Dias depois…
A noite parecia tranquila mais uma vez.
Patrícia estava na casa de Cristiano, sentada na cama, enquanto ele falava algo sobre o dia, mais relaxado do que o normal.
Ela até estranhou.
— Hoje você tá diferente… — disse ela, sorrindo de leve.
— Tô tentando — respondeu ele, olhando pra ela — por você.
Ela sorriu…
Mas o momento durou pouco.
Um estampido alto cortou o ar.
— TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!
Patrícia se assustou na hora, levantando num pulo.
— O que foi isso?!
Cristiano congelou por meio segundo.
Mas ele sabia exatamente o que era.
— Fica aqui — disse ele, já sério, totalmente em alerta.
Outro barulho.
Mais alto.
Mais perto.
Tiros. Muitos tiros.
O som ecoava pelo morro inteiro.
Patrícia levou a mão à boca, assustada.
— Cristiano… — a voz dela tremia — o que tá acontecendo?!
Ele já estava indo até a janela, puxando a cortina só o suficiente pra olhar.
O rosto dele endureceu na hora.
— Merda…
— O quê?! — ela insistiu, já nervosa.
Ele virou pra ela, direto:
— Ataque.
O coração dela disparou.
— Ataque?!
Mais tiros.
Mais gritos ao longe.
Correria.
O caos tinha começado.
Cristiano caminhou rápido até ela, segurando o rosto dela com firmeza.
— Olha pra mim — disse ele — você vai ficar calma, tá?
— Eu não tô calma! — ela respondeu, desesperada — Cristiano, isso é muito tiro!
— Eu sei — disse ele, firme — mas eu tô aqui.
Outro barulho forte fez ela se encolher.
Instintivamente, ela se aproximou dele.
— Eu não vou deixar nada acontecer com você — disse ele, olhando nos olhos dela — mas você precisa fazer exatamente o que eu mandar.
Ela assentiu, nervosa.
— Tá…
Ele pegou a mão dela e a puxou rápido.
— Vem comigo.
Eles foram até um cômodo mais interno da casa.
Sem janelas.
Mais protegido.
— Fica aqui — disse ele — não sai por nada.
Ela segurou o braço dele com força.
— Você vai sair?
O silêncio respondeu antes dele.
— Eu tenho que ir — disse ele, sério.
— NÃO! — ela apertou mais o braço dele — Cristiano, não me deixa aqui sozinha!
Os olhos dela estavam cheios de medo.
Puro.
Ele respirou fundo, lutando contra si mesmo.
— Eu preciso resolver isso — disse ele — senão eles entram aqui.
Aquilo fez ela travar.
— Mas…
Ele aproximou o rosto do dela, firme.
— Confia em mim.
Ela balançou a cabeça, nervosa.
— Eu tenho medo…
Ele encostou a testa na dela.
— Eu também tenho… de perder você.
Silêncio.
Tiros ao fundo.
— Eu volto — disse ele.
Ele soltou a mão dela…
E saiu.
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Patrícia ficou sozinha.
O som dos tiros ecoando.
O coração disparado.
As mãos tremendo.
Ela se encolheu no canto, tentando se proteger…
Enquanto, lá fora…
Cristiano já não era mais o homem carinhoso de minutos atrás.
Era o Dogão.
Frio.
Perigoso.
Pronto pra guerra.
— Quero todo mundo posicionado AGORA! — gritou ele — Ninguém passa!
O olhar dele queimava.
Porque dessa vez…
não era só território.
Era ela ali dentro.
O barulho dos tiros ecoava por todo o morro.
Gritos.
Correria.
Portas batendo.
Mas no meio daquele caos…
Cristiano caminhava firme.
Sem medo.
Sem hesitar.
Os homens dele já estavam posicionados, atentos, armados, esperando ordens.
— Chefe! Eles tão subindo pela lateral! — gritou um deles.
Cristiano olhou na direção, o maxilar travado.
— Quantos?
— Uns seis… talvez mais!
Ele puxou a arma, destravando com calma.
— Então hoje eles descem menos.
A voz saiu fria.
Mortal.
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Do outro lado, os homens de Ivandi avançavam, tentando ganhar território, confiantes de que pegariam Cristiano desprevenido.
Mas não contavam com uma coisa.
Ele já estava esperando.
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— AGORA! — gritou Cristiano.
O primeiro disparo veio dele.
Seco.
Preciso.
O confronto explodiu de vez.
TÁ! TÁ! TÁ! TÁ!
As balas cortavam o ar, atingindo paredes, muros, levantando poeira.
Os homens se posicionavam, trocando tiros, avançando e recuando.
Cristiano se movia rápido.
Experiente.
Calculista.
Ele não atirava por impulso.
Cada movimento era estratégico.
Cada decisão… pensada.
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— Flanqueia pela direita! — ordenou ele — Não deixa eles subirem!
Um dos homens caiu ao lado dele.
Cristiano nem hesitou.
— Tira ele daqui! — gritou, sem perder o foco.
Outro inimigo apareceu mais próximo.
Erro dele.
Cristiano reagiu na hora.
Mais um disparo.
Silêncio momentâneo naquele ponto.
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Mas a mente dele…
não estava só ali.
Patrícia.
Sozinha.
Com medo.
Dentro da casa dele.
Aquilo só aumentava a fúria.
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— AVANÇA! — ele gritou, a voz ecoando — EMPURRA ELES PRA FORA!
O confronto ficou mais intenso.
Mais próximo.
Mais perigoso.
Um dos homens inimigos tentou correr pela lateral…
Cristiano interceptou.
— Aqui não.
O olhar dele era frio.
Sem piedade.
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Depois de minutos que pareceram horas…
o som dos tiros começou a diminuir.
Os inimigos recuaram.
Feridos.
Desorganizados.
— Eles tão batendo retirada! — gritou um dos homens.
Cristiano respirou pesado, olhando ao redor, avaliando cada ponto.
— Quero dois homens seguindo de longe. Sem vacilar. — ordenou — E o resto fica atento. Isso não acabou.
Silêncio começou a voltar… aos poucos.
Mas a tensão ainda estava no ar.
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Cristiano nem esperou mais.
Virou as costas e caminhou rápido.
Direto pra casa.
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Enquanto isso…
Patrícia ainda estava no canto do quarto.
Encolhida.
Com as mãos nos ouvidos.
As lágrimas já tinham caído há muito tempo.
Cada tiro…
parecia atingir ela por dentro.
— Meu Deus… — sussurrava — faz ele voltar…
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A porta abriu com força.
Ela se assustou na hora.
— CRISTIANO?!
Ele entrou.
Respirando pesado.
O olhar ainda carregado de guerra.
Mas quando viu ela…
tudo mudou.
Ela correu até ele.
Se jogou nos braços dele.
— Eu achei que… — a voz dela falhou — eu achei que você não ia voltar…
Ele abraçou forte.
Muito forte.
— Eu falei que voltava.
Ela se afastou um pouco, olhando ele de cima a baixo.
— Você tá bem?!
Ele assentiu.
— Tô.
Mas o corpo dele ainda estava tenso.
E os olhos…
ainda não tinham saído da guerra.
Ela segurou o rosto dele.
— Isso… isso é o seu mundo, né?
Ele não respondeu na hora.
Porque agora…
ela tinha visto.
De verdade.