Teimosia

1017 Palavras
Lorena narrando. Bato as três vezes tradicionais na porta do senhor Joaquim e logo o grito que me libera é ouvido, abro a porta e vejo seu sorriso enquanto ele se levanta vindo até mim. — Me conte as novidades Lô, e eu quero meu café. — diz vindo me abraçar, bem, como eu começo? Recebo o afeto e sinto o exato momento em que ele vê com seus próprios olhos o CEO da empresa atrás de mim com os seguranças, eu preciso realmente descobrir os nomes deles, não podem ser chamados eternamente de homens e seguranças, ou motorista, é feio e impessoal para pessoas que ficarei tanto tempo perto. — Lorena. — ele sussurra quando se afasta e vejo o olhar parcialmente assustado. — Eu vou ter que te deixar chefe, ontem passei o dia com o senhor Torres e ele me convidou para trabalhar como sua secretaria, a oferta foi irrecusável para minha situação atual, mas eu vou sentir sua falta. — tento medir as palavras sabendo que meu novo chefe as escuta atentamente. — Você não pode fazer isso, você sabe o quão difícil é contratar uma pessoa boa assim? Que me conheça, esteja disposta, proativa, comunicativa, que desenrola o que for preciso, não faz isso comigo. — pede em um leve drama e sorrio segurando suas mãos. — Vou sentir saudades do senhor, peço desculpas por não conseguir cumprir um aviso prévio ou ajudar na escolha de minha substituta, devo começar imediatamente ao lado do senhor Torres, mas muito obrigada chefe, por cada oportunidade que o senhor me deu. — Ah Lorena. — ele me abraça mais uma vez e afaga minhas costas com carinho. — Cuidado querida, boa sorte. Seu sussurro m*l é escutado por mim e com isso tenho certeza que não foi ouvido por terceiros. — Obrigada! — Tchau querida, senhor Torres. — ele cumprimenta o seu superior educadamente que apenas confirma com a cabeça e parece me esperar, quando vou me encaminhar para minha mesa eu vejo todos meus itens pessoais já em uma caixa de papel nas mãos do motorista. Bem, acho que é isso, saímos em silêncio e percebo o meu novo chefe ainda com minha bolsa em suas mãos, mas ele não parece reclamar e eu confesso estar envergonhada de pedir de volta o que é meu. — Sua relação era bem próxima com ele não? — o comentário é... eu diria que ciumento, mas ele não teria ciúmes de mim, teria? — Sim, nos dávamos muito bem, eu sabia ser e resolver o que ele precisava sempre, sou boa em meu trabalho, quando me deixam trabalhar ao menos. — Suas coisas. — ele aponta para a caixa e confirmo com a cabeça. — Irei ganhar uma mesa fora de seu escritório? — Não é necessário, quase sempre seremos só nós dois no andar. — Bem, o senhor pode querer receber alguma visita íntima, família, pessoas importantes e ficar sozinho, para o meu trabalho não ser interrompido, e até eu te avisar de qualquer chegada, devo ficar do lado de fora, não acha? — Ainda não fui convencido senhorita Lorena, terá que fazer melhor que isso. — diz e sinto como uma provocação dele para mim. — Eu gosto de sua presença, será difícil você tirar ela de mim. Fico sem saber como responder a isso, e decido por me calar até chegarmos no topo do edifício. Saímos e o segurança do andar já está lá em seu posto, é surpreendente como isso aqui é vazio, minha lancheira é levada para a copa por um dos seus homens e seguimos para dentro de seu escritório, para o momento da verdade o contrato. Ele parece já animado e contente, adentra sua sala em uma energia totalmente diferente das que percebi ainda nessa manhã, ele fecha a porta atrás de mim e me sento na poltrona de visitas. Ele vai até sua mesa, mexe na impressora e logo começam a sair, quando acho que uma ou duas páginas serão o suficiente, mais de quinze, que eu me preocupo em contar, começam a sair. — Passei parte da noite preparando isso, está bem completo, posso te explicar as clausulas que sentir dúvidas. — o sorrisinho presunçoso dele é o que me deixa assustada, onde eu me meti? [...] Após ler vinte e oito páginas eu posso dizer, ele é louco, esse contrato toma quase posse de mim, com clausulas absurdas que nenhum emprego deveria colocar. Proibir que eu tenha relações íntimas, relacionamentos amorosos ou cônjuge de qualquer forma é um absurdo, posso de alguém que não é dele. Exigir que eu durma em sua casa caso o trabalho se estenda para depois das 22h, é cárcere e quase sequestro, a necessidade da minha localização em tempo real pelo celular é obsessão. Eu tenho certeza que mais da metade disso é crime e impossível de ser real. Organizo as folhas na ordem inicial e sem esconder meu choque e surpresa eu o encaro, seus olhos já estavam em mim, e pelo brilho deles devo dizer que ele se divertiu, as esmeraldas em encaram sem qualquer sutileza, ele está interessado em mim? É isso? Ou apenas uma posse? Estou realmente confusa com suas intenções por trás desses papéis. — Pronta para assinar Lorena? — E entregar minha vida ao senhor? Não obrigada. — sou irônica e sem educação em minha resposta, mas engulo em seco e tento me retratar. — Peço que o senhor confira se é isso mesmo, porque deve haver algum erro, não é possível esse contrato ser para uma secretária, tem clausulas especificas demais, abusivas e sem sentido, não concordo com tanto disso. Entrego os papéis de maneira até rebelde na mesa e ele nem se importa em olhá-los para conferir. — Estão corretos, vamos falar sobre o que te incomodou? — Digamos que eu apenas concordo com o salário, nem as obrigações eu acato todas, convenhamos, sair combinando com o senhor em eventos? Em dias comuns e finais de semana minha localização deve ser compartilhada? Proibição de parceiros românticos? Qualquer advogado sabe que são coisas impossíveis senhor.
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