Zoe
DUAS SEMANAS DEPOIS
Como ja dizia Mano Brown " Aqui estou, mais um dia".
Levanto mais cedo e vou tomar meu banho e tomar café, pra depois ver como sr Levi está.
Essas noites não ouvir mais gritos e nem nada quebrando, então eu acho que ele realmente tem dormido.
- Bom dia - as funcionárias ja estão todas apostos.
- Como foi a noite? - a cozinheira que eu vim descobrir que se chama Cleide pergunta.
- Ele não teve crise essa noite também, acho que está tudo indo bem.
- Estão sedando ele de novo?
- Não, eu não permito isso... isso era normal por aqui?
- Os enfermeiros que ja passaram por aqui não tinham paciência com ele, então eles os sedavam pra poder se livrar, ouvir falar que isso é muito forte, é verdade?
- Sim, dependendo da quantidade aplicada pode ter grandes consequências ... mas a família permite isso?
- Eu não sei se os irmãos dele sabe, mas se esses medicamentos são caros alguém vem comprando.
- Eles são loucos, a conversa está boa mas preciso trabalhar... pede pra alguém ir limpar aquele quarto lá.
- Ele não deixa ninguém entrar lá Zoe.
- Não se preocupe, so manda ... agora tchau - dou um beijo nela e saio, conheci a mulher praticamente ontem e ja acho que é amiga de anos, eu gosto de demonstrar afeto pras pessoas.
...
- Bom dia dorminhoco - falo abrindo a janela - ele logo abre o olho, e a mesma cara de cu de sempre - Seu remédio, senta pra tomar - ele como sempre não diz nada...so senta e pega a água - Vamos tomar banho que hoje temos compromisso - ele me olha com uma interrogação na testa - Vem, eu falei com você lembra? Então ja estou colocando em ação... eu sei que você não vai falar, então eu mesma fiz o cronograma.
Ajudo ele a entrar no banheiro e depois vejo o quanto esse quarto ta bagunçado... ainda mas que ele quebra as coisas tudo.
Vejo o abajur a única coisa intacta, está torto... vou ajeitar e vejo uma coisa estranha e levanto ele, e simplesmente está cheio de remédio antidepressivo embaixo do pé do abajur.
Agora eu entendi o porque ele continua tendo crises, se ele não toma o remédio ... ele não tem efeito nenhum e ele continua passando pela mesma coisa.
Pego todos eles e guardo no bolso do meu jaleco, que por coisa do destino resolvi usar hoje.
Ele vem meio mancando por conta da perna ainda machucada e novamente o homem ta de cueca, na verdade desde que eu cheguei não vi ele vestido.
- Escolhi pra você - mostro a roupa e ele fica me olhando novamente com aquela interrogação no olhar - Nos vamos sair um pouco hoje e depois vamos na sua psicóloga lembra?
Ajudo ele a vestir a roupa, na hora de sair ele empaca e volta deitar na cama de novo... eu so tenho 1,60 ele teve ter 1,90 ou mais ... não tenho estrutura fisica pra puxar ele dali... preciso de uma motivação mais eficaz.
- Você não quer ir? - falo - então vou conta pro seus irmãos que você está jogando seus antidepressivo fora e colocando em baixo do abajur - sinto seu olhar abrir um pouco mais e
xeque -mate pra mim - Vamos
então? - ele levanta na força do ódio.
Estou indo na direção da escada, mas ele vai na direção oposta e dai vejo que tem um elevador ali, a pergunta é ... o quão grande tem que ser uma casa pra ter um elevador dentro dela.
Entramos e ele mesmo aperta o botão e descemos.
- Bom dia, o Senhor é o motorista?
- Acho que ainda sim... estou tanto tempo sem rodar que estou quase virando porteiro - acabo sorrindo pra ele.
- Prazer sou Zoe, a nova enfermeira.
- Muito prazer senhorita Zoe, sou o Carlos.
