Lorena Narrando Ver minha avó naquela UTI foi uma das coisas mais duras que já vivi. O corpo frágil dela, cheio de marcas da covardia, os aparelhos apitando, o oxigênio forçando cada respiração, parecia que a qualquer momento ela podia me deixar. Meu peito estava pesado, parecia que eu ia sufocar ali mesmo. Voltamos pra casa em silêncio. O Cavaleiro saiu, não disse nada pra onde ia, e eu fiquei com a Larissa. Ela me olhou preocupada, pegou um copo d’água, colocou açúcar e me entregou. — Bebe, Lorena. Vai te acalmar. Peguei o copo, mas eu não queria me acalmar. O gosto doce me enjoava. Eu não queria paz, eu queria justiça, eu queria que quem fez aquilo pagasse caro, que sentisse na pele cada dor que a minha avó sentiu. Sentei na beira da cama, mas as lágrimas não paravam de descer. Lar

