Episódio 3

1883 Palavras
— Olá mamãe, como foi seu dia? — Melhor, minha filha, graças a Deus. — Ai, princesa, mas como você está bonita. O que você fez? — Bem, mamãe, fizeram uma cirurgia da moda em mim. — E por que isso, minha filha? — Porque a partir de amanhã, devo ir com um dos meus chefes a algumas reuniões com clientes e minha chefe quer que eu pareça bem, porque diz que represento a empresa. — Bem, minha filha, mas eles tinham boa matéria-prima, o que fizeram foi realçar a sua beleza, filha. — Ai, mamãe, você me vê com olhos de amor. E meu irmão, onde ele está? — Acabou de ir para a universidade, está muito contente, menina. Graças a você que está ajudando-o a terminar o seu curso. — Faço com prazer, mamãe. Pouco a pouco, tudo vai melhorar e vamos melhorar de vida, você verá. — Sim, meu amor. Ouça, e aqui deve ter gasto muito dinheiro, como fez? — A senhora Natasha pagou e eu vou pagar a ela, aos poucos, mãe. — Deus abençoe, aquela senhora é uma alma santa. Eu a terei nas minhas orações. — Sim, mamãe, ela é muito boa. Que pena que nem todos sejam assim naquele lugar. — Por que você diz isso, minha filha? — Por nada, mamãe, por nada. — Vamos, eu te ajudo a arrumar tudo isso, para que depois jantemos juntas. — Obrigada, mamãe. SANTIAGO — Boa noite, família. — Boa noite, menino. Chegou a tempo para o jantar. — Sim, na verdade, estou com muita fome. Alonso e eu caminhamos juntos para a mesa, para nos encontrarmos com Natasha, que nos espera lá. — Olá, Santiago. — Olá, cunhada. Maria, nossa governanta, está servindo o jantar e começamos a compartilhar sobre nossas atividades do dia. — Santiago, esqueci de te informar que Dania te acompanhará nas reuniões, ela é uma moça muito capaz, tem estudos em logística, mestrado em administração portuária, é poliglota, muito capaz e extremamente organizada, tenho certeza que farão uma ótima equipe. — Sim, já percebi que ela fala francês perfeito. — Ah sim, e como foi isso? — Alberto me fez um comentário sobre ela em francês e eu respondi no mesmo idioma, depois percebemos que ela nos entendeu. — Espero que não tenham dito nada de ru*im sobre ela? Diz a minha cunhada. — Alberto a chamou de linda e me perguntou o que eu achava. Eu disse a ele que ela me parecia bonita, mas comum. Nada fora do comum. — Bendito, você disse isso sério? Respondeu Natasha. — Disse. Dou de ombros. — Santiago, essa garota usa tudo o que ganha na mãe doente e para ajudar o irmão a terminar a faculdade, por isso você não a vê vestida como as outras mulheres que trabalham conosco. Ir ao salão de beleza é um luxo que ela não pode pagar. Deus e eu, que a mandei hoje para polir a sua imagem de mulher executiva, com certeza pensarão que a minha decisão teve algo a ver com o seu comentário desagradável. Deus, que vergonha, espero que ela não tenha levado a m*al. — Santiago, esforce-se um pouco para conectar o seu cérebro com a sua boca. Diz Alonso — Eu não tinha ideia. — Nem todos nascemos com os mesmos privilégios, menino. Diz o meu irmão. — Santiago, por favor, tente não humilhar a Dania, de verdade, ela não pode se dar ao luxo de perder o emprego, além disso, ela é uma mulher muito profissional. Sei que você tem o seu jeito de ser e não aprovo, mas respeito. Mas, por favor, permita que ela faça o seu trabalho sem complicações. — Bom, já chega de sermão. Já entendi, tratarei a sua assistente com absoluto profissionalismo. — Obrigada. Diz Natasha. Depois disso, o jantar continua normalmente. DANIA Acordo cedo, já que não sou especialista em me maquiar nem me arrumar. Pego um dos ternos executivos e o combino com a bolsa e os sapatos, exatamente como me ensinaram, prendo o cabelo num ra*bo de cavalo alto e aplico uma camada leve de maquiagem, destacando principalmente os meus lábios e os meus olhos. — Como estou? — Linda. Diz a minha mãe. — Como uma rainha. Responde o meu irmão. — Bom, já vou, vejo vocês à tarde. Amo vocês. Digo dando um abraço em cada um. Chego cedo ao trabalho, como de costume, a cara da recepcionista ao me ver me dá vontade de rir. — Mulher, o que você fez? — hahahahaha, nada, só coloquei roupa nova. — Pois você está espetacular. — Obrigada, você é muito gentil. Pego o elevador e chego até o andar onde está o meu cubículo, a essa hora não tem mais ninguém aqui. Mergulho no trabalho, redigindo relatórios, revisando documentos e o tempo passa sem que eu perceba. No momento, o telefone da minha mesa começa a tocar. — Boa tarde senhorita Rinaldi, o senhor Santiago está esperando a senhora no saguão, ele diz que vocês têm tempo justo para chegar à reunião com os americanos. — Vou imediatamente. Digo apressadamente. Tinha me esquecido completamente que eu tinha que acompanhar o id(iota nas reuniões. Saio apressada do meu cubículo, rumo ao elevador e, felizmente, em menos de dois minutos estou no saguão. — Desculpe o atraso, senhor. Digo ao chegar perto dele, que está de costas olhando para a entrada. — Não se preocupe, mas vamos nos apressar para chegar a tempo. Ele diz enquanto coloca óculos escuros que o fazem parecer um ator de Hollywood. Saímos e na entrada do edifício está o seu motorista, que abre a porta traseira do luxuoso veículo. SANTIAGO Justo quando Lucas abre a porta, viro-me