Recklessness

2121 Palavras
O final de semana passou com mais rapidez do que desejava. Não sai do quarto, por mais que Kalel tenha me envia aproximadamente dez mensagens perguntando como que eu estava ou se eu aceitava dar uma volta com ele. Todas foram ignoradas e eu sabia que na hora da aula seria questionada por que o ignorei. Carter não voltou ao meu quarto o que foi uma coisa boa, porém eu sabia que quando ele ficava quieto demais não significa coisas boas pra mim. Minha virilha não doía tanto como os dias anteriores, porém mesmo assim após o banho, cuidei dela com a pomada. As marcas continuavam firmes em meu pescoço e eu sabia que não iria aguentar outro dia com uma blusa de gola alta, e por isso resolvi dar uma chance pra maquiagem. Caprichei e usei todos os meus conhecimentos pra esconder perfeitamente as manchas ao mesmo tempo que torcia pra não sair com o decorrer do dia, mas pensando nisso, separei um cachecol pra usar. Meus planos iniciais era tomar meu café da manhã no refeitório da faculdade ou em alguma cafeteria, porém esconder as marcas em meu pescoço tomaram mais tempo do que eu planejava e mais um dia, adiei meu café da manhã para o final das aulas. Enquanto caminhava em direção a sala de aula, ignorando os olhares que eram direcionados a mim, listava tudo o que eu tinha que fazer até o meu horário de trabalhar no bar: 1° Eu tinha enviado currículos online, mas eu tinha que entregar alguns pessoalmente. O trabalho no bar era ótimo, mas não seria suficiente pra viver a minha vida até a minha formatura daqui alguns meses. 2° Teria que acabar com essa ideia de trabalho em grupo. A áurea do Kalel era demais pra eu aguentar, sem contar que em questão de dias as meninas virão atrás de mim por causa dele. 3° Evitar me encontrar sozinha com o Carter a todo custo. Até o momento era apenas três, mas com o decorrer do dia iria aumentar. Abri as portas e me vi surpreendida pela a sala estar praticamente vazia. Tinha alunos, mas não em comparação aos demais dias da semana, o que deixou visível que a festada na sexta-feira não fora o suficiente e eles continuaram até domingo. Subi as escadas sentando-me na carteira habitual enquanto torcia para que as aulas fossem tranquilas e que Kalel não aparecesse. Quando terminei de pensar a porta fora aberta e entrando perfeitamente bem e sem vestígios de ressaca, Kalel com a alça da mochila em seu ombro e em sua mão uma sacola com comida dentro. Meus olhos o analisaram de cima embaixo, e por um breve segundo, me vi admirando como as coxas dele ficavam marcadas e perfeitamente lindas na calça jeans preta que usava. — Bom dia! — Cumprimentou algumas meninas. — Bom dia! — Bateu na mão dos meninos enquanto eu me via surpresa pela a facilidade dele em conversar com todos tão facilmente assim. — Bom dia Cassy! — Cassy?! — Repeti com uma sobrancelha arqueada ao mesmo tempo que ele se sentava na carteira ao meu lado. — Tem algum outro apelido? — Indagou olhando em meus olhos fixamente e eu neguei. Aquele era o meu primeiro "apelido". — Prefere outro? — Pisquei algumas vezes sem saber o que responder. — Então está decidido, seu apelido será Cassy a partir de hoje! Dei de ombros evitando que meus olhos se revirassem. Passei o final de semana todo pensando e tentando entender o motivo dele estar se aproximando tanto de mim, ele dissera que foi por causa que alguém que ele conhecia passou pela a mesma coisa, mas eu sentia que não era exatamente isso e uma parte neurótica de mim, falava que tinha uma aposta envolvida nisso tudo. — Pra você! — Ele disse tirando-me dos meus pensamentos ao mesmo tempo que ele colocava em minha mesa a sacola que segurava. — Porque? — Indaguei olhando-o fixamente. Seus ombros se moveram para cima, respondendo em silêncio que não um motivo exato em seu ato. "Eu sei que estou magra demais por não comer adequadamente, mas bem que você poderia disfarçar sua pena em suas atitudes...", pensei triste comigo mesmo. — Eu que fiz! — Olhei para o recipiente com um bolo dentro e outro com um sanduíche natural, em seguida olhei pra ele que me observava atentamente enquanto uma mão apoiava a sua cabeça, voltando o olhar para o bolo e o sanduíche. — Hey, isso é maldade! — Começou a rir baixo. — Eu sou ótimo cozinhando! — Você experimentou? — Indaguei e ele olhou pra mim e seguida para os recipientes parando de rir no mesmo instante. — Não... — Exclamou segurando o riso, pois seu os cantos dos seus lábios se ergueram brevemente. — Me dá aqui! — Puxou o bolo e com uma colher de plástico que estava dentro da sacola, ele espetou o bolo pegando uma quantidade, levando aos seus lábios. Meu olhar pairou em seus lábios agora sujos de chantili. Pigarrei baixo umedecendo os lábios e desviando o olhar dos lábios dele enquanto o mesmo saboreava o bolo. — Está até bom... — Murmurou passando a língua nos lábios sensualmente. "Porque estou reparando nisso?", o constrangimento tomou conta de mim. — Experimenta! — Pegou mais uma boa quantia de bolo com a colher e veio em minha direção. — Abre a boca! — Meus olhos se arregalaram ao mesmo tempo que meu rosto corava. — Vamos... Aaaaah! — E-Eu posso fazer isso... — Tentei pegar a colher das suas mãos, mas ele recuou e eu abri a minha boca aceitando a colher com bolo. Se eu não estivesse com muita, mas muita vergonha eu teria concordado que o bolo estava uma delícia. E se o Carter não estivesse olhando toda aquela cena eu teria agradecido em voz alta pelo o esforço de Kalel por fazer o bolo e o sanduíche pra mim. — Estou atrapalhando o casal aí? — A voz fria de Carter surpreendeu Kalel que me olhou assustado antes de se virar para ele. Me faltava palavras pra explicar o que tinha acabado de acontecer e coragem pra olhar nos olhos dele enquanto eu o sentia me encarando fixamente. — Bom dia! — Exclamou Kalel levantando-se, ficando na frente da visão de Carter. Minha respiração estava oscilando, pois eu sabia o que iria acontecer logo em seguida quando ficasse sozinha com Carter. — Vem comigo! — Ignorou-o completamente enquanto inclinava a cabeça pro lado para me encarar. — Agora! — As aulas começam a poucos minutos, então é melhor ela não sair... — O tom brincalhão sumiu rapidamente da voz Kalel e novamente ele fora ignorado. Carter passou por ele e se aproximou de mim segurando o meu pulso fortemente, forçando o meu levantar. Um gemido fora contido de meus lábios enquanto eu deixava com que ele me levantasse e me guiasse. — Não... — Kalel segurou rapidamente o braço de Carter fazendo com que meus olhos se arregalassem olhando pra ele em uma súplica silenciosa para que ele não agisse assim. — Ah... — Riu de maneira anasalada olhando de maneira fria. — Não é assim que aborta uma garota! — Fica. Fora. Disso. — Os alunos presentes tinham parado de fazer o que estavam fazendo para observar a cena que estava acontecendo. — Fica fora disso Kalel! — Exclamei de maneira fria e um pouco desesperada quando vi os lábios do mesmo se abrir para retrucar ao mesmo tempo que suas mãos se fechavam em punho. O olhar que ele me deu foi de surpresa. Ignorei e deixei com que Carter me levasse para fora da sala, sua cabeça moveu de um lado para o outro checando se tinha alunos no corredor e então um tapa fora depositado e meu rosto, fazendo-me cambalear para o lado. Puxei o ar com força enquanto meus olhos marejavam pela a dor do tapa. Minhas mãos apoiaram na parede me mantendo em pé. — Você é uma vagabunda, sabia? — Grunhiu segurando me rosto pelo o queixo com uma força tamanha. — Só eu não basto não? Tem que arrumar outro? — N-Não é o que parece... — Murmurei com dificuldade sentindo as mãos dele saírem do meu queixo tentando pousar em meu pescoço, e por instinto, me afastei e logo me arrependi quando ele me olhou surpreso. — M-Me desculpe! — Me aguarde hoje anoite! — Aquilo fora o suficiente pra me deixar desesperada. Automaticamente minha garganta secou enquanto eu o observava se afastar de mim tranquilamente. Fiquei uns minutos do lado de fora até que criei coragem e voltei para dentro da sala, e como sempre, todos me olharam com expressão de dó e pena. Estava cansada deles e cansada daqueles malditos olhares. Sentei-me em minha carteira ignorando o olhar intenso que Kalel estava me dando. — Isso... — Passou o indicador lentamente pela minha bochecha vermelha. — Ele te bateu? — A raiva era visível em sua voz. — Eu... — Você não vai fazer nada! — Exclamei firmemente olhando para ele. — Não se envolve no que não lhe convém... — Os lábios dele se abriram para falar, mas nada saiu de suas bocas. — Você quer ser meu amigo né? Então porr4, pare de tentar me matar! — M-Me d... — Ergui a mão impedindo-o de continuar a sua fala. — Quer saber de uma coisa? Não fala mais comigo, e coloca na m3rda da sua mente que não quero ser sua amiga nem nada sua... — Seus olhos se arregalaram enquanto eu pegava minha mochila e saia da sala. Escutei-o me chamando, meu nome entrando em um ouvido e saindo no outro. Eu só precisava de um momento sozinha comigo mesmo pra chorar ou raciocinar o que tinha acabado de acontecer. Só conhecia ele por três dias e mesmo assim agi de maneira imprudente como se eu não tivesse um namorado abusivo. Não devia ter deixado ele se aproximar de mim, não devia ter dado brechas pra isso, pois eu sempre iria sofrer fisicamente e mentalmente só porque as pessoas se aproximavam de mim. — Estou cansada dessa vida... — Ofeguei sentindo as lágrimas começarem a descer pelo o meu rosto tanto pela a dor quanto pela a vergonha que tomava conta de cada parte do meu corpo. — Cassy! — A voz de Kalel soou logo atrás de mim fazendo com que eu enxugasse as lágrimas rapidamente. — Meu nome não é esse... — Minha voz soou mais ríspida do que eu desejava. — Casandra! — Ele disse meu nome correto, mas mesmo assim continuei minha caminhada para algum lugar em que eu pudesse chorar, porém não sabia onde iria e não teria privacidade, pois Kalel não desistiu de me seguir. — Eu sinto muito, não queria ter agido daquela maneira... Sei que agi de maneira imprudente, mas eu juro que foi reflexo! — Vendo que eu não iria responder ele acelerou os passos e segurou o meu braço com uma delicadeza que teria sido reconfortante se eu não tivesse associado o gesto ao Carter. Puxei meu braço bruscamente das mãos dele virando-me enfim para o encarar e colocar um fim em suas tentativas de ser meu amigo. — Me responde uma coisa... Você disse que conheceu uma mulher que passou pela a mesma coisa que eu, por acaso você agia da mesma maneira que agiu comigo hoje? — A pergunta o pegou completamente desprevenido. Seus olhos se fixaram em seus tênis ao mesmo tempo que eu obtive a resposta da minha pergunta. — Não né? Você ficou calado, na sua, não é mesmo? — Novamente o silêncio e a resposta. — Faça a mesma coisa comigo! Faça a mesma coisa como todos nessa faculdade! Não tente me ajudar, pois é em vão e não tente se aproximar de mim porque esse... — Apontei para o meu lado do rosto vermelho assim que ele ergueu o olhar. — Vai ser o resultado, além da visita dele em meu quarto e eu não gosto do que acontece quando ele vai me ver, e vai por mim, não queira saber o que acontece todas as vezes que ele vai ao meu quarto! — Seu cenho se franziu na mesma expressão que recebia quando mencionava tudo o que me acontecia. A expressão de pena. — Eu não vou desistir disso tudo! — Ele disse fazendo com que meus olhos se revirassem. — Se quer me matar, puxa o gatilho na minha testa que será mais indolor do que isso tudo que está fazendo... — Virei as costas e segui meu caminho para o único local que me veio na mente. Meu quarto.
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