Dia seguinte.
Lorena narrando.
Eu me vendi, e o pior de tudo, eu passei o dia repetindo em minha mente que seria apenas um dia, um momento, uma tarde de trabalho para o senhor Torres, que era rápido, contei de hora em hora, senti-me intimidada todo o dia.
Tão perto dele, os olhares nada sútis, ele é lindo, sensual, atraente, mas... agora a droga do meu chefe, meu novo chefe que eu tanto neguei que ele seria.
E agora ele aparentemente me busca e leva em casa, provavelmente amanhã ainda irei trabalhar em sua sala com ele, mais próximos do que deveríamos, como irei me manter sã? Tranquila e sei imaginar coisas?
Sei que sou apenas uma secretária, mas vai ser difícil manter isso em mente tão perto dele, droga, estou atraída por alguém que deveria mais me intimidar. Ele até faz isso, e muito, o que torna tudo mais confuso, medo, insegurança e atração.
Termino de me maquiar e resmungo pela ansiedade e crise de pensamentos essa hora da manhã, até semana passada minha vida estava tão tranquilinha, calma, uma rotina bem feita, quase sempre o mesmo, agora Eduardo bagunçou toda a minha rotina e mente.
Pego meu par de salto e vou até a cozinha finalizar minha lancheira, hoje irei almoçar fora com minha amiga, mas ainda vou levar lanchinhos, e eu até sorrio pensando, se o senhor Torres tem mesmo essa raiva, fobia, nojo não sei, de gente comendo perto dele, ele talvez me odeie, porque eu não consigo ficar sem comer.
Hoje mesmo, já tomei café, comi ovos mexidos com queijo, e estou levando iogurte com cereais, uvas lavadas, maçã, um pedaço de torta salgada para à tarde e um suco.
Eu sempre tive muito apetite, tanto que se eu fico um dia sem comer direito no outro já me sinto estranha e levemente fraca, nem estou exagerando tanto, meu corpo precisa de tudo isso que eu como, e eu sinto muito se o senhor Ceo não aguenta pessoas se alimentando, mas eu como sim!
Finalizo tudo isso e quando meu celular começa a tocar eu atendo no viva voz.
Ligação onn.
— Bom dia!
— Estou em sua porta Lorena. — arregalo os olhos e corro com o celular buscando minha bolsa, os vizinhos do anda de baixo do meu devem estar me odiando, mas sinto muito, tenho que ser rápida.
— Claro senhor, estou já saindo, em minutos estou ai na frente, tchau tchau.
Ligação off.
Desligo antes dele poder dizer qualquer coisa, não posso deixar ele reclamar, alcanço minha bolsa, pego as chaves a lancheira e saio correndo com os saltos na mão, eu calço enquanto espero o elevador.
Abro a porta apressada e quando corro para fora de minha casa bato instantaneamente contra uma parede, resmungo assustada e olho assustada para Eduardo Torres, mas que raios???
— O que está fazendo aqui? — questiono na hora e percebo então que minha mão está espalmada em seu peito, e eu confesso demorar 2 segundos para então tirá-la.
— Eu disse que estava em sua porta. — ele tira a bolsa e lancheira de mim carregando e quando continuo o olhando perdida toma as chaves na mão e tranca minha porta por fora, as jogando dentro da bolsa.
— Bom dia. — digo à ele que concorda com a cabeça e coloca a mão em minhas costas me guiando ao elevador, que seu segurança segura as portas com a mão enquanto nos aguarda. — Bom dia.
Desejo a ele também que faz o mesmo movimento que seu chefe, e agora fechada junto à eles me sinto envergonhada de me abaixar e colcoar os saltos, mas quanto mais o tempo passa para chegarmos ao térreo eu percebo o olhar de Eduardo para o par em minha mão.
— Não ande descalça em um lugar onde todos passam com sapatos da rua Lorena. — ele diz como um pai diria a uma criança, mas estou tão envergonhada dele estar em minha porta, de ter batido contra seu corpo, apalpado seu peito discretamente e estar aqui, que eu concordo com a cabeça e me movo os colocando.
