LOLA
NO MOMENTO EM QUE ENTRO NO BAR, SEI QUE NÃO ESTOU APENAS SENDO
OBSERVADA.
Estou sendo analisada.
O lugar é barulhento, lotado de cowboys com jeans surrados e botas, mulheres dançando de short jeans e uma banda ao vivo tocando uma música country alta o suficiente para fazer a pista inteira tremer.
E eu adoro isso. Não ter ninguém me reconhecendo. Não ser forçada a ter conversas chatas. Este lugar parece selvagem, que é exatamente o que eu queria.
Violet agarra meu pulso e ri. "Viu? É divertido." m*l a ouço porque vejo ele, e sinto um frio na barriga.
Ele está sentado em uma mesa perto dos fundos com outros três homens, com garrafas de cerveja na frente deles, todos grandes, largos e realmente intimidadores.
E lá está ele.
O homem do lado de fora da cafeteria. Aquele em torno de quem todos ficavam em silêncio.
Aquele para quem as pessoas abriam caminho sem precisar pedir.
E agora ele está aqui.
Olhos azul-escuros fixos em mim.
E, de repente, a sala parece quente demais.
Ele está vestindo uma camiseta preta justa, esticada sobre um peito tão musculoso que parece que ele levanta gado por diversão. Tatuagens percorrem os dois braços, desaparecendo sob as mangas, tinta escura contra a pele bronzeada. Seus ombros parecem capazes de carregar o mundo inteiro sem se quebrar.
Sua mandíbula está áspera com a barba por fazer, e sua expressão é indecifrável. Ele está apenas me observando.
Os homens na mesa dele são todos bonitos, cada um à sua maneira. Mas ele? Ele não é apenas bonito. Ele é lindo. O tipo de homem que você vê uma vez e nunca esquece. E, de alguma forma, os olhos dele já estão em mim, o que faz com que o calor suba pelo meu pescoço.
"Terra chamando Lola." Violet me cutuca. "Você está bem?" Engulo em seco. "Tô. Só...
uau."
Ela segue meu olhar. "Ah."
Ela ergue as sobrancelhas. "Nossa. Ele é incrivelmente gostoso." "Né?"
"Aquela mesa inteira tem níveis ilegais de cowboy sexy", ela suspira. Mas minha atenção continua voltando para ele.
Aqueles olhos escuros.
Me observando. Ou talvez eu esteja imaginando coisas.
Seguimos em direção ao bar, espremendo-nos entre as pessoas, e, antes mesmo de pedirmos, dois caras se acomodam no espaço ao nosso lado.
Cowboys turistas. Dá para perceber pelas botas limpas demais e pelos sotaques que não são daqui. Quanto mais tempo fico aqui, mais começo a perceber a diferença. Para mim, é fascinante. "As bebidas são por nossa conta", diz um deles com um sorriso. Violet sorri radiante. "Bom, obrigada."
Sorrio educadamente enquanto as cervejas deslizam em nossa direção. Eles puxam conversa. Aquele papo furado chato que eu detesto. Perguntam de onde somos, o que estamos fazendo aqui. Violet conversa com facilidade, rindo, enquanto eu aceno com a cabeça.
Não consigo me concentrar. Porque, a cada poucos segundos, meu olhar volta para o outro lado do
bar
. De volta para ele. Ainda está lá. Ainda observando.
Tomo um gole de cerveja, tentando acalmar a agitação repentina no meu estômago. Violet se aproxima. "A mesa do caubói ainda está
o ando."
l Arrisco dar mais uma olhada. E, sim. Ainda está lá. Recostado na h cadeira, cerveja na mão, olhos fixos em mim como se nada mais no bar existisse.
Que é exatamente o que sinto por ele.
"Você deveria ir falar com ele", sussurra Violet. Quase engasgo com a minha bebida.
"De jeito nenhum." "Por que não?"
"Porque homens assim não são abordados." Dou de ombros, fingindo que meu estômago não está revirando. "Eles que abordam. Não quero parecer desesperada."
"E você vai ficar só esperando?" Ela me olha como se eu fosse burra feito uma porta. Eu ergo o queixo. "Se ele quiser falar comigo, pode vir até aqui."
A verdade é que ir até aquela mesa destruiria completamente a pouca compostura que ainda me resta.
Ele me deixa nervosa. Mas não me assusta. Estou intrigada.
Meu coração dispara quando ele estende a mão sobre a mesa, pega um chapéu de cowboy preto e o coloca na cabeça.
Como se ele soubesse exatamente o efeito que isso tem em uma mulher.
Ele diz algo para os homens na sua mesa. Um deles sorri e olha para mim com ar de quem sabe de algo.
E então ele se levanta.
O ar muda, tornando difícil respirar. Aperto minha garrafa de cerveja com mais força, observando cada passo dele. As pessoas se mexem sem precisar de ordem, as conversas se interrompem enquanto ele caminha no meio da multidão em direção ao balcão. Na minha direção. Meu coração dispara com tanta força que consigo ouvi-lo nos meus ouvidos. "Lola", sussurra Violet. "Ele está vindo pra cá." Eu sei.
Ele se aproxima de nós, seu ombro largo quase roçando o meu quando ele se vira para o balcão, ignorando completamente os dois caras que estão conversando com a gente.
"Boa noite, rapazes", diz ele com calma.
Os caras acenam com a cabeça, de repente muito conscientes de si mesmos. Um deles murmura algo sobre pegar outra bebida, e os dois desaparecem no meio da multidão.
Em seguida, ele inclina ligeiramente a aba do chapéu na direção de Violet e de mim. "Boa noite, moças."
De perto, ele é impressionante. E, quando seus olhos azuis se fixam nos meus, sinto uma pontada na boca do estômago.
Ele se vira de novo para o barman. "Outra rodada para mim e para a mesa dos meus irmãos."
O barman age imediatamente.
Em seguida, a atenção do desconhecido volta para mim em um segundo. - E você, o que está bebendo? A voz dele fica mais baixa.
Minha boca fica seca. "Uma cerveja seria bom. Por favor."
Pareço uma i****a. Ele provavelmente acha que sou uma virgem que nunca falou com um homem antes, pelo jeito como acabei de murmurar uma frase simples.
Os lábios dele se contraem, quase um sorriso. "Cerveja, então."
Ele faz o pedido sem desviar o olhar de mim, paga e, em seguida, apoia o quadril no balcão. Perto o suficiente para que o calor irradie pelo meu braço. Perto o suficiente para que meu cérebro entre em curto-circuito.
De perto, percebo tudo.
A cicatriz discreta ao longo da mandíbula dele. A barba escura que sombreia suas bochechas.
A maneira como as mãos dele parecem capazes de me levantar sem esforço. Nossa.
Eu poderia passar o dia todo vendo um homem assim trabalhar e nunca me cansaria. O sol nas costas dele, os músculos se flexionando enquanto ele joga fardos de feno ou conserta cercas, o suor escorrendo pelos braços tatuados.
E as coisas que aquelas mãos poderiam fazer comigo... Meu Deus.
Minha respiração falha. "Você não é daqui", diz ele, com a voz baixa e muito provocadora.
Meu sotaque. Claro. Cruzo os braços, fingindo confiança. "Como você percebeu?"
Ele me olha de cima a baixo, preguiçosamente. "Nova York." Eu pisco.
"É tão óbvio assim?"
Ele dá um sorrisinho. "Tenho amigos lá. Você fala como eles."
Seu sotaque se enrola em cada palavra. Meu corpo inteiro parece se inclinar em direção a ele sem permissão.
"Então", ele continua, com os olhos fixos nos meus, "você é nova na cidade? Ou só tá de passagem?"
Por algum motivo, não quero que ele saiba que vim para ficar. Por medo, talvez. A maneira como reajo a ele, nunca senti isso antes. Nunca tive sentimentos por um cara cujo nome eu nem sei.
"Estou de visita", minto com naturalidade. "O tio da minha amiga mora aqui."
