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1078 Palavras
Não consegui tirar da cabeça tudo o que James me disse sobre a profecia, mas também não deveria acreditar nas bruxas, por experiência própria. Eu também não queria morrer agora que voltei a vida sem poder desfrutar da minha vingança, em um mundo que o Klaus não tenha mais poder para machucar os outros. Voltei ao Rousseau e por sorte Marcel e Kai já haviam ido embora. O bar estava vazio, só estava eu e mais duas pessoas naquele fim de tarde. — Posso me sentar? — Cami veio até mim e apontou para a cadeira em minha frente, com receio. Pensei por alguns segundos, mas por fim, concordei. — O que você quer? — Perguntei, tomando mais um gole da garrafa de whisky. — Estou estudando psicologia, acho que seria legal conversar com você um pouco. — Acha que eu preciso de ajuda? — Eu acho que depois de tudo que você passou, seria bom conversar com alguém. — Não me entenda m*l, Cami, mas se eu quisesse conversar certamente não seria com você. — Tudo bem, já percebi que não tem a menor intenção de ser simpática. — Mas eu sou simpática — me fiz de desentendida. — Se esse é o seu jeito de demonstrar simpatia, está falhando. — Você acha que eu não sei que é amiguinha do Elijah e namorada do Klaus e está fazendo isso a pedido deles? — Questionei, olhando em seus olhos. — Não estou fazendo isso porque eles pediram. — Negou com a cabeça. — Eu passei mil anos morta, trancada em uma tumba e agora que estou aqui sou a vilã da história? — Me levantei, me aproximando dela e enrolei uma mecha de seus cabelos loiros entre os dedos. — Você achou que eu revelaria tudo a você? — Me aproximei de seu rosto, sentindo seus batimentos cardíacos acelerarem. — Por acaso já viu alguma vilã burra? — Eu não disse que você era vilã. — Tentou se afastar de mim. — Mas pensou, e todos estão cada vez mais influenciados pelo Klaus. — Me afastei dela e voltei ao meu lugar novamente. — Eles são meus amigos. — Cuidado com as amizades, não é só o amor que machuca. — Forcei um sorriso. — Me desculpe seu passei alguma imagem errada. Eu só estou tentando dizer que eu não preciso de psicóloga, muito menos de alguém que me faça mostrar o meu pior lado, porque eu não tenho um. — Soltei o ar que segurava. — Qual o meu diagnóstico? Ela ficou em silêncio, me encarando com as sobrancelhas franzidas. — Então? — Falei quando ela não disse nada. — Você tem problemas com raiva — respondeu, sem tirar os olhos de mim. — Eu sei. — Balançei a cabeça positivamente, tomando mais do whisky. — Mas eu nem sempre fui assim, sabe, eu era uma pessoa boa antes de tudo. — Você está bêbada — concluiu, vendo as outras duas garrafas vazias sob a mesa. — Sei disso também. — Sorri, sentindo as lágrimas se formarem nos cantos dos olhos. — Por que está fazendo isso, Mary? — Perguntou com voz suave, apoiando os braços na mesa e me examinado com cuidado. — Eu não sei. — Dei de ombros. — Eu sinto um vazio em mim e quero preenchê-lo, mas só posso ficar em paz quando eu tiver minha vingança. — Vingança não serve para nada. — Sei que você é boa, Cami. É por isso que estou te contando essas coisas, não aguento mais segurar isso. — Pode conversar comigo — ela respondeu, segurando minha mão em cima da mesa. — Eu amava o Klaus, muito mesmo, mas ele não acreditou em mim, ninguém nunca acredita, só meu irmão sempre ficou ao meu lado. — Limpei uma lágrima que escorreu com a palma da mão. — Eu achava que ele me amava e ele me matou como se não fosse nada, como se eu não fosse nada. Acho que agora eu só quero sentir que estar viva novamente não seja em vão. Você acha que é errado querer que ele pague pelo o que fez comigo? Cami não respondeu. Ela não queria dizer qualquer coisa contra Klaus, mas também não discordou. — Eu acho que você está viva não por acaso e não pode desperdiçar sua vida. — Eu sei. — Sorri, achando que ironicamente estou desperdiçando minha vida por uma vingança que pode me m***r. — Eu quero fazer muita coisa ainda, quero ir para Paris, subir na Torre Eiffel e observar a cidade inteira lá de cima, quero adotar um gato e... — minha voz falhou por falta de ar. — Você pode fazer isso. Pode fazer tudo o que tem vontade. — E como fica a minha vingança? — Ela vale tanto assim para não viver? — Olha, você combina com o meu irmão, sempre querendo ver o lado bom das pessoas. — Acho melhor você parar de beber agora. — Tirou a garrafa pela metade da minha mão. — Não quer revelar todo seu plano para mim, quer? — Não. — Sorri sem mostrar os dentes, concordando. — Então pare de chorar. — Se levantou e me olhou. — Você está viva agora e certamente mais bonita e inteligente do que era séculos atrás. Pare de lamentar a sua a morte, todos nós já escutamos essa história. Pare de reclamar e tente curar suas feridas. — Você é corajosa — falei, com a cabeça apoiada na mão. — Sabe, Cami, se você não fosse tão próxima dos Mikaelson, poderíamos até ser amigas. Quando eu ainda ainda bruxa, você com certeza seria o tipo de pessoa com quem eu dividiria segredos. — Por que não podemos? Eu não vou dizer nada do que me disse hoje a eles. Eles não precisam saber de nada. — Por quê? — Não acho que está errada, mas também não está certa. — Deu de ombros. — Eu gosto muito deles, é só que tudo que você faz volta um dia e não quero me meter nessa guerra de vampiros e bruxas. Sorri sem mostrar os dentes e me levantei, seguindo até a porta. — Fez a escolha certa — falei. — Ou eu teria que cortar sua garganta e beber seu sangue. — Está brincando, não é? — Franziu o cenho com um susto. — Quem sabe? Sai do bar e o céu já estava escuro e vários turistas passeavam pela rua movimentada.
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