Lorena Narrando Cauã saiu sem nem dar tchau. Só mandou uma mensagem seca, avisando que tinha que sair. Fiquei parada olhando pra tela do celular, sem entender. Era sábado à noite, a gente podia estar juntos, mas ele simplesmente sumiu. Jantei sozinha, a comida parecia sem gosto, e o silêncio da casa só me deixava mais incomodada. Depois fui lá fora, precisava de um pouco de ar. O Chelo estava sentado perto do portão da garagem fumando, como sempre. Me aproximei e soltei a pergunta atravessada na garganta: — Você sabe pra onde o Cauã foi? Ele me olhou de lado, soltou a fumaça devagar e deu de ombros. — Não sei, não, Lorena. Arqueei uma sobrancelha. Claro que sabia. O Chelo sempre sabe. Só não queria me falar. Suspirei fundo, sem insistir. — Bem que você sabe. Só não quer me dizer.

