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1242 Palavras
HUNTER MÚSICA – SAVE YOU A SEAT, ALEX WARREN A garrafa de cerveja está gelada nas minhas mãos enquanto a viro, recostando-me na cadeira, deixando o barulho do bar passar por mim em vez de me atravessar. A banda está tocando muito alto no canto, e botas batem na pista de dança. Risadas ecoam pelo ar, copos tilintam. É o lugar perfeito para relaxar. Exatamente como o papai gostava. Do outro lado da mesa, meus irmãos estão sentados em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos, mas cabe a mim garantir que eles estejam bem. Papai deixou isso bem claro. Foram suas últimas palavras, pouco antes de seu coração parar nos estábulos, há dois anos. Ouvi o baque, as mudanças na respiração dele enquanto ele segurava o peito. Vi a cor sumir do rosto do meu pai. Mesmo enquanto eu gritava para o veterinário do estábulo me ajudar. Minha ressuscitação cardiorrespiratória não conseguiu salvá-lo. Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, o cavalo dele estava se debatendo no estábulo ao nosso lado. Eu me senti sem esperança. Antes de perder a consciência, ele me disse que me amava e que eu deveria cuidar dos seus meninos. Ele murmurou essas palavras como um maldito apelo que levarei para o meu próprio túmulo. Nosso pai nos deu tudo. Mesmo depois que a mamãe morreu, ele nos manteve de pé. E, quando ele morreu, fiquei com um buraco no peito que não consigo preencher. Um vazio que simplesmente me esgota. Mas não tenho tempo para me afundar. Posso valorizar nossas lembranças. Posso agradecer a ele pela força que ele me deu. E me esforço muito, todos os dias, para deixá-lo orgulhoso e manter minha família segura. Ace está sentado à minha frente, já na metade de outra garrafa. Ele pode ser um peão de rodeio profissional, mas, assim como o animal, é imprevisível. Um cabeça quente com um sorriso que o tira de encrencas com mais frequência do que deveria. Colten está sentado ao lado dele. Meu braço direito em tudo. Trabalho no rancho, serviços de proteção, negócios da máfia. Quando as coisas dão errado, ele é o único que fica ao meu lado sem hesitar. E depois tem o Beau. O quieto. O pensador. Enquanto o resto de nós bebe um balde de cerveja barata, ele saboreia um copo de uísque de primeira qualidade, como se pertencesse a um lugar mais tranquilo do que este bar de cowboys barulhento. Ace bate a garrafa na mesa. "O velho teria adorado esta noite." Colten bufa. "Ele teria adorado ver você ser derrubado de outro touro em menos de três segundos mais cedo." Ace mostra o dedo do meio para ele. "Ainda assim, aguentei mais do que você aguentaria." Apesar de tudo, um sorriso aparece na minha boca. Eles são legais. O que significa que posso baixar a guarda por cinco minutos. Recosto-me, examinando o salão automaticamente. A proteção permeia este lugar, e nosso nome afasta a maioria dos problemas antes mesmo que eles comecem. Vejo cowboys dançando com garotas de short jeans. Trabalhadores do rancho gastando o salário. Turistas se esforçando demais para parecer moradores locais. Então, a porta da frente se abre, o ar frio entra e, sem que eu queira, minha atenção se volta para lá. Não sei por quê. Até que ela entra. Cachos ruivos intensos caem pelas suas costas em ondas longas, refletindo as luzes de néon no teto. Muito brilhantes. Viva demais para um lugar como este. Seus olhos verdes examinam o lugar, cautelosos, mas curiosos, como se ela soubesse que não pertence a esse lugar, mas se recusasse a demonstrar. Ela é intrigante. E com certeza não é daqui. Um delicado colar de diamantes repousa em seu pescoço, e o pingente balança suavemente enquanto ela ri de algo que sua amiga de cabelos escuros diz. Anéis brilham em seus dedos bem cuidados enquanto ela coloca o cabelo atrás da orelha. Ela pode estar usando saia curta e botas, mas tudo no seu lindo visual grita "garota da cidade". Sem dúvida. Mesmo assim, tudo ao meu redor fica em silêncio, e meu coração dispara. Aperto a garrafa de cerveja com mais força. Que p***a está acontecendo comigo? A amiga a puxa em direção ao bar, mas ela hesita por meio segundo, olhando o salão novamente. E então seu olhar pousa em mim. E se fixa, quase como se me reconhecesse. Mas não tem a menor chance de eu já ter me encontrado com ela antes. Porque aprendi a perceber as coisas que importam. E uma mulher assim? Ela se destacaria em qualquer lugar. O que significa que eu me lembraria se já a tivesse visto antes. Todo mundo se lembraria. Essa mulher linda foi feita para ser lembrada. Caramba, todos os homens deste bar já estão olhando para ela. Mas o jeito como ela me encara... É como se estivesse tentando me reconhecer. E, caramba, eu viria a este bar com mais frequência se ela viesse aqui. Só venho aqui duas vezes por ano, em homenagem ao meu pai. Bebemos em casa, no nosso próprio bar. É mais seguro assim. Ace segue meu olhar. "Olha só, que maravilha", ele murmura. "Parece que New Falls acabou de ficar muito mais bonita." O que é interessante, porque, desde que a namorada do Ace saiu da cidade há quatro anos, ele tem estado como um cachorrinho perdido. Eu até o peguei cavalgando até o lugar onde ele costumava assistir ao pôr do sol com a ex. Achei que ele acabaria superando, mas não superou. O coração dele está preso àquela garota, quer ele queira ou não. Colten olha para o lado e depois de volta para mim, erguendo ligeiramente a sobrancelha. Ele percebe. "Hunter", ele diz baixinho. "Você está bem?" Não. Nem de longe. Meu peito está apertado, e eu quero ir até lá e falar com ela. Quero ouvir que sotaque ela tem. Quero saber quem ela é. Então, a amiga dela a puxa pelo braço, e ela desvia o olhar, corando enquanto se deixa ser arrastada até o bar. E, de repente, a banda, as risadas, o barulho das garrafas... Tudo desaparece. Tudo se resume à mulher que acabou de entrar no meu bar e tirou meu fôlego. Termino minha cerveja de um só gole. "A Reese vem hoje à noite?", Beau pergunta do outro lado da mesa. Eu respondo com um grunhido. Reese é minha melhor amiga desde que eu era criança. Mas esta noite é para a família. E, aparentemente, com uma ruiva do outro lado do bar. "Ele está ocupado no trabalho ou algo assim. Talvez ele apareça mais tarde", digo a ele, mas nem sequer olho para ele enquanto falo. Ace sorri. "Você vai ficar olhando a noite toda ou..." "Cala a boca", resmungo, já empurrando minha cadeira para trás. Porque, mais cedo, ao cavalgar de volta pelo rancho, observei vagalumes piscando na grama e pensei em como as coisas mais bonitas esperam a escuridão para se mostrar. Como a beleza se esconde até a noite cair. E agora, ao ver aquela mulher brilhar sob as luzes de néon no meio do meu bar, todos os meus instintos se concentram em um pensamento perigoso. Algumas coisas ficam lindas quando a noite chega. Mas ainda assim trazem problemas. E algo me diz que o vagalume que acabou de entrar pela porta está prestes a brilhar muito mais intensamente do que qualquer coisa para a qual eu esteja preparado.
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