Mari

584 Palavras
Meu então sogro me trouxe pra casa apos o casamento. Não entendia muito bem o que estava acontecendo, tinha varios carros a nossa frente e outros atras de nós. Orlando meu sogro estava no banco da frente e eu estava atras com sua esposa. Ela tentou puxar conversa. Se apresentou como Lucia, e me passou o contato dela. Orlando acompanhava nossa interação atraves do retrovisor, ao mesmo tempo que ele mantinha os olhos acompanhando a estrada e os carros a nossa frente e atras de nós. Minha cabeça estava a mil. Eu anotei os numeros que ela ia me falando no automatico. Sei que ela devia estar querendo ser gentil, mas eu não estava com cabeça pra esse tipo de gentileza no momento. Sei que poderia me arrepender, ja que não tenho amigas. --Eu irei morar com vocês? --Não queria, você vai pra sua casa. Leandro comprou uma casa enorme pra vocês dois viver e encher os quartos com crianças. Minha casa? Quase soltei uma risada. O pouco que eu tinha me foi tirado, eu não tenho nada. Minhas coisas couberam em uma bolsa de mão. --Nossa Mari, devia pedir um celular novo ao Leandro. Eu não sei como você consegue usar esse ai ainda. --Ah, pro que eu preciso ele funciona bem ainda. --Não seja boba, voce pode ter tudo de ultima geração. Não sei em que mundo essa mulher vivia, mas pra mim não era assim que as coisas funcionavam. Eu não podia simplesmente querer trocar de telefone, e magicamente um novo de ultima geração aparecia na minha frente. --Sabe, minha filha Giovana, não para de pedir pra ir conhecer sua casa, sei que provavelmente voce vai querer chegar e descansar, e aproveitar seu noivo claro, a noite de nupcias é muiito importante, levando em consideração que ele precisa mostrar o lençol no conselho. --que? Que lençol? --Lucia, ja deu de falar besteiras, deixa a Mari em paz. Orlando pareceu um pouco estressado e acabou falando de forma grosseira, apesar de ja ter percebido que esse é o jeito dele. Ele parece ser sempre rude, e grosso, e sinceramente? Eu tenho medo dele. --ué, é tradição, todo mundo sabe disso. --Eu não vou repetir Lucia. Agora ele estava mais irritado ainda. Ou é o jeito dele, mas Lucia pareceu perceber e passou o restante do caminho quieta. Eu pude aproveitar pra olhar o caminho, eu nunca tinha vindo pra esse lado da cidade antes. Casas que ocupavam quadras inteiras. A casa dos meus pais não era pequena, era uma casa grande com bastantes quartos, piscina, area de fesas, uma quadra de volei, e uma quadra de futebol. Tinha uma area separada para os empregados, mas que depois que eu cresci nunca mais tinha sido ocupado. Eu limpava aquele lugar duas vezes por semana, mesmo sabendo que ninguem nunca frequentaria. Como sera que Leandro vai querer a casa limpa? Será que ainda consiguirei trabalhar? Eu tinha tantos sonhos, tantos desejos ainda para realizar, tanta coisa que eu gostaria de conhecer. E olhando pra essas ruas dessa cidade com casas maiores que as dos filmes que eu ja vi, vou me dando conta essa é a minha vida agora. Viver atras de um homem que pode ou não me tratar bem. Que pode ou não conviver diariamente comigo, que pode ou não querer ter um filho comigo. Isso é que eu vou ser pelo resto da vida, uma esposa, uma mãe e uma dona de casa. Sem faculdade, sem trabalho sem perspectiva de vida.
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