Soraia Há gestos que atravessam a pele. Que não se explicam com palavras, nem se enquadram em categorias conhecidas. A amamentação com Ian começou como acolhimento. Um gesto de cuidado, de escuta, de presença. Mas com o tempo, tornou-se algo maior. Algo que me transformou também. Na primeira vez, ele chegou até mim como quem pede abrigo. Os olhos baixos, o corpo tenso, a alma em desalinho. Eu o vi. Não como homem, não como parceiro, não como desejo. Eu o vi como alguém que precisava ser segurado. E ofereci o colo. O gesto foi simples. Retirei a blusa, acomodei o seio, e o deixei se deitar. Quando ele levou a boca ao meu corpo, senti uma onda de calor. Não era excitação. Era conexão. Era como se meu corpo dissesse: “É seguro. Pode ficar.” O leite veio com facilidade. Ian sugava com le

