O dono do morro

1058 Palavras
Dias depois… A noite parecia tranquila mais uma vez. Patrícia estava na casa de Cristiano, sentada na cama, enquanto ele falava algo sobre o dia, mais relaxado do que o normal. Ela até estranhou. — Hoje você tá diferente… — disse ela, sorrindo de leve. — Tô tentando — respondeu ele, olhando pra ela — por você. Ela sorriu… Mas o momento durou pouco. Um estampido alto cortou o ar. — TÁ! TÁ! TÁ! TÁ! Patrícia se assustou na hora, levantando num pulo. — O que foi isso?! Cristiano congelou por meio segundo. Mas ele sabia exatamente o que era. — Fica aqui — disse ele, já sério, totalmente em alerta. Outro barulho. Mais alto. Mais perto. Tiros. Muitos tiros. O som ecoava pelo morro inteiro. Patrícia levou a mão à boca, assustada. — Cristiano… — a voz dela tremia — o que tá acontecendo?! Ele já estava indo até a janela, puxando a cortina só o suficiente pra olhar. O rosto dele endureceu na hora. — Merda… — O quê?! — ela insistiu, já nervosa. Ele virou pra ela, direto: — Ataque. O coração dela disparou. — Ataque?! Mais tiros. Mais gritos ao longe. Correria. O caos tinha começado. Cristiano caminhou rápido até ela, segurando o rosto dela com firmeza. — Olha pra mim — disse ele — você vai ficar calma, tá? — Eu não tô calma! — ela respondeu, desesperada — Cristiano, isso é muito tiro! — Eu sei — disse ele, firme — mas eu tô aqui. Outro barulho forte fez ela se encolher. Instintivamente, ela se aproximou dele. — Eu não vou deixar nada acontecer com você — disse ele, olhando nos olhos dela — mas você precisa fazer exatamente o que eu mandar. Ela assentiu, nervosa. — Tá… Ele pegou a mão dela e a puxou rápido. — Vem comigo. Eles foram até um cômodo mais interno da casa. Sem janelas. Mais protegido. — Fica aqui — disse ele — não sai por nada. Ela segurou o braço dele com força. — Você vai sair? O silêncio respondeu antes dele. — Eu tenho que ir — disse ele, sério. — NÃO! — ela apertou mais o braço dele — Cristiano, não me deixa aqui sozinha! Os olhos dela estavam cheios de medo. Puro. Ele respirou fundo, lutando contra si mesmo. — Eu preciso resolver isso — disse ele — senão eles entram aqui. Aquilo fez ela travar. — Mas… Ele aproximou o rosto do dela, firme. — Confia em mim. Ela balançou a cabeça, nervosa. — Eu tenho medo… Ele encostou a testa na dela. — Eu também tenho… de perder você. Silêncio. Tiros ao fundo. — Eu volto — disse ele. Ele soltou a mão dela… E saiu. --- Patrícia ficou sozinha. O som dos tiros ecoando. O coração disparado. As mãos tremendo. Ela se encolheu no canto, tentando se proteger… Enquanto, lá fora… Cristiano já não era mais o homem carinhoso de minutos atrás. Era o Dogão. Frio. Perigoso. Pronto pra guerra. — Quero todo mundo posicionado AGORA! — gritou ele — Ninguém passa! O olhar dele queimava. Porque dessa vez… não era só território. Era ela ali dentro. O barulho dos tiros ecoava por todo o morro. Gritos. Correria. Portas batendo. Mas no meio daquele caos… Cristiano caminhava firme. Sem medo. Sem hesitar. Os homens dele já estavam posicionados, atentos, armados, esperando ordens. — Chefe! Eles tão subindo pela lateral! — gritou um deles. Cristiano olhou na direção, o maxilar travado. — Quantos? — Uns seis… talvez mais! Ele puxou a arma, destravando com calma. — Então hoje eles descem menos. A voz saiu fria. Mortal. --- Do outro lado, os homens de Ivandi avançavam, tentando ganhar território, confiantes de que pegariam Cristiano desprevenido. Mas não contavam com uma coisa. Ele já estava esperando. --- — AGORA! — gritou Cristiano. O primeiro disparo veio dele. Seco. Preciso. O confronto explodiu de vez. TÁ! TÁ! TÁ! TÁ! As balas cortavam o ar, atingindo paredes, muros, levantando poeira. Os homens se posicionavam, trocando tiros, avançando e recuando. Cristiano se movia rápido. Experiente. Calculista. Ele não atirava por impulso. Cada movimento era estratégico. Cada decisão… pensada. --- — Flanqueia pela direita! — ordenou ele — Não deixa eles subirem! Um dos homens caiu ao lado dele. Cristiano nem hesitou. — Tira ele daqui! — gritou, sem perder o foco. Outro inimigo apareceu mais próximo. Erro dele. Cristiano reagiu na hora. Mais um disparo. Silêncio momentâneo naquele ponto. --- Mas a mente dele… não estava só ali. Patrícia. Sozinha. Com medo. Dentro da casa dele. Aquilo só aumentava a fúria. --- — AVANÇA! — ele gritou, a voz ecoando — EMPURRA ELES PRA FORA! O confronto ficou mais intenso. Mais próximo. Mais perigoso. Um dos homens inimigos tentou correr pela lateral… Cristiano interceptou. — Aqui não. O olhar dele era frio. Sem piedade. --- Depois de minutos que pareceram horas… o som dos tiros começou a diminuir. Os inimigos recuaram. Feridos. Desorganizados. — Eles tão batendo retirada! — gritou um dos homens. Cristiano respirou pesado, olhando ao redor, avaliando cada ponto. — Quero dois homens seguindo de longe. Sem vacilar. — ordenou — E o resto fica atento. Isso não acabou. Silêncio começou a voltar… aos poucos. Mas a tensão ainda estava no ar. --- Cristiano nem esperou mais. Virou as costas e caminhou rápido. Direto pra casa. --- Enquanto isso… Patrícia ainda estava no canto do quarto. Encolhida. Com as mãos nos ouvidos. As lágrimas já tinham caído há muito tempo. Cada tiro… parecia atingir ela por dentro. — Meu Deus… — sussurrava — faz ele voltar… --- A porta abriu com força. Ela se assustou na hora. — CRISTIANO?! Ele entrou. Respirando pesado. O olhar ainda carregado de guerra. Mas quando viu ela… tudo mudou. Ela correu até ele. Se jogou nos braços dele. — Eu achei que… — a voz dela falhou — eu achei que você não ia voltar… Ele abraçou forte. Muito forte. — Eu falei que voltava. Ela se afastou um pouco, olhando ele de cima a baixo. — Você tá bem?! Ele assentiu. — Tô. Mas o corpo dele ainda estava tenso. E os olhos… ainda não tinham saído da guerra. Ela segurou o rosto dele. — Isso… isso é o seu mundo, né? Ele não respondeu na hora. Porque agora… ela tinha visto. De verdade.
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