Eu m*l consegui dormir a noite inteira, pensando na noite anterior e isso me trouxe tantas lembranças indesejadas ao ver Klaus novamente. Pela manhã eu não estava com sono. Já havia dormido demais durante esses séculos e eu precisava aproveitar cada minuto do meu dia e não desperdiçá-los com qualquer coisa.
Fui até o guarda roupa da dona da casa que agora estava desmaiada no tapete da sala, e peguei um vestido preto. As roupas dessas época são tão expostas que é difícil me acostumar. Me sinto desconfortável.
Fui até o Rousseau para encontrar com Kai e sentei em frente ao balcão, esperando por ele. Vi uma mulher loira servindo bebidas sem me notar e reconheci ela da festa de Klaus, ela estava ao lado dele, como se fosse algo muito mais do que apenas amiga ou convidada.
— Oi — falei, chamando a atenção dela. — Acho que te conheço.
Ela fechou e abriu a boca várias vezes, com receio em falar alguma coisa.
— Eu estava na festa dos Mikaelson — ela disse, tomando um olhar sério.
— Sim, vi você com o Klaus — revirei os olhos ao falar. — Mas não nos apresentamos formalmente — estendi a mão para ela —, eu sou Mary Stuart.
— Camille O'connell. — Deu um meio sorriso sem mostrar os dentes, com o cenho franzido.
— Não precisa ter medo. — Balançei a cabeça rindo. — Eu só cobro a vida de quem me deve.
Kai chegou nesse exato momento e sentou ao meu lado. Ele sorriu para mim e olhou para Cami com um olhar curioso.
— Fiquei sabendo que é o novo bichinho de estimação do Klaus — ele disse, olhando Cami.
— Eu não sou nenhum bichinho — ela respondeu com firmeza.
— Você é corajosa, Camille.
— Pare de atormentá-la, Kai — parei ele, vendo o incômodo de Cami.
— Eu vou querer um bourbon — falou, acabando com as piadas, mas ainda a desafiando com um olhar.
Cami colocou a bebida em um copo e entregou a Kai, evitando olhar em seus olhos, então foi atender outras pessoas.
— Por que defendeu ela? — Kai perguntou, tomando um gole de sua bebida. — Ela está com o Klaus. No lugar em que você deveria estar.
— Eu estou aonde deveria estar. — Dei de ombros. — Ela não tem culpa se está com o Klaus ou não, e ela parece ser uma pessoa legal. Quem é você para julgar alguém só porque ela está com outra pessoa? Se ela quis e ele também quis, ninguém tem nada a ver com isso.
— Você é real? Algumas mulheres estariam arrancando os cabelos por isso.
— Algumas mulheres são hipócritas e ainda tem pensamentos machistas. Eu não sou alguma dessas mulheres.
Ele deu de ombros, como se não se importasse. Mesmo vindo de séculos passados, eu nunca vi outras mulheres como minhas inimigas.
— Qual o plano? — Questionei, mudando de assunto.
— Como todos sabem, eu matei meus irmãos e eles foram pra um inferno pessoal que criaram para mim, e cuidei especialmente para que eles sentissem minha vingança mesmo depois de mortos. No mundo prisão eles têm que reviver o mesmo dia de Mystic Falls séculos atrás, antes de terem queimado a placa da cidade e a placa é feita de carvalho branco, a mesma que mata um original.
— E seu plano é morrer para pegar a placa? — Ergui as sobrancelhas. — Não vai funcionar.
— Tenho bruxas trabalhando comigo para me trazer de volta.
— Não é essa a questão. Você não vai conseguir m***r o Klaus e a família dele com só uma adaga. Ele é muito forte e não me leve a m*l, mas um herege não é suficiente para esse feito.
— Não sou eu quem vai sujar as mãos. — Ele deu de ombros. — Trarei Esther Mikaelson comigo e ela vai ligar todos os filhos enquanto Mikael mata o Klaus, consequentemente a todos eles.
— A Esther vai tentar me m***r, Kai — falei, lembrando de como ela ficou contra mim e mandou Klaus me m***r.
— Não, ela não vai. Eu vou ter a vida dos dois na minha mão e eles farão o que eu mandar.
— Não vai dar certo — repeti, convencida disso.
— E qual o seu plano, então? Achou que — continuou quando eu não falei nada — iria chegar aqui, arrancar o coração do Klaus e puff — gesticulou com as mãos — ele morreria e você teria seu tão sonhado acerto de contas?
— Bom, não, mas...
— É por isso que todos sentem medo quando escutam meu nome — me interrompeu com um sorriso. — Meus planos nunca falham e eu sempre consigo o que eu quero, morra quem morrer.
A porta do bar foi aberta com força e a madeira da porta rangeu. Me virei e vi um homem com mais dois atrás de si. Ele me encarou até chegar em frente ao balcão e Cami foi até ele. Observei com o canto do olho os dois conversarem com certa i********e e ela apontou discretamente para nós com a cabeça.
— Ela disse alguma coisa — falei a Kai, me voltando a ele novamente.
— Somos a atração da cidade agora. Ameaçamos a vida e a família do híbrido original. Mas ele é importante — apontou com o dedo indicador para o homem —, ele é Marcel Gerard, adotado do Klaus e ex rei da cidade.
— Uma vez rei, sempre rei — Marcel escutou e veio até nós com um copo na mão. — Meu nome é Marcel, mas já sabem disso.
— Eu sou Kai Parker e essa é Mary Stuart — Kai revelou.
Eu observava os dois em silêncio, analisando o tal de Marcel. Aparentemente, o olhar dele demonstrava interesse, maldade mas no fundo eu podia ver que ele não queria ser daquela forma.
— O que acha? — Kai perguntou, estalando seus dedos na frente do meu rosto.
— O quê? — Tirei os olhos de Marcel e o olhei.
— Ele diz que quer a cidade de volta e quer acabar com o Klaus por ter tirado sua coroa.
— Eu tenho um exército de vampiros e uma bruxa poderosa ao meu lado — disse Marcel.
— Não — respondi. — Posso ver nos seus olhos que não odeia o Klaus e que quando ele precisar, você vai estar lá.
— O Klaus tirou tudo de mim — ele disse com convicção. — Eu sou quem mais quer se vingar dele.
— Diz isso porque não teve seu coração literalmente nas mãos dele. Bom, não queremos sua ajuda.
— Está dentro — Kai ignorou minha resposta.
— O quê? Eu disse não, Kai.
— Eu eu escolhi não escutar.
— Tudo bem. — Cruzei os braços. — Quer minha ajuda? Então a Aurora vai nos ajudar também ou acabou. Nós sabemos que vocês dois não conseguem sozinhos.
Kai ficou em silêncio, mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça pensativo.
— Está certo — concordou. — Mas que fique claro que eu ainda sou o líder aqui.
— Líder, Kai, é sério? — Revirei os olhos. — Você tem quantos anos?
Deixei ele rindo e sai em velocidade de vampira até a casa de Aurora para contar as novidades.