Capítulo 2 DAMIEN MOGILEVIC

1192 Palavras
Alguns dias se passaram desde a última visita do Reverendo Mathias na Basílica. Estava indo com mais frequência no altar, até comecei a fazr jejum prolongado, um propósito da busca de paz no interior do meu ser, mas os pesadelos estavam ainda presentes o que me fez refletir. Então passei a orar em propósito de outras pessoas, a fazer visitas nas casas de quem precisavam, meus trabalhos árduos repercurtiram para boas recomendações, o que me levou á fazer uma escolha. — Você está pronto, filho? — O padre Estevão entrou em meu quarto, estava vestindo uma batina mais simples, a Cerimônia inicial para mim poder me tornar seu dicípulo e por final, ficar ao seu lado na administração da Basílica Maria Degli Angeli. — Estou pronto. — Depois de muito tempo refletindo no livro Sagrado e nos ensinamentos do reverendo, finalmente decidi dar o primeiro passo. A cor da batina era totalmente branca, sem enfeite algum. Após a cerimônia, iria começar a passar meu tempo no confesionário, ouvir as pessoas e seus pecados, adquirir as habilidades de dar uma solução para eles terem a verdadeira redenção e readmissão de todos os pecados cometidos. A cerimõnia ocorre tudo de forma tranquila, e após ela, finalmente havia conquistado o meu espaço no confessionário. era como se fosse uma caixa fechada onde uma janela pequena de madeira se erguia na parede que também parecia ser de madeira. Com as orientações de Estevão, comecei a pegar o jeito de se conversar e ouvir as pessoas, e toda vez que eu fechasse o confessionário, teria de fazer uma oração para fortalescer ainda mais os meus pensamentos impróprios. Pórém, não estava preparado para os eventos que iriam se seguir adiante. Quando eu estava prestes de erguer os meus joelhos do chão, uma figura feminina rompeu o salão de forma desesperada e foi até onde me encontrava, a mancha em vermelho me trazia uma sensação estranha, o tecido da roupa da mulher estava me tirando toda a atenção que deveria ter ali. — Padre! Eu pequei. — Tais palavras saíram de seus lábios de forma sôfrega e exaustiva por conta de ter vindo de forma apressada. — Diga-me, quais são… — A frase saiu de forma espontânea, meu coração se acelerava de uma forma estranha. — Pequei contra meu marido, coisas terríveis. — Ela não parecia ser culpada de algo. Mas seu olhar perante os furos da madeira que nós separava, era penetrante e demonstrava sinais de alguém que pedia ajuda. Sua história começou a ser contada e aos poucos, me sentia um inútil. — Passei muitas noites em claro, esperando que ele viesse me cobrar, me fazer pagar. — Seu estado de pânico ativou um lado em mim que há muito tempo não sentia. Levantei e abri a porta, ela estava vestida com um casaco grande que lhe cobria o corpo, seu rosto era belo, o nariz fino, lábios avermelhados e olhos um pouco puxados para o lado, não parecia ser oriental e chinesa, os traços eram leves, delicada. O detalhe maior não estava em sua beleza natural, mas abaixo do olho direito, uma mancha arrocheada, como se fosse olheira, estava com resíduos de maquiagem em volta, o que não lhe ajudou a esconder o hematôma. — Vem comigo. Irei lhe mostrar o caminho. — Segui em direção dos dormitórios e lhe mostrei um quarto vago. — Bom, o horário das refeições aqui são um pouco mais tarde por conta das orações. — Expliquei e ela sorriu em agradecimento. Senti a garganta arranhar, quando a porta se fechou em minha frente. O que setá que foi isso? Passei a mão na minha cabeça tentando dissipar os meus sentimentos, já faz muito tempo que não me sentia atraído por ninguém. Mas havia algo estranho que a rodeava. O motivo não era o pecado cometido, nunca algo que faz você fugir é simples como parece ser, há algo a mais nessa história e eu irei descobrir. — Você precisa se perdoar, para poder então, conseguir prosseguir. — Sentia que aquele conselho era mais para mim do que para a moça misteriosa. — Na verdade… Eu não tenho para onde ir. — Ela sorriu forçadamente e percebi um brilho em seus olhos. — Os meus pais morreram e Enrico me confiscou todos os meus bens. Eu não deveria fazer isso, mas o comichão em minha nuca me impedia de raciocinar claramente. As minhas mãos suavam, o meu pescoço já estava molhado embaixo do pano da batina, fazia muito tempo que não me sentia aturdido dessa maneira. — Pode ficar aqui por alguns dias. Temos quartos vagos na ala dos dormitórios das irmãs. — Ela soltou um longo suspiro, aliviada. — Muito obrigada! — Ela agradece e assim fecha a porta me deixando sozinho. — Filho? — Estevão apareceu de repente. — Padre! — O susto foi pequeno, mas não deixaria de ser um susto. Ele ficou observando a minha reação, o que me deixou ainda mais constrangido. Passei a mão nos cabelos em um ato de nervosismo, então vi que sua expressão se suavizou. — Está tudo bem? — Sim. Eu só estava resolvendo um assunto importante aqui, o que me faz lembrar que vou precisar conversar com o senhor mais tarde. — Tentei disfarçar, mas o feio no estômago não colaborou muito. — É algo muito grave? Consigo conversar com você agora, se quiser me acompanhar até o meu gabinete. — Não seria um assunto de extrema urgência, mas se tiver tempo… Preciso de seus conselhos. — Afirmei o que estava sentindo desde que coloquei os meus olhos em Andrea. Ele consentiu e me guiou até o seu escritório, o ambiente continha bastante livros e prateleiras, os móveis antigos de madeira maciça se destacavam e a janela trazia boa iluminação para todo o espaço. Não sabia como iria começar essa conversa, mas era necessário. — Sente-se filho! Me conte o que está te afligindo. — Estevão me conhecia muito bem, nesse pouco tempo de convivência ele entendia quando algo me preocupava. — Lembra da nossa última conversa antes da iniciação? Eu preciso retomar o mesmo assunto. — Entendo. — Ele parecia tranquilo, seus dedos se cruzaram em cima da madeira da mesa enquanto me escutava atencioso. — O meu passado sempre foi conturbado, mas hoje me sinto estranho em relação as minhas escolhas. — Você acredita que possa ter feito a escolha errada? — Não seria só isso! É a minha mente. O que me torna assim como eu sou, o passado não é simplesmente apagado, não consigo esquecer de onde vim. — Ele faz parte de nós, Damien. Só nos resta a escolha, se deseja mudanças, ou não. Cabe apenas a nós escolher. Você está inseguro quanto ao seu futuro, mas saiba que, não importe qual seja a sua escolha, estarei aqui para te apoiar e te guiar. Meu coração acelerou com as suas palavras, ele estava certo. A minha escolha me fez abrir os olhos para a situação, eu não deveria dar ouvidos às vozes do passado, mas sim fazer o que é certo e nesse momento, o certo é tentar entender esses sentimentos novos que me rodeiam.
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