Saímos de frente ao hall de entrada e o porteiro cumprimenta à todos nós, e quando passamos no portão elétrico, duplo, que eu percebo, como ele conseguiu entrar sem ser anunciado?
Espero entrarmos no carro, o outro segurança, que também não sei o nome ainda, mas já sei que é o que dirige, abre a porta para mim e agradeço desejando "bom dia" para ele.
Quando as portas batem e o movimento começa eu me viro para o Ceo que está agarrado as minhas coisas sem parecer incomodado, mas me olha em análise e aparente calma.
— Senhor Torres.
— Me chame de Eduardo, Lorena, agora você é minha secretária, podemos nos tratar assim, é uma ordem.
— Certo, Eduardo, pode me explicar como você entrou sem ser anunciado no meu prédio? E, Como sabia o meu andar? — ele parece irritado, não parece ter pensado que eu iria notar algo assim.
— Não é relevante, iremos viajar no final de semana, arrume sua mala.
— Esse final de semana? — fico em choque como ele é cara de p*u de mudar de assunto, me ignorar e me dar uma ordem assim em apenas uma fala.
— Sim, quero fazer um investimento e preciso conhecer o espaço, a empresa e donos.
— Preciso de mais informações para agendar voos, o cartão da empresa, hotel desejado.
— Vamos no meu jato, e para a minha casa. — concordo com a cabeça surpresa, mas sigo em meu papel.
— Certo, mas ainda é função da secretária organizar as informações, mesmo que o piloto contratado seja seu, e a casa também, deve precisar de alguma limpeza, compras...
— Eu cuido disso Lorena, apenas esteja pronta, e além disso.
— O que? — estou em sentindo angustiada por não ter nada para segurar, seguro a barra de meu vestido nervosa, é muita coisa para processar, estou me sentindo tomada por ele em tão pouco tempo.
— Belo vestido. — diz elogiando a cor preta que visto, o decote educado deixa pequena visão do topo de meus s***s, mas de maneira não extremamente vulgar ainda.
— Obrigada senhor, eu devo confessar algo, antes de seguirmos com a minha contratação de fato, sou chata com isso e prefiro levantar a causa antes de qualquer coisa.
— Prossiga. — diz calmo e eu respiro fundo antes de falar a coisa mais vergonhosa da minha vida, ele pode me julgar, achar que sou oferecida ou louca por imaginar coisas, tudo o que eu disser a seguir pode ser m*l interpretado, mas assim eu continuo.
— Eu prefiro que evitemos olhares, elogios físicos, não gostaria de confundir qualquer relação com meu chefe, e nem digo por mim, mas esse elogio na frente de outros pode ser m*l visto, e gosto de manter minha posição de confiança como secretária.
Ele tem diversas mudanças de sua expressão, mas parece decidir por escolher e permanecer com uma zangada, não muito brava, nem irritada.
— Lorena, você é minha, secretária, eu irei sim elogiar quando eu achar necessário, não me importo com o que qualquer um pense sobre isso, e se sua honra for duvidada em qualquer momento pode confiar que eu irei tomar providências.
— Mas senh... Eduardo.
— Não questione minhas vontades, chegamos, não gaste sua energia nessa discussão, ainda temos todo um contrato para discutir e assinar, mantenha ânimo.
— Não será o padrão como quando comecei a trabalhar para o senhor Joaquim?
— Eu não sou uma pessoa comum como o Joaquim, preciso de mais coisas, vamos.
O motorista para o carro e percebo que esperam o que homem do lado do passageiro sair para liberarem as portas de trás, eu saio rapidamente começando a seguir o senhor Torres.
— Eu posso me despedir do meu chefe agora? — questiono enquanto aguardamos o elevador e recebo um olhar feio.
— Vamos passar lá, se é o que você deseja.
— Obrigada.