Lorena narrando.
Como ele é teimoso, acha que só porque é o dono da empresa, todo poderoso e bonito pode fazer o que quiser, ele não me ouviu em nenhum momento, não achou nenhuma concordância comigo.
Como alguem pode achar normal querer me proibir de possuir um cônjuge? Querer minha localização? É um absurdo isso.
— Senhor Torres, seja razoável, por favor.
Já estou me questionando se 3mil a mais no pagamento vale tanto sacrifício, esse homem é louco, toda a beleza é real, mas tudo o que já ouvi de r**m sobre ele é verdade, e até pior.
— Está decidido, você tem namorado para ligar tanto para isso?
— Não é questão, você é meu chefe, não meu dono para querer me controlar tanto. — tento discutir mais uma vez isso e ele não se abala, está cada vez mais irritado.
— Para trabalhar para mim preciso de toda a sua disponibilidade Lorena.
Respiro fundo tentando analisar o que seria melhor para falar agora, não é possível que ele está tão decidido, qual seria a fraqueza desse homem para eu ameaçar?
Me levanto da poltrona querendo sair e tomar um ar, eu preciso de água e andar um pouco, e então eu vejo, rapidamente, um leve momento em que seus olhos parecem surpresos, seu reflexo corporal é se erguer também, como se estivesse prestes a me agarrar e prender para que eu não fuja.
— Onde vai? Não terminamos de conversar?
— Eu preciso ir tomar uma água, o senhor não está me ouvindo e estou ficando frustrada — admito e então percebo que ele se sente vitorioso, deve pensar que irei assinar, e eu confesso me sentir péssima, ele não me escuta, e agora já é tarde demais para eu recusar tudo, não conseguiria voltar para o senhor Joaquim, teria que arrumar um novo emprego do zero.
Saio da sala sem pedir licença e respiro fundo quando a porta se fecha atrás de mim.
Os três seguranças estão aqui, dois sentados em suas banquetas e um de pé, eles parecem revezar ou algo do tipo.
— O chefe de vocês é impossível. — desabafo baixo e já sei que não vão me responder, mas pelo olhar deles sei que me ouviram.
Caminho sem muitas esperanças para a copa e me sirvo de água gelada do filtro, me sento na mesa totalmente abandonada e tenho vontade de deitar nela.
E assim faço, deito a cabeça sem nenhuma postura ou cuidado, desgraçado, louco, exagerado, controlador.
Um barulho de água caindo me assusta, o segurança e também motorista está pegando água.
— Desculpa. — peço levantando a cabeça.
— O senhor Torres é muito bom, só tem dificuldade de mudar de opinião, ele só aceita mudar algo se está prestes a perder. — diz sem me olhar e percebo que está me aconselhando.
— Eu já disse que ele não pode ser assim.
— Então diga que vão não pode ficar se manter assim, ele vai mudar. — ele diz e sem esperar resposta pega sua água e sai, e talvez tenha sido a maior demonstração que recebi em algum tempo.
Me levanto agora mais preparada, mas não me arrumo tanto, eu vou fazer o que posso, ser a vítima, me fazer de frágil e torcer para ele cair, o que não é mentira, aquele homem me destruiu em nem um dia inteiro oficialmente como sua secretária.
Adentro o escritório e percebo o poder que ele emana em sua cadeira.
— Melhor? — confirmo com a cabeça e sorrindo ele coloca uma caneta em frente os meus papéis.
— Sinto muito senhor, mas não acho que eu me enquadre como sua secretária, suas necessidades são diferentes do que posso cumprir.
— O que? — ele parece surpreso, é isso que preciso.
— Não sei ser o que você precisa, é melhor eu pegar minhas coisas e ir embora.
Ele não diz nada enquanto caminho até minha bolsa, parece testar se falo sério ou não.
— Eu tiro a cláusula da localização. — passo a bolsa em meu braço e me viro para a saída. — E a de relações.
Então eu paro.
— Sério? — ele confirma com a cabeça, contrariado mas ainda honesto. — Tudo bem então senhor Eduardo, eu não concordo com muitas outras coisas do contrato, mas aceito se tirar essas duas.
— Vou arrumar os papéis, sente-se.— diz editando em seu notebook e eu me sento em sua frente, agora observando sua figura.
Se braço forte parece travado, ele está tenso e rápido se movendo, os olhos da cor de esmeraldas observam a tela com atenção. pana
[...]
Assino os papéis e ele finalmente parece contente quando faz o mesmo, quando está pronto me olha de uma maneira que me deixa desconcertada.
— Eu vou precisar de uma mesa minha, aqui dentro como você deseja, ou eu arrumo espaço na parte de fora, não podemos continuar dividindo uma mesa só — ele concorda com a cabeça e mexe em seu celular.
— Amanhã estará pronto.
— Obrigada, podemos começar os trabalhos agora?
— Sim, mas antes reserve nosso almoço, em um restaurante privado, quase vazio.
— Desculpa senhor, já tenho um compromisso marcado com uma amiga, mas irei reservar ao senhor.
— Está em horário de trabalho, deve almoçar comigo.
— O horário de almoço é livre, posso decidir o que farei, ao menos que fosse uma reunião que devo lhe acompanhar.
— Iremos organizar informações da viagem, é trabalho também. Remarque seu evento. — não tenho como rebater isso, então engulo o que eu queria falar.
— Tudo bem.
Pego meu celular enviando uma mensagem e pedindo desculpas por desmarcar em cima dos hora e tento explicar que mudei de emprego de certa forma, e meu novo chefe é louco.
— Lorena, preste atenção em mim, vou te explicar como eu faço algumas coisas, que irei repassar para você a função.
Concordo com a cabeça e me levanto indo ao seu lado, seu perfume masculino bate contra mim de uma vez e respiro fundo me aproveitando, o olho de canto enquanto escuto e vejo ele mostrar as coisas e falar diante da tela do notebook.
Mas uma coisa eu devo admitir, por mais louco que ele seja, ele é atraente, e eu já sei que devo me relembrar a cada hora, "louco, louco, louco, louco, louco, LOUCO" , ou eu vou cair nisso e ser demitida por assédio, conduta inadequada, qualquer coisa que enquadre olhar de mais e babar na pessoa.
O senhor Eduardo é de outro nível, não é para mim, e isso deve estar claro em minha cabeça.