OLHOS CASTANHOS

1030 Palavras
— Quero saber por que não recebi a informação de que Carlas Mendes comprou outra academia? — Jorge fala olhando para Ricardo e Rodrigo. Os dois se entreolham; eles mesmos só souberam de manhã. — Senhor, a gente só soube disso agora de manhã — Ricardo diz. — O Micael passou pra gente o relatório dele agora pela manhã e passamos pro senhor — Rodrigo diz. — Cade? — Foi entregue pra sua secretária — Rodrigo diz e Jorge respira fundo e liga pra secretaria pra deixar a pasta que o Rodrigo tinha deixado. — Como o senhor ficou sabendo? — Ricardo pergunta curioso. — Encontrei a Lenita na academia e ela disse que a irmã tinha comprado aquela academia. — Ricardo e Rodrigo se entreolham, a secretária entra, deixando a pasta em cima da mesa, e olha para o Rodrigo, que dá um sorriso de lado e a secretária sai. — Rodrigo!! — Só olhei! — ele diz, levantando os braços. Jorge balança a cabeça em negativa. — Está tudo aqui? — ele pergunta aos dois à sua frente. — Sim, todos os passos das 7 — Ok, podem ir. — Os dois se levantam e saem. Jorge passa o dia lendo sobre as 7 mulheres. Lenita fica a maior parte do tempo na empresa; as ligações dela são 90% sobre negócios. Grazyela passa os dias em casa, apenas saindo com Micael. Carla passa os dias na academia ou em alguma luta marcada. Clarice passa os dias na loja esotérica que possui; ela é cartomante, interessante. Rafaela passa muito tempo na delegacia. Melissa também fica muito tempo na empresa, igual a Eva. Ele passou o dia lendo o relatório das 7 mulheres e não viu nada de mais. Uma coisa que ele percebeu foi o horário delas. As 7 moravam no mesmo condomínio, por sinal era delas, mas todas estavam antes das 22 horas no condomínio que só tinha uma entrada e uma saída; as exceções eram os dias de lutas da Carla. Jorge lia cada relatório duas vezes pra ter certeza de que não perdeu nada. Telefone da mesa do Jorge toca. — Alo? — Senhor, tem uma senhorita na outra linha querendo falar com o senhor. — Nome? — Lenita Mendes — Passar — ele espera um pouco. — Não era pra você ter me mandado uma mensagem mais cedo? — Lenita diz exigente. Jorge acaba rindo. — Me desculpe, acabei ficando enrolando aqui. Como descobriu o número da minha sala? — Tô aqui na frente! — Jorge franziu o cenho e se levantou pra ver se ela estava lá mesmo. Assim que ele abriu a porta, Lenita estava lá. Linda, bem arrumada e maquiada, com um saco na mão. — Que ótima surpresa! — ele diz e dá espaço para ela entrar. Ainda bem que ele tinha fechado a pasta com os relatórios delas. — Que bom que gostou! — Ela entra e senta no sofá que fica próximo da mesa dele. — O que devo a honra da senhorita aqui? — Estava almoçando aqui próximo, resolvi passar aqui pra saber se vamos jantar hoje. — Ele levanta uma sobrancelha. — Ah, e trouxe isso pra você! — Ela entrega a marmita pra ele. — O que seria? — Ele pega desconfiado. — Creme de camarão com arroz branco e uma salada — ela diz. Ele olha bem desconfiado para ela. Era a comida preferida dele. — Agradeço a lembrança! — ele diz sorrindo. — Não há de quê, vamos ou não? — Posso saber por que a insistência? — Lenita levanta uma sobrancelha. — Só queria saber se posso marcar um jantar de negócios hoje; se não vamos sair, irei marcar. — Não pode fazer as duas coisas? — Não, não gosto de envolver vida pessoal e trabalho. — É por isso que nunca apareceu com ninguém? — Lenita queria gargalhar, mas resolveu jogar. Até porque Lenita se dedicou muito pra chegar onde está; pra ela só existiam os sentimentos pelas "irmãs". Homem nenhum estava na jogada e nem nunca esteve; diferente da Grazy Lenita, nunca teve ninguém, além de alguns beijos e amassos. Lenita coloca a melhor cara de tristeza e abaixa a cabeça. — Me machuquei muito quando adolescente, depois que um namoradinho só quis me usar. Então preferi me dedicar aos estudos e à empresa. – Jorge sentiu uma vontade enorme de abraçar Lenita, mas se segurou. — Com toda a sua dedicação, Solares está onde está hoje! — Lenita olha para ele com os olhos marejados, por puro fingimento. — Sim, mas isso me custou muita coisa! — Jorge acabou ficando hipnotizado nos olhos castanhos de Lenita. Os dois ficaram alguns minutos se encarando; nenhum dos dois desviou o olhar. Cada um com seus pensamentos. O celular de Lenita toca e, sem desviar o olhar de Jorge, ela pega e atende. — Alô? — Ela fica alguns segundos calada.— Um momento. — Ela tira o celular do ouvido e coloca uma mão em cima dele. — Às 8 hoje? — Sim — Jorge diz sem nem mesmo piscar. — Amanhã, às 7:30 — ela diz para a pessoa do outro lado da linha —, naquele restaurante do centro, a mesa de sempre! — ela diz sem parar de olhar Jorge.— Ok! — Lenita se levanta desligando o celular. — Espero o senhor às 8! — ela diz estendendo a mão para ele. — Onde seria? — Ele pega a mão estendida. — Isso o senhor resolve! — Ela se vira e vai até a porta; Jorge abre para ela. Lenita se aproxima e coloca a mão no peito dele e vai se aproximando e dá um beijo no canto da boca dele. — Não gosto de atrasos. Se não estiver na porta do meu condomínio às 8, volto aqui e te arrasto! — Ela se afasta e vai andando. Não tem um único homem naquele corredor que não pare para ver Lenita passando. Jorge fecha a porta e acaba sorrindo; ele fecha os olhos ainda sentindo o perfume dela que o envolveu, e vêm os olhos castanhos dela. Ele estava vendo que iria se perder naqueles olhos castanhos!!!
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