09

1119 Palavras
Kai me levou até uma casa afastada da cidade, parecia abandonada há muito tempo. As madeiras estavam velhas e o chão rangia com o peso dos passos. Ele estava jogando uma bolinha irritante contra a parede por minutos sem dizer nada, apenas testando minha paciência para ver até onde eu iria aguentar. — Chega! — Peguei a bolinha de borracha e joguei pela janela quebrada. — Me trouxe aqui por quê? — Quero que deixe aquela tal Aurora e se junte a mim — respondeu como se fosse óbvio, relaxando os ombros na cadeira de madeira. — E por que eu faria isso? — Você só está nesse século há alguns dias e não sabe nada sobre as pessoas daqui. Confiar cegamente em uma mulher que assim como você foi traída pelo Klaus é um tiro no próprio pé. Se fosse inteligente, saberia disso. — A Aurora mais que ninguém me entende. — Você quer poder e vingança, isso é óbvio, mas só uma das duas poderá ocupar o lugar de rainha de Nova Orleans. — Ele me olhou, mordendo o lábio inferior. — Sabemos que não será você e eu posso te dar isso se me ajudar a conseguir o que eu quero. — O que você quer? — Quero a magia da Freya e a imortalidade do Klaus. — Se eu aceitar, como você vai conseguir isso? — Eu vou trazer Esther de volta à vida e ela vai ligar todos os filhos, eu vou sugar a magia de cada um e então você mata todos com a estaca de carvalho branco. — Não existe mais carvalho branco. — Você realmente não me conhece. — Ele balançou a cabeça negativamente. — Eu consigo tudo o que eu quero. — Seu plano é vago demais. Não vai conseguir trazer a Esther e muito menos a estaca de carvalho branco. — Quando eu conseguir, não seria melhor estar ao meu lado? — Ele falou se levantando e veio até mim. Quando não respondi, ele continuou: — Pense bem, Mary. Você ainda é muito ingênua, não sabe das várias falhas da natureza e não conhece o verdadeiro m*l dentro de si. — Eu conheço verdadeiro m*l. — Soltei o ar ao sentir as mãos dele sobre a pele nua dos meus ombros. — Posso dizer com certeza que não sou ingênua e que não vou ter piedade nenhuma. — Eu acredito nisso — concordou. — Eu sei que a Aurora te trouxe de volta à vida e que você está em um romance com o Lucien, mas faça as contas, eu sou bem mais poderoso que esses vampiros juntos. — Não posso me juntar a você e deixar ela. Eu prometi a Aurora que a ajudaria acabar com o Klaus. — Promessas são quebradas facilmente a todo momento. Fiquei em silêncio e pensei em qual dos lados seria mais vantajoso. Uma guerra estava começando e com certeza a família original era mais forte que eles e se eu fosse jogar esse jogo, teria que ser em meu próprio time. — Tudo bem, eu aceito — falei, me virando para ele. — Fez a melhor escolha — sorriu, satisfeito com a resposta. — E quanto a Aurora? — Você pode só fingir que vai ajudá-la, porque você está do meu lado agora. — O que em mim te atraiu? — Conhece o ditado: não existe nada pior que uma mulher com sede de vingança. — Agora, se não se importar, vou ir para a minha casa descansar. Essa noite não foi como eu esperava e tive muitas surpresas por hoje — anunciei, me dirigindo até a porta sem esperar por resposta. — Não faz nem uma semana que está viva e tem uma casa? — Kai me seguiu. — Tenho, sim. — Me virei e o encarei. — E mesmo que não tivesse, eu não iria dormir no mesmo espaço que um psicopata. — Quem te disse que eu sou psicopata? — Se fez de ofendido. — Todo mundo, literalmente. Os ancestrais também falam. — Essas bruxas velhas adoram cuidar da vida dos outros. — Balançou a cabeça negativamente. — Então quer dizer que você tem medo de mim? — Seria uma piada ter medo de você. — O olhei de cima a baixo. — Não sou capaz de sentir medo do híbrido original, por que iria ter medo de um herege? — Eu matei minha família, aterrorizei Mystic Falls e você não sabe do que eu sou capaz. — Você também não sabe do que eu sou capaz, Kai. Não teste meu poder e não tente minha fúria. — Entendi porque o Klaus gostou de você. — Sorriu de lado. — Entendeu também que ele me traiu e agora eu quero a cabeça dele em uma bandeja aos meus pés? — E vai ter isso — confirmou com convicção. — Me encontre amanhã no Rousseau e iniciaremos o plano. Balançei a cabeça positivamente e sai em velocidade de vampira. É fácil demais o Kai pedir a minha ajuda e ter tanta certeza de que eu vou ajudá-lo e deixar Aurora de lado. Não sou alguém tão poderosa contra o Klaus, além dos séculos de ódio que nutri por ele, mas mesmo assim Aurora e Kai me querem em seus planos, sem nenhuma garantia de vitória e sinto que um dos lados está tentando me enganar para me usar, e suponho que seja o Kai. Cheguei em uma casa afastada do centro da cidade e bati na porta. É verdade que eu não tinha uma casa, mas isso não me impediria de conseguir uma. Meu irmão estava com as bruxas no cemitério e eu não poderia ultrapassar por ser território sagrado e também não queria depender de Aurora. Já bastava a dívida que eu tinha com ela, não poderia colocar mais coisas na minha conta. Uma mulher abriu a porta e fez uma cara confusa quando me viu parada em sua porta com vestido de baile. — Oi? — Ela disse. — Oi — sorri sem mostrar os dentes —, meu nome é Mary e você vai me convidar para entrar agora — usei hipnose com ela. — Tudo bem, entre — ela falou, mantendo o sorriso no rosto. Entrei na casa e, por sorte, ela estava sozinha e isso me daria liberdade para fazer qualquer coisa sem que me impedissem. — Você não vai gritar e nem tentar correr. — Me aproximei dela e olhei em seus olhos. — Eu preciso me alimentar e não será rápido, mas não vai doer. Você nem vai sentir. Ela ficou em silêncio, me encarando e afastei os cabelos dela de seu pescoço. Sem pensar duas vezes cravei minhas presas em seu pescoço.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR