CAPÍTULO 4

1137 Palavras
Zoe - Vamos tomar banho?, na verdade você né...eu não - puxo o lençol dele e o abençoado está so de cueca ... meu Deus - Meu pai você é pesado, mas também olha o tamanho do monumento, eu coitada com os meus 1,60... to ferrada - falo apoiando o corpo dele no meu corpo - Você precisa de ajuda pra tomar banho? - ele continua quieto... isso ta me estressando - ok você não quer falar , mas faz algum sinal com a cabeça pelo menos... não quero ver você pelado sem necessidade - pensando bem não seria uma má ideia. Ele solta do meu corpo e vai se arrastando um pouco e pega uma cadeira ou seila que é aquilo. - Ata, entendi o recado... estou la fora se precisar - enquanto ele está no banheiro eu aproveito e arrumo a cama dele, observo o quarto e parece que não viu faxina faz dias. Ele sai do banheiro com outra cueca ( onde ele achou esse trem?) e com o cabelo molhado. - Você quer alguma coisa? - ele olha fixamente na direção da porta - Ok acho que entendi o recado, se precisar de alguma coisa me grita ou seila como você se comunica. Desço as escadas e vou pra cozinha. - Iai como foi ? - a moça da cozinha pergunta. - Melhor do que eu imaginava e pior do que eu queria. - Ele falou com você? - Não, conversamos por telepatia... ele não faz nada durante o dia? - Não, na verdade eu não sei... ele fica o dia inteiro naquele quarto, nem pra almoçar ou jantar ele sai... so fica naquele quarto... nem pra arrumar ele deixa ninguém entrar, so dona Veronica, os irmãos dele e os enfermeiros que cuidam dele que tem autorização. - Uau que bizarro. Entro no meu novo quarto e fico olhando pro teto, esperando da a hora do remédio pra voltar la de novo. Depois de contar varios carneirinhos finalmente vou fazer alguma coisa. - Prepara algum lanche pra ele por favor, fazer nada deve da fome. Pego a cesta e vou pro quarto, entro e ele está deitado olhando pro teto. - Hora do seu remédio e eu trouxe lanche - o homem parece uma múmia parada - Senta que você não vai comer deitado - Toma o remédio primeiro - dou o remédio ele enfia na boca, depois dou a água - Porque você não fala em? Eu queria saber sua idade, o que você gosta de fazer, você vai na psicóloga e fica quieto? jogando dinheiro fora né. (...) Fiquei que nem uma maluca subindo e descendo pro bentido comer e tomar remédio. Ja são 10 da noite e é a hora do remédio mais forte dele. - Boa noite, agora é a última vez do dia - dou remédio a água e depois vou deitar. Estou no meu décimo sono e começo a ouvir gritos e coisas quebrando. Levanto doida com a roupa do corpo e subo as escadas e dou de cara com dona Veronica. - O que está acontecendo? - Ele está tendo outra crise. - Sempre acontece isso? - Umas três ou quatro vezes por semana, ele começa a gritar e quebra as coisas - faço menção de entrar no quarto. - Se eu fosse você eu não iria, ele fica muito agressivo - ignoro o que ela fala e entro. Quando eu entro me deparo com ele jogando um vaso na direção da porta, que se eu não desviasse iria ser na minha testa. Observo que o braço dele que estava machucado está sangrando. Abro a porta de novo e desço as escadas, pego meu kit de primeiros socorros e subo de novo... dona Veronica me encara sem entender nada. Abro a porta e ele continua gritando e quebrando as coisas. - Psiu - falo baixo e ele me ignora - Oh sr Levi - mesma coisa de está falando com a parede - DA PRA VOCÊ PARAR E SENTAR ESSA b***a ALI, EU QUERO DORMIR QUE AMANHÃ EU TENHO QUE ACORDAR CEDOOOO - grito e ele se assusta e fica estático me olhando, fiz a pior coisa a se fazer... mas foi sem pensar - Assim está melhor - ele está com um vaso na mão ainda - solta isso - tento puxar e ele está segurando com uma cara que vai me m***r a qualquer momento - Vem ca - puxo ele pra cama, consigo tirar o vaso da mão dele - Você quer um abraço? - eu não sei bem como agir nesses momentos, preciso de ajuda da Zaya... mas são 04:30 da manhã e ela deve está dormindo e babando. Ele não diz nada, mas eu vou e o abraço mesmo assim ... ele fica estático no mesmo lugar. - Você é quietinho de manhã mas de noite é zuadento né? - não sei se humor ajuda - agora vamos fazer um novo curativo nesse braço - Você não pode ficar se machucando assim, se seu antidepressivo não está fazendo efeito... vamos no médico e trocamos, se você quiser até eu mesma vou - falo fazendo o curativo dele e ele fica olhando pro nada. Vou medir a pressão dele pra ver se ta tudo ok, e nada fora do comum. - Você quer um relaxante pra dormir?, amanhã mesmo vou ligar pro seu médico e vamos trocar isso, apesar desse ser muito forte... algo está errado. Desço e faço um chá que segundo minha vó, é tiro e queda. Ele relaxa seu corpo e você dorme, não vou encher ele de mais remédio agora. - Tem um remédio que os enfermeiros antigos aplicavam quando ele tinha essas crises - olho pro remédio na mão da Veronica. - Isso ai vai sedar ele, isso não é indicado no momento - o que esses enfermeiros tinham na cabeça. - Sempre funciona. - Claro, isso em grande dose pode m***r ele, não se preocupe que eu sei o que estou fazendo - um sedativo extremamente forte e o cara tem crises quase todo dia na semana, eles estão tentando m***r ele ou eu to ficando maluca? ... - Toma isso, pode beber a vontade...eu não vou ser mais uma que vai te sedar, fica tranquilo - ele toma e eu ajudo ele a se ajeitar na cama - Vou te fazer companhia, amanhã vamos fazer um cronograma pra você, não so de remédio... mas de rotina, você so fica enfurnado nesse quarto e eu sei que isso não ajuda em nada - a Zaya estaria orgulhosa de mim agora - e se você não me ajudar, eu vou fazer sozinha. Fico conversando igual uma papagaia e depois olho e vejo que ele está dormindo, dou um beijo na testa dele e vou pro meu quarto.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR