7

1995 Palavras
HUNTER MÚSICA – WRONG ONES, POST MALONE FT. TIM MCGRAW Coloco as cervejas na mesa e, no segundo em que me sento, o sorriso de Ace se abre o suficiente para virar um problema. "Ora, ora", ele diz, arrastando as palavras. "Olha só o irmão mais velho aqui dando em cima." Pego outra garrafa do balde, ignorando-o. "Cala a boca." Colten se recosta na cadeira, de braços cruzados e com um olhar divertido. "Não sabia que você ainda lembrava como fazer isso." "Eu não estava dando em cima dela." Ace ri. Bem alto. "Hunter Ralph Sterling, você atravessou um bar lotado, assustou dois caras e pagou uma bebida para ela. Isso é dar em cima, no seu caso." Dou de ombros e tomo um gole de cerveja. "Só fui educado." "Mentira", diz Colten. "Você só é educado quando tem interesse." "Eu sou sempre educado." Beau finalmente tira os olhos do uísque. "Você está olhando para ela desde que ela entrou." Eu os ignoro, mas, mesmo assim, meu olhar volta para o outro lado do bar. E lá está ela. Cachos ruivos balançando enquanto ela ri com a amiga, os quadris se mexendo no ritmo da música, completamente alheia ao fato de que todos os homens no no lugar estão olhando para ela. Ela dança de um jeito diferente das garotas daqui. Sem os movimentos ensaiados de balada. Ela dança como se não se importasse com quem está olhando. Ace assobia baixinho. "Ela vai te causar problemas. Acho que ela é exatamente o que você precisa, rabugento." "Sim, porque vocês não me causam problemas o suficiente, né?", resmungo. "Você adora, isso te mantém vivo", rebate Ace. Não respondo porque, quanto mais tempo eu a observo se mexer, mais algo se contrai lá no fundo. Pelo jeito que os quadris dela se mexem, estou desesperado para saber de que cor é a calcinha debaixo daquela saia. O jeito como o suor umedece a nuca dela. O jeito como ela joga a cabeça para trás rindo, os cachos voando. E, de repente, meu jeans parece muito mais apertado do que há cinco minutos. Meu Deus do céu. Eu arrasto minha cadeira para trás. "Preciso tomar um ar." Ace sorri. "Precisa de um banho frio, você quer dizer." "Vai se ferrar." As risadas deles me acompanham noite adentro enquanto vou até a porta dos fundos e pego um cigarro. Com as costas encostadas na parede, olho para as estrelas e acendo o cigarro. Deixo a fumaça queimar nos meus pulmões. Atrás de mim, ouço o som de botas esmagando cascalho. Já sei que é ela. Sou treinado para caçar, mas ela merece mais do que ser minha presa. Não me viro imediatamente. Mas meu coração dispara pra caramba no meu peito. Ver ela dançar lá dentro? Ver todos os homens olhando para ela? Não é bom para o meu autocontrole. Tenho uma reputação a zelar. Mas, se alguém sequer encostar nela, posso acabar atirando em todo mundo. "Eu não tinha dito para você ficar longe de cowboys?", pergunto, olhando por cima do ombro. Ela está a alguns metros de distância, os cachos desgrenhados de tanto dançar, as bochechas coradas, os olhos verdes brilhando na penumbra. "Está quente lá dentro", diz ela, cruzando os braços, embora o sorriso que se esboça em seus lábios a delate. "O ar fresco geralmente fica na frente. Aqui atrás é para os fumantes." Ela dá de ombros. "Acho que me perdi." Solto uma risada baixa. "Claro que se perdeu, vaga-lume."   