Depois que Lenita saiu, Jorge ficou pensando muito no que aconteceu e achou de ir comer o que trouxe.
Assim que abriu, veio um aroma muito familiar, não parecia ser comida de restaurante.
Assim que ele provou, sentiu que não era; ele sabia diferenciar comida de restaurante de comida caseira e aquela era comida caseira.
Ele achou de mandar mensagem pra ela.
"Oi."
"Olá", ela respondeu em segundos.
"Queria te perguntar uma coisa."
"Pergunta, mas tem que ser rápido, vou entrar em reunião."
"Quem fez essa comida?"
"Tá boa?"
"Tá uma delícia, mas não é de restaurante."
"Tenho muitos dons."
"Você que fez?"
"Sim, perguntei para a responsável do buffet naquele encontro em que nos conhecemos e ela disse que tinha sido creme de camarão. Vi você comer e sorrir, então deduzi que você gostava."
Jorge ficou surpreso com a informação.
"Não sabia que gostava de cozinhar."
"Agora está sabendo."
Jorge sorri e acha de brincar com ela.
"Você não pediu para sua irmã algo para colocar na comida?"
"Hahaha, feitiço?"
"Sim."
"Meu querido, não preciso disso, eu sou o próprio feitiço de sedução, não tanto quanto a minha outra irmã, mas eu não preciso disso, você já está caidinho e eu não precisei fazer nada."
Jorge deu uma gargalhada e mais uma garfada na comida.
"E quem disse que estou caidinho?"
"Ah, por favor, Jorge, acha mesmo que não vi você me perseguindo com os olhos na academia? Acha mesmo que não via a cara que fazia quando via o personal me ajudando ou tocando nas minhas costas? por favor".
Jorge fica surpreso, ele pensava que ela não tinha visto.
"Tenho que entrar na reunião, te espero às 8, não se atrase", Lenita diz e ele fica rindo enquanto comia e se sentiu estranho.
Lenita é uma mulher superocupada e parou um pouco do tempo dela para fazer algo que ele gostava.
Enquanto isso, Lenita ria junto com a Clarice, que estava na sala de Lenita jogando tarot pra ela.
– Ele sonhar que foi o Daniel! – Clarice diz.
– Ele jura que iria parar meu dia pra fazer algo pra ele comer? Coitado!
– Mas ele ficou mexido.
– As cartas falaram que ele iria ficar, né?
– Pois é, cartas tinham razão.
– Agora ver pra mim como vai ser o encontro! – Clarice gargalha e embaralha as cartas.
Lenita divide e Clarice interpreta as cartas.
– Minha irmã, vai ser ótimo e você vai se entregar pra ele.
– O quê? – Lenita franze o cenho.
– Vocês têm caminho juntos e ele já está mexido por você – Clarice joga mais cartas –; mas vai ter alguém, uma mulher mais velha, que vai querer fazer um inferno na vida de vocês. – Lenita fica confusa.
– Mais velha? Mais velha que eu?– Clarice joga novamente.
– Sim.
– Será que é a ex-mulher dele? – Clarice joga de novo.
– Não consigo entender, é alguém por quem ele tem um amor e carinho muito grande – Lenita fica pensando.
– f**a-se, não vou ficar com ele mesmo. Veja pra mim se vai dar certo a gente adquirir a nova fonte de energia renovável. – Nesse momento batem na porta, Lenita se levanta pra ver quem é, ela abre só uma fresta da porta.
Lenita dá de cara com André.
– Diga! – ela diz, olhando pra ele. Andre vê Clarice na mesa de Lenita com o baralho aberto.
– Vim trazer o relatório que a senhora mand...
– Obrigada! – Ela puxa o relatório da mão dele e fecha a porta.
Andre fica alguns segundos ainda assimilando o que viu e acaba rindo.
André foi pro cubículo que ele tinha que trabalhar e mandou mensagem pro Rodrigo.
"Tu não sabes o que acabei de ver."
Ele mandou pro Rodrigo e deixou o celular de lado e fingiu trabalhar, mas ainda rindo daquilo.
– Tá feliz, André? – um dos rapazes que trabalhava com ele pergunta, vendo-o rindo.
