Pré-visualização gratuita PRÓLOGO
Pov's Sophia Brunetti.
Nova York City- Quarta-feira/ 07:45 AM.
Eu era uma viciada em drogas. Morava nas ruas pedindo esmola. Tudo que eu ganhava, eu ia para boca de fumo ou trocava por drogas.
Tinha vez que eu vendia o meu próprio corpo, em troca de alguns trocados. Os homens se aproveitavam de mim, se aproveitavam do meu vício.
Além dessa realidade, eu tinha que cuidar da minha filha de 10 anos. Sim, eu era a mãe de uma pestinha.
Júlia enchia minha paciência, era tão danada que me dava nos nervos. Ela disputava comigo, para ver quem roubava mais.
Sai do transe, pegando os meus pertences de dentro da caixa onde os presos guardavam quando iam presos. Era mais uma noite que eu havia passado neste chiqueiro de cela.
Que inferno!
O xerife me olhou com o olhar torto. O bicudo já não aguentava mais me ver aqui. Toda semana eu ia presa e pega em flagrante.
— Como pode essa mendiga, ser uma advogada. Como é possível!
O policial cochichou com outro, tirando sarro da minha cara.
Parei os meus passos e atrevidamente fui até os marmanjos. Ambos eram mais altos do que eu, mas tentei ficar de ponta de pé, intimidando-os:
— Olha jeito que tá falando comigo, cara! Toma cuidado—ameacei, lhe apontando o dedo.— Uma arma não vai te proteger sempre não, viu.
— Cala a boca, v*******a! Sai daqui! Dar fora.
Fui expulsa sendo empurrada para fora da delegacia. Cai na calçada de joelhos, pela força que brutamonte do policial usou para me jogar no chão.
— Isso aí é a***o de poder, eu vou denunciá-los. — aos gritei, comecei ameaçar.— Não vai ficar assim não. Minha carteirinha de advogada ainda tá valendo. A "mendiga" pode acabar com a carreira de vocês, seus cretinos!
O focou mudou imediatamente, quando:
— Mamãe.
Júlia veio me agarrar. E revirei os olhos, com a preocupação exagerada.
— Não encosta em mim.— me soltei, fria.— E para de me chamar de mãe. Quantas vezes eu tenho que pedir isso? Caramba, que coisa chata!
Ela se afastou, com a carinha de choro, quando comecei a reclamar.
— Eu passei a noite aqui te esperando do lado de fora, eu tive muito medo.— seus bracinhos se enroscaram, tentando me abraçar de novo.
— Não deveria, deveria tá dormindo.— a tratei com desdém.– Ou no sinal, pedindo esmola.
— Eu não fui hoje.— a voz manhosa emitiu.
— E vamos comer o quê? Já pensou?
— Sobrou gorjetas de ontem. Olha, Sophia.— a menor mostrou.
— Ótimo, vamos numa lanchonete, eu tô morrendo de fome. Minha barriga tá roncando.
A puxei, apressadamente, atravessando o sinal; mesmo estando verde. Mostrei o dedo do meio, quando os carros começaram a buzinar, e os motoristas gritavam: " sai da frente, maluca".
Eu era muito atrevida, não levava desaforo.
Fomos numa lanchonete de quinta categoria. O dono quis no barrar na entrada, por conta da aparência.
— Se é pra pedir esmola, fiquem aí mesmo.
— Ah, coitado! Podemos pagar, velho. Se o problema é dinheiro? Toma!— arremessei as moedas sobre o chão, espalhando por toda parte.
Adentrei na maior arrogância, puxando a mãozinha da Júlia. Nós duas nos sentamos super a vontade, como se fôssemos clientes vips.
— Peça o que quiser.— falei pra ela, enquanto a pequena olhava o cardápio e enchia os olhinhos querendo comer hambúrguer.
— Mas não podemos pagar, mamãe.
— Vai sair de graça, não se preocupe.
Tentei seduzir o velho, dando uma piscada de olho para ele. Mas o s****o virou rosto, fazendo uma careta de nojo.
Eu não tomava banho há três dias, estava podre.
Passava no jornal na tv notícias. Não que aquilo fosse algo do meu interesse. Mas eu queria irritar e chamar atenção.
— Aumenta o volume.— gritei, fazendo os clientes se incomodarem com a minha voz; e principalmente com meu jeito exagerado. — TÁ ESPERANDO O QUÊ, VELHO? EU TÔ PAGANDO.
Fiz o homem se levantar e pegar o controle remoto. Júlia e eu rimos, ela era uma criança tão perversa quanto eu.
" A última informação sobre o caso Smith teve atualização na manhã de hoje. O promotor acusado de m***r a esposa segue preso, a audiência de custódia ocorrerá nesta sexta-feira. A defesa alega que promotor é inocente e não cometeu o assassinato"
Assistia à reportagem, entediada.
" Mais tudo indica que promotor Ryan Smith pegará prisão preventiva, até o julgamento."— a foto dele apareceu e engoli em seco.
Travei, vendo o rosto do maldito que acabou com a minha vida, sendo exibido na televisão.
— Mamãe, você conhece aquele homem?— a pergunta inocente, me tirou do sério.
— Fica quieta, Júlia!— mandei, sem tirar os olhos da tv.
Eu estava pálida, sem nenhuma expressão. Passava um filme pelos meus pensamentos, da época que era uma advogada de respeito e não uma ladra.
— Tá vendo aquele miserável da TV?— apontei, e Júlia balançou a cabeça.— Ele fraudou o concurso para ser promotor, eu que deveria ser a promotora e não ele!
— Ele tomou seu lugar, mamãe?
— Tomou. Só porque ele é filho de uma desembargadora. Ah, tomara que ele apodreça na prisão!
Levantei, decidida ir até o tribunal pra vaiar ele, quando descesse da viatura algemado. Queria tanto poder ser advogada de acusação, só para ferrar com a vida daquele promotor de m***a.
Mas meu pai havia me expulsado do escritório de advocacia, quando eu comecei a me drogar. Perdi totalmente ligação com a minha família.
E a minha vida literalmente acabou, quando não fui nomeada a promotora. Eu me senti tão decepcionada com a justiça, que eu mandei um f**a-se pra tudo!
E principalmente, que o baque maior veio por parte do homem no qual eu era noiva. Ryan e eu iríamos nos casar. Havíamos nos conhecido desde da época da faculdade de direito.
Nos apaixonamos e criamos inúmeros planos juntos. Mas daí, ele roubou a minha vaga e me deixou para trás.
Essa foi a maior decepção da minha vida.
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