Os olhos dela piscam ao ouvir o apelido e, em vez de recuar, ela se aproxima. Erro número um. Eu estendo meu cigarro aceso como um desafio. "Você fuma?" "Se eu estiver me sentindo m*l, sim." Assinto com a cabeça. Olho para as mãos dela, procurando uma aliança no dedo errado. Mas estão vazias. Ela não é comprometida. "Então hoje é sua noite de sorte." Nossos dedos se tocam quando ela pega o cigarro, e o contato dispara entre nós como estática. Caramba. Ela tosse levemente depois de dar uma tragada e, em seguida, devolve o baseado, demorando os dedos de propósito. Ela está me provocando, e eu deveria parar com isso. Eu não faço mais isso, desde que a mãe do Wyatt foi embora e me deixou cuidando de tudo. Minhas prioridades são simples: meu filho. Meu rancho. Meus irmãos. Mulheres complicam as coisas. Mas essa aqui? Ela desperta algo em mim que eu achava que havia se apagado anos atrás. Ela está me fazendo repensar todo o meu modo de vida com um sorriso. Talvez nem todo mundo vá me abandonar. Talvez essa garota de cabelo ruivo-cereja seja a única que fique. Eu acredito no destino, na maior parte do tempo. "Você sempre assusta as pessoas assim?" ela pergunta, tirando-me dos meus pensamentos. "Assim como?" Ela não faz ideia de como sou perigoso. E é aí que a realidade me atinge. Já vi homens da organização do Enzo quase perderem as mulheres que amam. Eu vi como isso os destrói. Caramba, eu vi como a morte da minha mãe destruiu o meu pai. "Lá dentro. Todo mundo se mexeu quando você passou. Como se estivessem com medo de respirar errado na sua frente. Foi a mesma coisa do lado de fora do Dusty's naquela manhã." Ergo uma sobrancelha. Na cafeteria? Ela já me viu por aí. Como diabos eu não a vi? "Cidade pequena", dou de ombros, tentando minimizar a situação. "As pessoas se conhecem." "Não foi o que pareceu." Eu me encosto na parede. - E como pareceu? O olhar dela se desloca lentamente sobre mim. E acho que ela gosta do que vê. "Como se você fosse algum tipo de líder por aqui." Minha boca se contrai. "E você ainda me seguiu até aqui? Você é corajosa." Ela ergue o queixo. "Talvez. Ou, talvez, eu esteja intrigada." O silêncio se estende entre nós. "Você dança como se estivesse tentando começar uma briga", murmuro. "Com quem? Não quero causar nenhum problema. Sou nova aqui, lembra?" "Com todos os caras daquele bar." Ela franze as sobrancelhas ao fazer uma careta. "Os caras daqui querem brigar comigo?" Soltei uma risadinha. Acho que ela não percebe o quanto é de tirar o fôlego. é. "Não. Vou nocautear qualquer um que sequer olhe para você do de um jeito errado." Seus lindos lábios se abrem e ela respira fundo. Um sorriso lento curva sua boca. "Mas você não fez isso. Você foi embora? Você poderia ter dançado comigo." Minha mandíbula se contrai. Porque, sim. Vê-la se mexer daquele jeito faz com que seja muito difícil não imaginá-la se mexendo debaixo de mim. Meu olhar se fixa na boca dela por tempo demais. "Eu me afastei porque você não precisa se envolver com gente como eu. Pode confiar em mim." Ela inclina a cabeça, como se estivesse me avaliando. Eu gosto disso. "Você não dá muito em cima, né?" Ela pergunta com delicadeza. "Não é minha praia." Dou de ombros. "Por que não?" ela pergunta, contendo um sorriso. "Sou um homem ocupado." "Ocupado como?" Ela não desiste. Está um calor infernal. "Criando meu filho. Administrar uma fazenda. Fazendo coisas ruins", respondo. A surpresa se espalha pelo rosto dela. "Você tem um filho?" "Tenho." Algo se suaviza em sua expressão. E isso deveria encerrar a conversa. Ser pai solteiro significa que não posso namorar qualquer pessoa. Preciso namorar alguém que seja seguro para o meu filho. Alguém que também vai amá-lo. Em vez disso, ela se aproxima.   