– Só vi um negócio que acabei achando estranho.
– O que foi? – Andre fica olhando pra ele. Fabrício trabalhava há muito tempo na Solares, então ele podia tirar algumas informações.
Pois Andre já tinha visto toda a parte econômica da empresa, e ela estava limpa como água cristalina.
Nessa parte da investigação, as mulheres envolvidas estão limpas.
– É que eu vi a senhorita Lenita com outra moça na sala dela jogando cartas.
– A senhorita Clarice está aí? – Fabrício levanta a cabeça, olhando pra porta da sala de Lenita.
– Não sei quem era – Andre mente; ele sabia quem era.
– Vou te contar um negócio, mas que essa conversa não saia daqui! – Fabrício olha pros lados.
– Diz – Andre liga o gravador enquanto Fabrício olha pros lados.
– Depois que dona Lenita entrou para ser a CEO da Solares, ela sempre pede para senhorita Clarice ver como vão ser os negócios que ela vai fechar. Se as cartas forem ruins, ela não fecha negócio nenhum, mas se as cartas forem boas, ela fecha – André acabou rindo.
– Sério isso?
— Sério — Fabrício diz sério. — Teve uma vez que ela quase iria fechando um negócio que parecia supervantajoso, mas a dona Clarice veio aqui, jogou e disse para não assinar nada. Dona Lenita não assinou e duas semanas depois os caras que vieram pra fazer a assinatura do contrato foram presos.
– Serio?
– Sim, se a dona Lenita tivesse assinado o contrato, a Solares podia ter sido acusada de tráfico.
– Tráfico? Como assim?
– Não sei se tu viu, uns dois anos atrás, um cartel de drogas que foi preso por traficar as drogas com painéis solares? – Andre lembrava dessa operação, até porque ele estava nela.
– Sim, lembro.
– Então! – fica olhando para o Fabrício, não querendo acreditar no que ouviu.
– Então quer dizer que, se as cartas saírem boas agora, o trabalho que estamos fazendo vai pra frente?
– Sim.
– É sério isso?
– Sim, Andre, é sério!
– Tô tendo trabalho pra algo que nem pode ir pra frente?
– Sim, mas você ainda vai receber e, quando um trabalho não vai para frente, dona Lenita sempre coloca um bônus para quem trabalhou no projeto.
– Sério? – Agora ele entendeu a parte bônus dos relatórios que ele e Miguel viram.
– Sim, no final do dia ela vai dizer se o projeto vai pra frente ou não! – Fabrício diz e vai em cada cubículo avisando que a Clarice estava na sala da Lenita.
Andre desliga o gravador e manda mensagem pro Miguel dizendo que queria encontrar ele no banheiro.
Miguel responde que já estava indo. André foi para o setor de Miguel e acabou dando de frente com Eva, que estava entrando no elevador.
Ele sai e ela sobe pro andar dele. André vai no banheiro e encontra Miguel.
– Não tem ninguém?
– Já verifiquei, não tem. E aí, o que tem pra me dizer?
– Descobrir os bônus dos funcionários é para pessoas que estão para projetos que não vão para frente.
– Isso aí já estava desconfiando.
– Mas
– Mas o quê?
– Elas descobrem se um projeto é bom ou não por cartas.
– Cartas ?O que é, tarot?
– Isso.
– Tá falando sério, Andre?
– Acabei de descobrir pelo maior fofoqueiro da empresa. – Miguel fica olhando ainda incrédulo às palavras de André; vem algo sério na cabeça de Miguel.
– Será que elas descobriram da investigação e é por isso que estão quietas?
– Pode ser, mas os assassinatos ainda estão acontecendo.
– Isso é verdade.
– E pelo que o Benjamim falou, elas quase não saem à noite, tirando os dias que vão para as lutas da Carla.
Os dois ficaram se olhando confusos sobre tudo isso.
Mal eles sabiam que estavam sendo vigiados pelas câmeras que Melissa tinha colocado escondidas em cada canto do prédio e ela estava vendo e ouvindo tudo.
Melissa sorri vendo eles.
– Eles são mais espertos do que parecem!