para ela para indicar que entre primeiro no carro. Até aquele momento, não tinha reparado nela. A verdade é que fiquei de boca aberta. Não sei o que aconteceu com essa mulher, mas ela está simplesmente espetacular. Aquele terno executivo azul-escuro, cai perfeitamente no seu corpo, o cabelo num ra*bo de cavalo alto, revela o seu pescoço esguio e a maquiagem que ela usa realça os seus olhos e lábios. Fiquei impressionado com a sua nova imagem e suponho que Lucas notou, pois ele pigarreia na garganta para me tirar desse estado. Recupero a compostura e a convido a entrar no veículo. O sorriso zombeteiro de Lucas, que me olha pelo retrovisor, não se faz esperar assim que ele entra no carro. Enquanto desvio o olhar para a janela, para não evidenciar o efeito que a mudança de aparência da senhorita Rinaldi causou em mim. DANIA Um silêncio desconfortável se instala no veículo, então decido começar a revisar os documentos que trouxe nas pastas. — Trouxe tudo o que vamos precisar? Pergunta o senhor Ferrara. — Sim, senhor, tenho tudo aqui. — Você fala inglês? — Sim, senhor. — Perfeito. — Mas acho que eles falam italiano, então podemos fazer a reunião em qualquer um dos dois idiomas. Respondo ainda com o olhar nos papéis, a proximidade com este homem me deixa nervosa. — Perfeito. — O senhor tem alguma sugestão ou pedido especial em relação à reunião? — Não, sua chefe me disse que a senhorita é uma profissional, completo, espero que possa provar isso nesta série de reuniões. — Farei o meu melhor, senhor. SANTIAGO Lucas para na entrada do restaurante, pois fomos convocados para um almoço de negócios. O meu motorista abre a porta para que eu desça, para depois estender a mão para Dania fazer o mesmo. A primeira coisa que sai do carro são as suas pernas muito bem torneadas, que chamam toda a minha atenção e, claro, a de Lucas. — Entramos no restaurante e a recepcionista nos recebe com um sorriso muito grande— Bem-vindo, Sr. Ferrara, em que posso servi-lo? Ela diz de forma insinuante. — Tenho uma mesa reservada no meu nome. Respondo ignorando o seu olhar. — Siga-me. Ela diz, ignorando olimpicamente a senhorita Rinaldi. A garota caminha na frente, guiando-nos até a mesa, mas não me passa despercebido que os olhares masculinos não estão nela, mas sim em Dania, que nem sequer percebe isso. Chegamos à nossa mesa e o garçom se aproxima para nos oferecer o cardápio. — Posso oferecer algo para beber. Diz o rapaz. Olhando encantado para Dania. — Um chá gelado. Ela responde com um sorriso daqueles de comercial de pasta de dente. — Já trago, senhorita. Diz o jovem entusiasmado. — Traga-me uma taça de vinho. Digo de forma incisiva e com um tom um pouco forte, para hoje. — Sim, senhor. Responde o rapaz um pouco envergonhado. — Parece que o seu novo visual a tornou alvo de muitos olhares, senhorita Rinaldi. — Sério? — Vai me dizer que não percebeu que o garçom estava encantado com você. — Pois a verdade, não percebi. Deve ser que vestida assim eu pareço menos comum, senhor Ferrara. Respondo olhando nos olhos dele. — Boa tarde, cumprimentam as pessoas que estávamos esperando. — Boa tarde, senhores. Respondemos em uníssono e nos levantando para cumprimentar. — Os recém-chegados são Antoan Smith e Jason Carter, potenciais clientes americanos, interessados em utilizar os nossos serviços de carga marítima. A reunião foi conduzida em inglês, pois Dania e eu dominamos perfeitamente o idioma. Eu faço a explicação dos serviços que oferecemos, garantindo a prontidão na entrega e o tipo de seguros que a garantem. Por sua vez, Dania fala sobre os custos e a forma de pagamento, bem como sobre a assinatura dos contratos. — Bom, senhores, nos convenceram. Diz o senhor Carter, preparem toda a documentação para realizar a contratação. — Assim é. Acrescenta o senhor Smith. — Vocês formam uma excelente dupla. Parabéns, jovens. — Obrigado, senhores. Eu respondo. Enquanto Dania apenas sorri, organizando os documentos na pasta exatamente como os trouxe. — Mas este negócio, temos que comemorá-lo. Que tal se esta noite sairmos para tomar uns tragos? Diz Carter. — Ouvi falar de um lugar chamado "La Dimora" e adoraríamos conhecê-lo. — Com muito prazer, senhores. Respondo cordialmente. — Suponho que a bela dama não fará a honra de nos acompanhar? Pergunta Smith, olhando para Dania. — Eu… — Claro, a senhorita Rinaldi nos acompanhará. Eu respondo por ela. DANIA Abro os olhos surpresa ao ouvir a resposta que Santiago Ferrara acabou de dar a esses homens. O que acontece com ele, que se acha no direito de decidir por mim? — Os americanos levantam-se da mesa e despedem-se de nós. — Excelente trabalho, senhorita, parabéns. — Olha, quem você pensa que é para aceitar esse convite no meu nome? Eu não posso ir comemorar em lugar nenhum. Eu digo incomodada. — Pois informo que isso também faz parte do seu trabalho, se o cliente quiser ir comemorar, então você tem que ir comemorar. Não ouviu aquele ditado de que o cliente sempre tem razão? Respiro fundo e tento controlar a minha raiva. Me dá paciência, Senhor, porque se me der força, mato este homem a bofetadas. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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