Mais um dia nasce na cidade!
Lenita estava com a sua xícara de café vendo o nascer e pensando em mais um dia de trabalho.
— Já acordada? — Daniel aparece com as frutas picadas com mel, como ela gostava.
– Como sempre! – ela diz sorrindo.
— A senhora vai pra academia?
– Vou sim.
– Então vou me arrumar.
– Hoje não.
– Por que, senhora?
– Fez o que pedi? – Lenita muda de assunto.
– Sim, me vesti de mulher e contratei um detetive particular que fez tudo! – Lenita sorri. Se Jorge achava que iria passar impune pela investigação contra a família dela, estava muito enganado.
Daniel entrega a papelada do detetive.
Ela olha de relance.
– Vou ler com calma! – Dar o beijo na bochecha dele – Tô indo pra academia, diz pra menina que depois quero falar com elas.
– Ok, vou marcar uma reunião com elas.
– Obrigada, Dani! – Ela vai ao quarto, pega a bolsa dela e guarda muito bem o documento sobre Jorge.
Lenita desce e vai para o carro.
Ela olha pra casa das irmãs.
Cada uma tinha sua casa no terreno que compraram; mesmo se amando, cada uma era peculiar da sua maneira.
A casa da Lenita era a última e a casa de cada uma fica dos lados.
Do lado direito moravam Eva, Rafaela e Grazy.
Do lado esquerdo moravam Carla, Melissa, Clarice.
Lenita considera cada uma das meninas como irmãs; ela as protegeria com a própria vida se fosse possível.
Ela passa na frente da casa da Grazy e vê um carro diferente na garagem.
Lenita só faz sorrir.
"Grazy tá com uma nova vítima", pensa.
Então ela segue caminho pra nova academia.
Rafaela deu uma investigação básica sobre Jorge; ela não podia ir mais a fundo justamente para não levantar suspeitas, por isso pediu para o Daniel fazer isso.
Lenita gostou do que leu quando a Rafaela deu o que descobriu sobre ele.
Jorge era divorciado, na casa dos seus 40 anos. Jorge é um homem bonito e super charmoso. Isso Lenita não tinha como negar, mas ele estava mexendo onde não devia.
Desde que Lenita entrou nessa vida de empresária, teve que fazer acordos nos quais não queria, mas era necessário!
E se fosse para proteger as irmãs, ela iria cobrar favores, mas ela tinha que saber o quanto ele já tinha contra elas.
Lenita para o carro no exato momento em que Jorge também para o dele. Ela fingiu que não viu, mas Jorge ficou surpreso quando a viu.
Ela foi pra recepção e falou com a atendente; ela já tinha feito a matrícula.
– A senhora poderia aguardar um pouco? O seu personal ainda não chegou! – a moça diz sem graça.
– Posso ir fazendo cardio?
– Sim, sim. – Então a moça olha para trás e abre um sorriso de orelha a orelha.
– Bom dia, senhor! – Lenita sabia quem era, mas não olhou para trás.
– Bom dia! – Jorge diz, mas Lenita não vira para olhar para ele.
– Já vou começar, diz pra ele que vou estar na esteira.
– Sim, senhora, vou avisar. – Lenita entra e vai direto para as esteiras; ela pega um documento da empresa para ler.
Liga e começa com uma caminhada leve; ela vê Jorge vindo na mesma direção que ela está.
Ele liga a esteira do lado dela.
Ela finge não ver e continua lendo.
– Bom dia – ele diz caloroso.
– Bom dia – ela responde seca.
– Primeira vez que te vejo aqui – internamente Lenita gargalha, mas olha para ele séria.
– Queria fazer meu exercício em paz, poderia deixar? – Ele levanta uma sobrancelha.
– Não está me reconhecendo?
– Deveria? – ela diz com uma sobrancelha levantada.
– Jorge Albuquerque – ele estende a mão, ela só faz olhar para a mão dele. – Já conversamos – ele recolhe a mão, vendo que ela não iria apertar.
– Ah, sim – Lenita diz desinteressada – e o senhor quer conversa agora? – ela diz com deboche.
– Só achei estranho a senhorita estar aqui.
– ¿Por qué Paguei pra estar aqui.
– A senhorita não fazia academia em outro local? – ele diz com uma sobrancelha levantada.
– Sim, mas minha irmã comprou o lugar e fica próximo da empresa, posso acordar um pouco mais tarde – não era mentira.
Lenita fez Carla comprar aquela academia justamente pra ela conseguir o que queria.
Jorge ficou surpreso com a informação; Ricardo e nem Micael tinham passado isso pra ele.
– Entendi! – ele diz, já pensando que iria chamar os dois pro saco por não ter passado essa informação pra ele.
– Senhorita Mendes – Personal chama Lenita e ela desliga a esteira e vão começar os exercícios dela.
Jorge nem por um momento deixou de olhar para ela; a cada toque do personal para ajustar a coluna e ajudar em alguns exercícios, um sentimento estranho batia no peito de Jorge.
Ele não sabia descrever aquilo, ele nunca tinha sentido aquilo nem pela ex-esposa, mas por aquela mulher que ele m*l conhecia estava sentindo.
Ele mesmo não estava conseguindo se concentrar nos próprios exercícios, ele estava olhando para ela, cada movimento dela ele prestava atenção e a raiva só fazia subir a cada toque do personal.
Ele ainda nem tinha terminado a série de exercícios quando ele a viu indo para a área da cafeteira; ele deixou os halteres lá mesmo e foi lá.
Ficou atrás dela e ouviu ela pedindo uma vitamina.
– Pra mim também – ele diz e Lenita vira olhando pra trás.
– Me seguindo? – Lenita diz em um tom irônico.
– Não, estamos na mesma academia.
– Parece que está me seguindo, posso colocar uma ordem de restrição contra o senhor – Jorge se aproxima.
– Acha mesmo que iria deixar passar? – Lenita sorri da forma mais charmosa possível, o que fez Jorge estremecer um pouco.
– Me quer tanto assim por perto?
– Não sabe o quanto! – Jorge também faz charme; por dentro Lenita falta se derreter, mas não deixa transparecer.
Ela continua com a expressão neutra.
A mesma expressão das reuniões que fazia.
– E quando vai me chamar pra jantar? – Lenita toca no peito dele, Jorge sorri de lado.
– Hoje à noite! – Lenita sorri e abre a bolsa, dando o cartão de visita dela.
– Me liga pra gente combinar o horário. – Lenita paga e pega a vitamina dela.
Lenita vai embora deixando Jorge para trás; ele olha o cartão de visita bem feito, com letras elegantes e discretas.
Ele sorri, mas o sorriso dele vai morrendo e fica pensando na investigação; ele não poderia se envolver com ela.
Seria muito antiético da parte dele.
Mas também vantajoso, ele faria isso.
Ele faria isso pela investigação.
É pela investigação!