O olhar dele fica um pouco mais penetrante. Como se ele soubesse que não estou dizendo toda a verdade.
"Numa cidade como esta", ele murmura, "os visitantes geralmente não ficam por muito tempo." Ergo uma
sobrancelha. "Por quê?"
A mandíbula dele se contrai, e algo sombrio brilha em seus olhos. "Cowboys tendem a causar problemas."
Meus lábios se curvam antes que eu consiga impedi-los. "E você? Você causa problemas?"
Um instante se passa. Então ele se inclina levemente, a voz rouca junto ao meu ouvido. Ele até tem um cheiro divino. "Sou eu quem resolve os problemas."
Um arrepio desce pela minha espinha. Meu instinto me diz que ele é o homem mais perigoso deste bar.
Mas, estando tão perto assim?
Não quero fugir. Em vez disso, sou atraída por ele.
É como tocar no fogo só para ver o que acontece. Na verdade, nunca tive que tomar minhas próprias decisões na vida. Meus pais faziam isso por mim. Mas aqui? Aqui, posso ser a mulher que sempre quis ser.
A garota confiante que vai atrás do que quer. Aquela que pode se divertir sem se preocupar com quem está olhando para ela.
A garota que conquista o homem. Ou, neste caso, o caubói que deixa sua calcinha encharcada.
Ele se endireita devagar, baixando brevemente o olhar para o colar de diamantes no meu pescoço antes de voltar a me encarar.
E algo muda na expressão dele. Ela se suaviza. Só um pouquinho.
Quase como se ele estivesse tendo o mesmo debate interno que eu. "Eu sou o Hunter", diz ele, estendendo a mão.
E eu congelo. Olho para a mão áspera e tatuada dele como se ela pudesse me morder.
Talvez eu queira que ele me morda. Ou minha b***a.
Ele sorri maliciosamente quando meus olhos encontram os dele. "Você tem nome, garota da cidade?", ele pergunta com a voz arrastada.
No instante em que coloco minha mão na dele, faíscas percorrem meu braço. Não me afasto, me entrego à sensação. Como se estivesse viva.
"Adivinha", provoco.
Ele passa a mão tatuada pela barba escura, erguendo a sobrancelha.
"Não preciso adivinhar. Vou arrancar a informação de você em algum momento."
Eu pisco para ele. A confiança dele é sexy. Tudo nele é. Eu quase entro em combustão quando ele se inclina na minha direção. Acho que nem estou respirando direito.
"Mas o meu conselho é: fique longe dos cowboys", ele diz baixinho.
Ele pega o balde de cervejas, depois faz uma pausa e se inclina mais uma vez, sua barba por fazer roçando minha orelha.
"Os vagalumes são muito bonitos à noite", ele murmura. "Mas eles ainda assim acabam se queimando."
Minha respiração fica presa.
Ele se afasta, seus olhos azul-escuros fixos nos meus por mais um segundo. "Cuidado, vaga-lume."
"Tenha uma boa noite, Hunter", digo a ele, seu nome soando sexy na minha língua.
Ele respira fundo. Só um pouquinho. Mas o suficiente para me dizer que também consigo afetá-lo. E então ele se afasta, levando as bebidas de volta para os irmãos como se não tivesse acabado de virar meu mundo de cabeça para baixo.
Fico olhando para ele, com o coração acelerado.
Reese me fazia sentir pressionada. Cada interação com ele me deixa nervosa. Mas com o Hunter? A química está fluindo de uma maneira que eu nunca senti antes.
Do tipo que você vê em filmes ou lê em livros. Aquele momento. Nunca pensei que fosse real. Mas depois disso? É real.
"p**a merda, Lola. Isso, sim, é um homem. Um homem que poderia fazer tantas coisas safadas com você", sussurra Violet atrás de mim.
Balanço a cabeça, tentando voltar à realidade. Um homem como ele não vai correr atrás do que ele chama de garota da cidade. Ele me avisou para ficar longe. Mas não gosto mais que me digam o que fazer. Aquela Lola está morta.