Cavaleiro Narrando Nem fui no quarto falar com a Lorena. Só mandei uma mensagem curta: — Preciso sair, volto logo. Não dava pra olhar no rosto dela e fingir que a noite ia ser tranquila. Peguei o carro e fui direto pro galpão. Assim que cheguei, senti o cheiro de ferrugem, óleo queimado e sangue antigo impregnado no lugar. O George já tava lá, esperando, e me guiou até a salinha. Não era a mesma onde a prima da Lorena estava, mas hoje será o cenário final. Hoje eu vou matar dois coelhos com uma cajadada só. Quando empurrei a porta, vi o Ruan amarrado na cadeira, suado, olhos vermelhos, espuma no canto da boca, igual cachorro louco. Tava tentando se soltar, puxando as cordas até abrir a pele dos pulsos. Confirmei com os olhos. Ele tava preso. — Cem mil — falei seco. — George, tira

