Pré-visualização gratuita cap 01 quero distância
Estrella
Vou falar pra tu, ninguém nunca me disse que seria fácil, mas essa labuta toda só Jesus mesmo pra me manter em pé.
Eu amo meu trabalho de todo coração. Conquistei meu cantinho há uns anos atrás, algo que sempre foi meu sonho. Batalhei demais pra ter ele, e não vai ser agora que vou desistir.
O " Estrella Flores" é a minha floricultura, que fica bem em frente à praia de Copacabana. Vendo todos os tipos de flores que você imaginar. Felizmente tenho muita clientela fiel e, graças a elas, consigo me manter bem e, o mais importante, pagar o aluguel do espaço, que não é nada barato.
Hoje é sexta-feira, um daqueles dias de muita correria e muitas entregas pra fazer. Eu mesma faço as entregas com a minha Scooter guerreira; se não fosse por ela, eu tava lascada.
Estrella: Bom dia, bicha mais linda desse Rio!!!! – Digo animada, entrando no meu estabelecimento onde Rô, meu melhor amigo, trabalha junto comigo me ajudando no caixa.
Rô: Bom diaaaaaaaa, minha bela, gata mais gostosa e bunduda desse Hell de Janeiro!!! – Dou risada do apelido que ele me deu e corro pra abraçá-lo. Rô foi uma das melhores coisas que me aconteceu nessa cidade, não seria nada sem ele.
Estrella: Tá tudo bem, meu amor? Muita correria pra hoje, né? Já coloquei algumas encomendas no bagageiro da Scooter, pode me confirmar o endereço de agora?
Rô: Tudo ótimo, Estrellinha. Vou confirmar agora pra onde a senhorita vai... – Enquanto ele checa no notebook, vou até o bebedouro que deixamos disponível para os clientes e pego um pouco de água pra encher minha garrafa. O calorzão daqui não é brincadeira, sempre bom se manter hidratada.
Rô: Por incrível que pareça, hoje a entrega vai ser lá no Vidigal, no endereço da Dona Jô... Estranho, ela vem aqui toda sexta e percebi que parou de vir há umas duas semanas. Será que aconteceu alguma coisa? – Pergunta preocupado, me olhando por cima dos óculos de grau.
Estrella: Eu ia comentar isso contigo, cara. Tava sentindo falta da Dona Jô aqui, e pra ela ter pedido entrega em casa, deve ter acontecido algo com ela. Deus me livre que seja algo grave, eu amo aquela dali como se fosse minha avó de sangue... – Digo melancólica, lembrando da minha primeira cliente que se tornou um brilho imenso nos meus piores dias.
Rô: Vira essa boca pra lá, mona! Deus queira que não seja nada demais! Bom que você vai lá e aproveita pra tomar um cafezinho com o gostoso do Pierre... – A bicha safada faz aquela cara de malícia enquanto abana o rosto. – Eu com um bofe daquele tava feita, passava o mês todo só a base de água e piroca. – Dou uma gargalhada do comentário e jogo um pouco de água nele, que se esconde rapidinho atrás do balcão. – Que isso, cara! Vai estragar meu topete, sua v***a insensível!
Estrella: Se manca, Ronald! Eu quero é distância do Pierre, aquele ali é treta na certa. Mil vezes a minha paz, viu? Só vou porque é a Dona Jô e eu tenho um amor enorme por ela. O único defeito é ter o dito cujo como neto, mas a gente releva, né? – Bufo estressada e peço silenciosamente para o universo que o Pierre não esteja lá quando eu for entregar as flores.
Estrella: Ainda bem que os vapores dele já me conhecem e não vão embaçar minha entrada lá, senão é capaz de eu xingar geral ali mesmo.
Rô: Aí, Estrella, você é a mulher mais burra que eu conheço! O cara só falta babar por você, doidinho pra te passar a piroca e você nem pá pro coitado. Dar uma chance não vai fazer você perder um braço, né? Mona sonsa.
Estrella: Não perco um braço, mas perco a dignidade! E de quebra ainda levo um p*u daquelas putas que juram que um dia vão ser assumidas por ele. Não fode, Rô! Deixa eu na minha, tô com a vida virada do avesso e não preciso mais dessa dor de cabeça pra mim... Tô indo lá, qualquer coisa dá um salve no w******p. Beijo!
Mando um beijo pra ele e confirmo se está tudo certinho no bagageiro. Após isso, dou partida na Scooter e sigo meu caminho até o Vidigal, mais uma vez pedindo ao universo para não encontrar aquele satanás no caminho.