- O senhor poderia nos levar nesse endereço? - dou um papel a ele.
- Claro que sim - vejo estranheza no olhar dele... porém ele não diz nada.
Chegamos em um parque, é um parque onde as pessoas vem fazer piquenique e pra ficar com a família... hoje está bem vazio e eu agradeço por isso.
- A senhora tem certeza disso? - Carlos fala baixinho que so eu posso ouvir.
- Tenho sim, daqui a uma hora você vem nos buscar.
- A senhorita não quer que eu fique aqui? So pro prevenção?
- Não, pode deixar comigo.
O Levi está com a cara fechada, o que não é novidade.
- Vamos sentar ali? - eu so queria que esse homem expressace alguma coisa.
- Você acredita que quando eu era criança meu sonho era passar um dia aqui? Parece besteira, porém quando se é pobre e mora do outro lado da cidade... fica muito difícil. Mas meu pai quando eu tinha 10 anos me fez uma surpresa, ele juntou as economias que ele tinha e comprou um bolo e me trouxe pra cá... pegariamos três ônibus, porém ele pagou uma pessoa pra nos trazer e nos buscar.
Ele me falou "princesa não anda de ônibus" - falo olhando pro lago que tem na nossa frente e dou risada - e aquele se tornou o melhor dia da minha vida, e desde então esse se tornou o meu lugar favorito - Ta vendo essa árvore atrás da gente? tem meu nome riscado nela... eu e minhas irmãs assinamos nossos nomes aqui. Ano passado eu passei meu aniversário de 23 anos aqui, e adivinha só? Ja tínhamos dois carros, não precisávamos pagar ninguém... conseguimos comprar o bolo sem precisar tirar dinheiro das outras coisas e ainda tinha dinheiro pra balão.
Mostro a foto a ele ... ele olha de ladinho mais olha.
- Você deve está se perguntando "o que eu tenho a ver com isso tudo?" ... esse lugar pra mim é muito especial, quando eu estou triste, quando eu estou feliz, quando eu quero comemorar algo, eu venho aqui, quando eu quero chorar eu venho aqui... nesse mesmo lugar, na frente dessa mesma árvore.
Agora eu posso dividir isso com você, eu sei que não nos conhecemos nem nada, porém acho que você precisa mais do que eu. Você coloca seu nome naquela árvore ali e aqui será seu refúgio também...ela vai saber o que fazer - olho pra ele e fico surpresa por ele ja está me olhando - Você me faz parecer uma tonta sabia? falando sozinha com uma pessoa que sabe falar, ta parecendo meu ex namorado, credo - faço cara de nojo, quando viro vejo uma barraquinha de sorvete - fica ai que ja venho.
...
- Toma, eu trouxe esse, porque eu não sabia qual você queria e nem você iria falar... é igual o meu - estico a mão e ele fica me olhando com aquela cara de tonto - Pega logo isso vixe - ele pega, pelo visto so funciona quando a gente se reta.
...
- Seu remédio toma - dou uma garrafa de água que eu trouxe de casa , que não vou gastar dinheiro com água - vou ligar pro Carlos vim buscar a gente.
Ja chegamos na psicóloga dele e a sessão ja está quase acabando, na verdade acabou de acabar... ele me ignora e passa direto la pra fora, pra entrar no carro.
- Você é a nova enfermeira dele? - a psicóloga me pergunta.
- Sou sim, prazer Zoe.
- O prazer é meu, sou a Esmeralda.
- E como foi hoje?
- Ele novamente não falou em momento nenhum, mas comparada as outras vezes ele me parece com o semblante melhor.
- E a senhora consegue identificar os semblantes dele? Porque pra mim é tudo a mesma cara - ela rir.
- Se você observar bem minuciosamente, você consegue notar.
- Ok, vou tentar ser menos estabanada e reparar nos detalhes.
💕💕💕