08

1671 Palavras
Acordei com o sol forte e leve brisa da manhã soprando em meu rosto, causando arrepios por todo meu corpo. Abri os olhos lentamente e encarei o teto e sorri, feliz por sentir o ar em meus pulmões outra vez e não ter mais que aguentar dia após dia a dor agonizante de se estar literalmente no inferno, só que sem os tridentes e o d***o de fato. O demônio no qual me assombrava era o Klaus. Peguei o celular que Aurora me deu e tentei mexer nele, mas são tantas aplicações e com um toque tudo muda, até que decidi desistir de tentar entender os aparelhos eletrônicos dessa época e me concentrei em algo melhor. Me sentei na frente do espelho e fechei os olhos com calma, recitando um antigo feitiço de família. Como um dia eu já havia sido bruxa, a magia corre em minhas veias e feitiços só são possíveis agora com magia obscura. E magia obscura pode consumir qualquer um, mas é bem melhor do que não poder fazer nada. Quando abri os olhos novamente, uma mão estava marcada no espelho com um líquido pegajoso preto escorrendo. Passei o dedo indicador sobre o líquido, sentindo sua textura conhecida por mim, coincidentemente igual ao líquido que me afundava na escuridão enquanto eu estava morta. Me assustei com batidas na porta e encarei a mesma, desconfiada de quem seria. — Entra — falei. Lucien abriu a porta e colocou a cabeça para dentro do quarto, sorrindo, então entrou e se aproximou. Voltei meu olhar ao espelho, mas a marca havia sumido, como se nunca houvesse estado ali. — Está preocupada? — Ele perguntou, colocando as mãos sobre meus ombros. — Não, é só que... — Minha voz falhou e soltei um suspiro. — Esquece. — Olhei para ele sorrindo. — O que eu fiz para receber essa visita? — Olha, tem muitas coisas que eu poderia fazer uma lista, mas por ora vou dizer apenas que queria te ver. — Me tire uma dúvida — me levantei e fiquei próximo a ele, olhando em seus olhos —, você é mesmo legal assim ou eu sou privilegiada? — Eu não sou nem um pouco legal, então você é previlegiada, sim. Mas eu posso fazer mais para provar o quanto sou legal. — Como o quê? Sem responder minha pergunta, colocou a mão em minha cintura e me puxou para si, encostando sua bochecha na minha e beijando meu pescoço. Pensei em me afastar, mas não queria e tive que me segurar para não soltar um suspiro. Ele me lembrava o Klaus. — E posso fazer muito mais — concluiu, sorrindo sem mostrar os dentes. — Talvez um dia possa me mostrar tudo o que sabe fazer — sorri também —, mas agora preciso que você saia para eu começar a me arrumar. Nada pode dar errado essa noite. — E não vai. — Foi até a porta, piscando para mim antes de sair. Tomei um banho e tentei esquecer o calafrio que aquele líquido preto me causava, e ignorei esses pensamentos quando a água quente caiu sobre meu corpo. (•••) O fim da tarde já dava indícios da noite quente de verão que viria e o mesmo nervosismo só aumentava. Não é só sobre todos saberem que eu estou viva, é também sobre rever Klaus após tantos séculos e sentir o coração doer novamente, mesmo que não bata mais. Coloquei o vestido vermelho que coube perfeitamente em meu corpo e prendi o cabelo para que ele não me atrapalhasse. Me certifique no final para estar com uma imagem impecável, assim como minha mãe gostava que eu estivesse. Como a próxima líder do clã Stuart, título no qual ela fazia tanta questão. — Está pronta? — Aurora entrou em meu quarto com seu vestido verde esmeralda. — Quase. — Passei um batom vermelho escarlate nos lábios. — Agora sim. — Nossa, você está linda — ela expôs, me examinando dos pés a cabeça. — Você também está linda. — Sorri. — Vamos? Entrei no carro e sentei ao lado de Lucien, que me encarou por alguns segundos. — Se não quiser que eu me apaixone, não pode ficar tão linda assim — ele sussurrou, próximo ao meu ouvido. Sorri ao sentir um arrepio na nuca e olhei para ele, com a cabeça inclinada. — O objetivo é fazer você se apaixonar — sussurrei perto de seu rosto, me afastando lentamente. Em alguns minutos, o carro parou em frente ao Quartel Francês que estava todo iluminando, com pessoas entrando e saindo. Senti um frio na barriga ao sair do carro e ver Rebekah no segundo andar com uma mulher. Ela nem me viu, mas lembrei cada segundo da noite em que ela ficou contra mim e apoiou o irmão. Segurei o braço de Lucien e entrei, respirando fundo para controlar a ansiedade. Ao longe avistei Elijah com Kol. Ao me verem, ficaram paralisados e não tiraram os olhos de mim, como se não acreditassem no fantasma que viam. — Que o show comece — Aurora falou, sorrindo. Ergui a cabeça e sorri, vendo Elijah parar a música e atrair a atenção de todos. — O que está fazendo, Elijah? — Ouvi a voz de Klaus. — Irmão... — Por que parou a música? — Passei entre as pessoas, ficando frente a frente com Klaus. — Agora que a festa estava ficando boa. Ele me encarou boquiaberto, deixando a taça de bebida cair e arregalou os olhos. — Mary? — Ele perguntou baixo, ainda sem acreditar. — Em carne e osso, muito bem conservada mesmo após tantos séculos — respondi, em tom irônico. — Ainda lembra de como eu era, Klaus? — O que está acontecendo aqui? — A mulher que estava com Rebekah apareceu na escada, seguida de Rebekah que teve a mesma reação dos irmãos. — Quem é essa, pai? — Uma adolescente perguntou. — Mary Stuart — respondi a ela ainda mantendo o sorriso. — Essa não é aquela que meu pai... — Arrancou o coração fora? — Interrompi ela, completando a frase. — Sim. — Isso é algum tipo de brincadeira? — Klaus questionou com voz alta para que todos escutassem. Olhei em volta, vendo se alguém iria responder, mas ninguém se pronunciou, então voltei meu olhar a ele. — É bom saber que construiu um lar, formou uma família. Já alguns de nós não tiveram essa oportunidade... — Como você está aqui? — Elijah me interrompeu. — Bom, eu estava morta, obviamente, mas aí Aurora — olhei para ela que sorriu —, me trouxe de volta à vida e eu vim de carro até aqui. Esse novo século é tão evoluído. Lembra quando usávamos carruagem para ir de um lugar a outro? — E eu quero dizer que o Klaus foi um i****a ao m***r a Mary. — Lucien colocou a mão em minha cintura, me puxando para si. — Tenho certeza que se arrepende agora, não é? — O que vocês querem aqui? — Rebekah perguntou, se juntando aos irmãos. — Eu quero muitas coisas, mas no momento eu quero a sua cabeça em uma bandeja de prata — respondi, me aproximando com ódio nos olhos. Um estrondo ecoou pelo salão, fazendo todos se assustarem com o barulho e as luzes queimando uma por uma. O ambiente inteiro ficou escuro, eu nem consegui visualizar Rebekah em minha frente. Dei alguns passos para trás, tentando achar Aurora, mas esbarrei em alguém que deu uma risada alta, segurando meus braços sem força. Deduzi que seria Lucien, então não me separei dele. — Eu vou arrancar as mãos de quem está fazendo isso!! — Klaus gritou com raiva entre os gritos e a correria. — Isso vale para você Mary!! — Eu adoraria ter algo mais além do meu coração arrancado por você, Klaus — respondi irônica. — Porém tenho que informar que não sou eu. De qualquer forma, tudo bem. É mais fácil te atingir no escuro. Tentei correr em direção a voz de Klaus, mas os braços que me seguravam me forçaram a ficar no lugar. — O que é isso? — Questionei, tentando empurrar a pessoa. — Quem é você? — O que foi, Mary? — Aurora perguntou. — Eu não sei, tem alguém... — Kai Parker, é o que você quer dizer — a pessoa anunciou próxima a mim, soltando os meus braços. — Phasmatos incendia!! — Gritou, acendendo as velas e deixando o ambiente com uma luz fraca. Olhei para ele confusa sobre quem seria Kai Parker e ele sorriu para mim como se aquilo explicasse. — Kai Parker de Mystic Falls? — Klaus perguntou confuso. — Aquele que colocou a insuportável da Elena para dormir e ligou a vida dela a da Bonnie... — E que teve a cabeça arrancada por Damon Salvatore — Klaus completou. — Isso foi uma fase passageira. — Ele apontou para a filha de Klaus. — Essa é a sua filha? Bem mais bonita que você. Puxou a mãe, obviamente. — Por que você está aqui? — Questionei, sem paciência por ele ter me interrompido. — No seu rosto eu vejo medo e raiva — Kai falou, colocando a ponta do dedo em meu nariz e tirando rapidamente. — Deixa eu adivinhar o porquê... — Cala a boca! — Empurrei os ombros dele com força. — Se ninguém me responder o que está acontecendo aqui em cinco segundos, eu vou arrancar a cabeça de cada um de vocês sem piedade! — Klaus gritou sem paciência, se aproximando com os punhos fechados. Kai segurou minha mão e me tirou dali em velocidade de vampiro, me levando para uma ponte deserta. — O que pensa que está fazendo? — Perguntei, sentindo minhas presas surgirem. — Klaus iria te m***r e você não teria nem chance de impedir isso — respondeu, sem interesse. — Se quer se vingar do Klaus tem que fazer direito e eu entendo disso. Eu tenho boa fama em Mystic Falls.
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