Conselho

1106 Palavras
Lorena narrando. Como ele é teimoso, acha que só porque é o dono da empresa, todo poderoso e bonito pode fazer o que quiser, ele não me ouviu em nenhum momento, não achou nenhuma concordância comigo. Como alguem pode achar normal querer me proibir de possuir um cônjuge? Querer minha localização? É um absurdo isso. — Senhor Torres, seja razoável, por favor. Já estou me questionando se 3mil a mais no pagamento vale tanto sacrifício, esse homem é louco, toda a beleza é real, mas tudo o que já ouvi de r**m sobre ele é verdade, e até pior. — Está decidido, você tem namorado para ligar tanto para isso? — Não é questão, você é meu chefe, não meu dono para querer me controlar tanto. — tento discutir mais uma vez isso e ele não se abala, está cada vez mais irritado. — Para trabalhar para mim preciso de toda a sua disponibilidade Lorena. Respiro fundo tentando analisar o que seria melhor para falar agora, não é possível que ele está tão decidido, qual seria a fraqueza desse homem para eu ameaçar? Me levanto da poltrona querendo sair e tomar um ar, eu preciso de água e andar um pouco, e então eu vejo, rapidamente, um leve momento em que seus olhos parecem surpresos, seu reflexo corporal é se erguer também, como se estivesse prestes a me agarrar e prender para que eu não fuja. — Onde vai? Não terminamos de conversar? — Eu preciso ir tomar uma água, o senhor não está me ouvindo e estou ficando frustrada — admito e então percebo que ele se sente vitorioso, deve pensar que irei assinar, e eu confesso me sentir péssima, ele não me escuta, e agora já é tarde demais para eu recusar tudo, não conseguiria voltar para o senhor Joaquim, teria que arrumar um novo emprego do zero. Saio da sala sem pedir licença e respiro fundo quando a porta se fecha atrás de mim. Os três seguranças estão aqui, dois sentados em suas banquetas e um de pé, eles parecem revezar ou algo do tipo. — O chefe de vocês é impossível. — desabafo baixo e já sei que não vão me responder, mas pelo olhar deles sei que me ouviram. Caminho sem muitas esperanças para a copa e me sirvo de água gelada do filtro, me sento na mesa totalmente abandonada e tenho vontade de deitar nela. E assim faço, deito a cabeça sem nenhuma postura ou cuidado, desgraçado, louco, exagerado, controlador. Um barulho de água caindo me assusta, o segurança e também motorista está pegando água. — Desculpa. — peço levantando a cabeça. — O senhor Torres é muito bom, só tem dificuldade de mudar de opinião, ele só aceita mudar algo se está prestes a perder. — diz sem me olhar e percebo que está me aconselhando. — Eu já disse que ele não pode ser assim. — Então diga que vão não pode ficar se manter assim, ele vai mudar. — ele diz e sem esperar resposta pega sua água e sai, e talvez tenha sido a maior demonstração que recebi em algum tempo. Me levanto agora mais preparada, mas não me arrumo tanto, eu vou fazer o que posso, ser a vítima, me fazer de frágil e torcer para ele cair, o que não é mentira, aquele homem me destruiu em nem um dia inteiro oficialmente como sua secretária. Adentro o escritório e percebo o poder que ele emana em sua cadeira. — Melhor? — confirmo com a cabeça e sorrindo ele coloca uma caneta em frente os meus papéis. — Sinto muito senhor, mas não acho que eu me enquadre como sua secretária, suas necessidades são diferentes do que posso cumprir. — O que? — ele parece surpreso, é isso que preciso. — Não sei ser o que você precisa, é melhor eu pegar minhas coisas e ir embora. Ele não diz nada enquanto caminho até minha bolsa, parece testar se falo sério ou não. — Eu tiro a cláusula da localização. — passo a bolsa em meu braço e me viro para a saída. — E a de relações. Então eu paro. — Sério? — ele confirma com a cabeça, contrariado mas ainda honesto. — Tudo bem então senhor Eduardo, eu não concordo com muitas outras coisas do contrato, mas aceito se tirar essas duas. — Vou arrumar os papéis, sente-se.— diz editando em seu notebook e eu me sento em sua frente, agora observando sua figura. Se braço forte parece travado, ele está tenso e rápido se movendo, os olhos da cor de esmeraldas observam a tela com atenção. pana [...] Assino os papéis e ele finalmente parece contente quando faz o mesmo, quando está pronto me olha de uma maneira que me deixa desconcertada. — Eu vou precisar de uma mesa minha, aqui dentro como você deseja, ou eu arrumo espaço na parte de fora, não podemos continuar dividindo uma mesa só — ele concorda com a cabeça e mexe em seu celular. — Amanhã estará pronto. — Obrigada, podemos começar os trabalhos agora? — Sim, mas antes reserve nosso almoço, em um restaurante privado, quase vazio. — Desculpa senhor, já tenho um compromisso marcado com uma amiga, mas irei reservar ao senhor. — Está em horário de trabalho, deve almoçar comigo. — O horário de almoço é livre, posso decidir o que farei, ao menos que fosse uma reunião que devo lhe acompanhar. — Iremos organizar informações da viagem, é trabalho também. Remarque seu evento. — não tenho como rebater isso, então engulo o que eu queria falar. — Tudo bem. Pego meu celular enviando uma mensagem e pedindo desculpas por desmarcar em cima dos hora e tento explicar que mudei de emprego de certa forma, e meu novo chefe é louco. — Lorena, preste atenção em mim, vou te explicar como eu faço algumas coisas, que irei repassar para você a função. Concordo com a cabeça e me levanto indo ao seu lado, seu perfume masculino bate contra mim de uma vez e respiro fundo me aproveitando, o olho de canto enquanto escuto e vejo ele mostrar as coisas e falar diante da tela do notebook. Mas uma coisa eu devo admitir, por mais louco que ele seja, ele é atraente, e eu já sei que devo me relembrar a cada hora, "louco, louco, louco, louco, louco, LOUCO" , ou eu vou cair nisso e ser demitida por assédio, conduta inadequada, qualquer coisa que enquadre olhar de mais e babar na pessoa. O senhor Eduardo é de outro nível, não é para mim, e isso deve estar claro em minha cabeça.
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