seguinte, dois homens já estavam posicionados próximos à casa dela.
Discretos.
Atentos.
Sempre de olho em tudo.
Não ficavam colados.
Não chamavam atenção.
Mas estavam ali.
Guardando.
Observando.
Prontos para agir.
Patrícia percebeu.
Não era ingênua.
Viu o carro parado mais de uma vez.
Os mesmos rostos, sempre atentos.
Sempre por perto.
Ela não perguntou nada.
No fundo… ela sabia.
Era necessário.
E, pela primeira vez, entendeu de verdade o tamanho do mundo em que Cristiano vivia.
Mas o que ela não sabia…
era que o perigo não tinha ido embora.
Só tinha recuado.
Do outro lado da cidade, dentro de um carro parado em uma rua mais afastada, o mesmo homem que havia mandado sequestrá-la observava uma foto no celular.
Era Patrícia.
Saindo de casa.
Sorrindo.
Viva.
Ele soltou um riso baixo, frio.
— Então é você…
Um dos homens ao lado perguntou:
— Vai tentar de novo?
Ele negou com a cabeça.
— Não agora.
Os olhos dele escureceram.
— Agora não é mais sobre pegar ela…
Fez uma pausa, olhando fixamente pra imagem.
— É sobre atingir ele.
Silêncio dentro do carro.
Pesado.Perigoso.
— Vamos esperar… continuou ele deixar ele relaxar… achar que tá tudo sob controle.
Ele travou o celular, com um sorriso calculado.
— Aí a gente arranca o que mais importa pra ele.
Enquanto isso, Patrícia estava em casa, tentando seguir a rotina.
Mas algo dentro dela ainda estava inquieto.
Um peso.
Uma sensação estranha.
Como se…algo estivesse errado.
Cristiano, por outro lado, estava ainda mais atento.
Mais fechado.
Mais perigoso.
Ele sabia que aquilo não tinha acabado.
E agora…não era só sobre ele ,era sobre ela.
eno meio de tudo isso…
uma verdade começava a se formar:a proteção dele era forte…
mas o inimigo…era paciente.
Alguns dias se passaram.
E, pela primeira vez desde tudo o que aconteceu, a noite parecia… tranquila.
Sem ligações urgentes.
Sem movimentações estranhas.
Sem pressa.
Cristiano estava na casa dele.
E Patrícia… com ele.
A luz estava baixa, o ambiente silencioso, apenas o som distante da cidade quebrando o momento.
Ela estava sentada no sofá, encostada nele, enquanto ele passava a mão lentamente pelo braço dela, em um gesto calmo, quase automático… mas cheio de significado.
— Tá tudo quieto hoje… disse ela, olhando pra ele.
— Tá — respondeu ele, mas o olhar ainda carregava atenção — e eu espero que continue assim.
Ela sorriu de leve.
— Você nunca relaxa, né?
Ele soltou um pequeno sorriso.
— Não quando se trata de você.
Aquilo fez o coração dela aquecer.
Ela se virou de frente pra ele, aproximando o rosto, os olhos conectados.
— Eu tô aqui… disse ela, baixo.
Cristiano segurou o rosto dela com as duas mãos, como se quisesse guardar aquele momento.
— Eu sei.
O beijo veio devagar.
Diferente das outras vezes.
Sem pressa.
Sem urgência.
Só… sentimento.
As mãos dele deslizaram pelas costas dela, enquanto ela se aproximava mais, se encaixando nele. A conexão entre eles não era só física — era emocional, profunda, intensa.
Cada toque parecia carregar tudo o que eles tinham passado.
Cada suspiro… uma confirmação silenciosa.
Eles se levantaram sem quebrar o beijo, caminhando juntos até o quarto.
A entrega foi natural.
Calorosa.
Intensa.
Mas também… cuidadosa.
Como se, no meio de um mundo tão perigoso, aquele momento fosse o único lugar seguro que existia.
Cristiano a envolvia com firmeza, mas também com uma delicadeza rara, como se estivesse protegendo algo precioso.
E Patrícia… se entregava sem medo naquele instante.
Sem pensar no perigo.
Sem pensar no mundo lá fora.
Só nele.
Só neles.
Depois…
O silêncio voltou.
Mas agora… um silêncio bom.
Os corpos ainda próximos, as respirações desacelerando.
Patrícia desenhava círculos leves no peito dele com a ponta dos dedos.
— Eu queria que fosse sempre assim… murmurou ela.
Cristiano fechou os olhos por um segundo.
— Eu também.
Ele puxou ela mais pra perto, abraçando com firmeza.
— E eu vou fazer de tudo pra ser.
Ela se aconchegou nele, sentindo o coração dele bater forte e constante.
Por um momento…
tudo parecia em paz.
Mas lá fora…a noite continuava e com ela…
o perigo ainda rondava.