Perto o suficiente para que sua coxa roce na minha. Perto o suficiente para que eu sinta a respiração dela no meu pescoço. "Você não parece ser do tipo que se casa, está com a mãe dele?" - ela murmura. "Você também não. E, com certeza, não." A verdade é que eu me casaria. Consigo me imaginar envelhecendo ao lado de alguém que ame meu filho como se fosse seu. Uma mulher que enxergue a beleza do meu rancho. Que não tenha medo do quanto sou possessivo com as pessoas que amo. Alguém que me ajudaria a transformar a fazenda em algo que nossos filhos um dia administrariam. Mas vejo mais do que ela imagina. Vejo a confiança que ela usa como uma armadura. Vejo a maneira como seu corpo se aproxima, mesmo enquanto sua boca mantém a bravata. Ela luta contra o controle. Mas ela quer alguém forte o suficiente para tirá-lo dela por um tempo. Para mostrar a ela como é se deixar levar. Para mostrar a ela o que realmente significa montar um cowboy. Minha mão se levanta sem permissão, tirando uma mecha de cabelo do ombro dela. Macio pra caramba. A respiração dela vacila. E ela não se afasta. "Você deveria voltar para dentro", digo a ela. "Por quê?" ela pergunta, piscando os cílios. "Porque você está brincando com algo que não entende." - E você não está? Ela retruca, os olhos brilhando em desafio. Isso me atinge mais do que deveria. Porque a verdade é que não sinto essa atração por alguém há anos. Se é que já senti. Nem mesmo com a Ashley, a mãe do Wyatt. Nunca foi um relacionamento de amor de verdade. Era uma necessidade. Mas com essa garota, é como se a gravidade tivesse mudado. Como se meu corpo tivesse tomado a decisão antes que meu cérebro pudesse argumentar. Coloco o cigarro nos lábios dela, e ela dá uma tragada, sem desviar o olhar dessa vez. E preciso de toda a minha força de vontade para não virar ela e possuir ela contra esta maldita parede. Estou desesperado para ser aquele cigarro. Ela sopra a fumaça bem no meu rosto, e eu inspiro, aproximando-me um pouco mais. "Volta pra dentro, vaga-lume." Ela não se mexe. Em vez disso, seus dedos se prendem levemente na alça do meu cinto, impedindo que eu me afaste. Todos os músculos do meu corpo ficam tensos. Caramba, eu a quero. "É você que está me dizendo para ficar longe", ela diz suavemente. "Mas você não vai a lugar nenhum." Ela está certa. E isso me assusta pra caramba. Fecho a mão em volta do pulso dela, sem empurrá-la para longe. Apenas a seguro ali. Porque ela está fazendo minha mente dar defeito, e não sei bem como reagir. "Para uma garota inteligente", sussurro perto do ouvido dela, "você é muito r**m em ouvir." A respiração dela treme e, por um longo segundo, nenhum de nós se mexe. Então, algo muda na expressão dela, como se ela se lembrasse de quem é. A confiança volta ao lugar, e ela se afasta devagar. "Bom", ela diz com leveza, "acho que somos dois, então." Ela se vira, depois para e olha para trás. E algo verdadeiro escapa. "Lola", ela deixa escapar. "Meu nome é Lola." Sem querer, um sorriso se forma na minha boca. Lola quer que eu me lembre dela. E não há a menor chance de eu conseguir esquecê-la. Ela me manda um beijo enquanto caminha de costas em direção ao bar. "Talvez eu te veja por aí", ela diz. te vejo por aí", ela grita. "Mas não conte com isso." Os olhos dela brilham em desafio. "Não sou o tipo de mulher que deixa passar a mesma oportunidade duas vezes." Confiante. E tão gostosa que fico com o p*u meio duro. Ela se vira e desaparece lá dentro. E eu fico ali, no ar fresco da noite, muito depois de a porta se fechar. Porque algo me diz que, mesmo que os vagalumes tenham uma vida curta, eles ainda brilham intensamente. E não tenho certeza se posso deixar este aqui se apagar na noite sem saber como seria, mesmo que apenas por uma noite, ficar sob a sua chama. Eu poderia me permitir ser livre de novo. Ser o Hunter. Não o cara em quem todo mundo confia. Mas o homem que ela vê. Que poderia fazê-la gritar meu nome e gozar com tanta intensidade que ela esqueceria o próprio nome. Merda. Lola. Lola. Lola.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR