Antonio Di Caro estava no topo de sua torre de marfim, observando o panorama da cidade com um olhar calculista. Ele sempre gostava de ficar no seu escritório, longe das interações triviais que consumiam o tempo dos outros líderes mafiosos. Seu pensamento estava sempre mais à frente, analisando os jogos de poder, as alianças que surgiam e as que se desfaziam. Era assim que ele se mantinha relevante: ele nunca perdia o controle.
Mas naquele dia, as coisas estavam diferentes. Ele havia ouvido rumores sobre Dante Valentini, o jovem CEO que não só controlava uma das maiores empresas do país, mas também estava tomando as rédeas da família mafiosa Valentini com uma astúcia que poucos poderiam compreender. Ele sabia que Dante estava se aproximando de algo grande, mas ainda não sabia exatamente o quê.
Foi quando a notícia chegou a ele, sem aviso, e a verdade se revelou. O casamento entre Dante Valentini e Isabela Moretti era uma jogada estratégica. Não era apenas sobre o que parecia ser, um simples casamento de conveniência. Era uma aliança de poder. A união de duas famílias poderosas significava que as possibilidades de expansão de Dante se tornariam quase infinitas. Se esse casamento fosse concretizado, as famílias que se opusessem a ele seriam esmagadas, não em um ato de violência, mas em uma manobra de controle e influência que Dante poderia exercer sobre todos.
Era uma jogada brilhante. Dante e Isabela, com suas famílias entrelaçadas, seriam imbatíveis. Antonio sabia disso. E ele sabia que essa aliança, se completada, significaria o fim da sua própria família. A família Di Caro seria deixada sem força para resistir.
Os olhos de Antonio estreitaram-se. Ele sempre teve um ótimo olfato para problemas, e agora um grande problema estava à sua porta. Mas ele não seria pego de surpresa. Ele precisava agir, e rapidamente.
Com uma calma sinistra, Antonio pegou o telefone e ligou para seus homens. Ele tinha algo em mente, uma ação precisa e rápida. Ele não poderia deixar Dante consolidar esse poder sem uma reação. No mundo em que viviam, o silêncio era o maior inimigo.
— Eu sei do casamento de Dante. E sei o que isso significa — disse ele, sua voz baixa e controlada. — Preciso que vocês tomem uma atitude... agora.
Ele fez uma pausa, observando a cidade. Por um momento, o poder que ele tinha parecia pequeno diante da magnitude do que Dante estava prestes a conquistar. Mas Antonio não era um homem que se deixava intimidar. Não importa o quão alto alguém voasse, ele sabia como derrubá-los. E se fosse preciso usar métodos extremos para garantir sua posição, ele faria.
— Encontrem Isabela Moretti — ordenou. — E façam isso rápido. Eu não quero que ela esteja viva quando Dante descobrir que a aliança já está perdida para ele. Vamos acabar com essa história antes mesmo de começar.
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A invasão ao hospital foi meticulosamente planejada. Antonio sabia que, para esmagar um inimigo, era preciso cortá-lo pelas raízes. Se Dante acreditasse que Isabela estava segura, ele estava errado. Ela não deveria existir para Dante se o casamento fosse ameaçado. E, naquele momento, ela era a única chave para desfazer toda a construção de poder que Dante estava tentando erigir.
Os homens de Antonio invadiram o hospital com uma violência precisa, armados e com o rosto encoberto. Eles sabiam que a situação tinha que ser resolvida rapidamente e sem testemunhas. Se Isabela fosse eliminada, Dante perderia o controle sobre a aliança, e com isso, perderia sua posição. O relógio estava correndo.
Isabela estava no seu turno, como sempre. O hospital era seu campo de batalha diário, mas naquele momento, ela não sabia que o campo estava prestes a ser invadido por uma força muito mais perigosa do que qualquer emergência médica que ela já tivesse enfrentado. Os homens mascarados avançaram com passos rápidos, e em poucos minutos, o hospital foi tomado.
Os gritos e o caos começaram, mas ninguém sabia exatamente onde ela estava. Isabela, com seus instintos afiados, já percebera que algo estava errado. O pânico estava no ar, e ela sabia que a única coisa que poderia fazer era fugir. As portas se abriram violentamente, e três homens armados apareceram em sua sala. Eles sabiam quem ela era, e o objetivo estava claro.
— Doutora Moretti, você vai vir conosco — disse um dos homens, com a voz grave e ameaçadora. O outro homem ao lado dele não dizia nada, mas sua postura era ameaçadora. Isabela estava cercada.
Com rapidez, ela pegou o primeiro objeto que viu — um kit médico — e o atirou contra um dos atacantes. Ele se distraiu por um momento, e isso deu a ela a chance de correr. Isabela foi mais rápida que eles, mais ágil do que esperavam. Ela pulou pela janela, o corpo se chocando contra o concreto, mas ela não se deteve. A dor em sua perna não importava. Ela corria por sua vida.
Enquanto isso, dentro do hospital, o caos só aumentava. A notícia da invasão e da tentativa de assassinato de Isabela rapidamente se espalhou, com os repórteres chegando e as câmeras transmitindo ao vivo para o país inteiro. O nome de Dante Valentini, embora não mencionado diretamente, estava nos pensamentos de todos. Todo o cenário de poder, de alianças e traições estava sendo desmantelado diante dos olhos de Antonio Di Caro.
O líder da família Di Caro assistia à transmissão ao vivo, um sorriso maquiavélico surgindo em seus lábios. Ele não estava feliz pelo ataque em si, mas sabia que a estratégia dele estava funcionando. O casamento de Dante estava em ruínas. E, com isso, as perspectivas de Antonio, por mais sombrias que fossem, finalmente pareciam mais promissoras.
Mas não demoraria muito para que Dante soubesse do que acontecera. E, quando soubesse, a fúria dele seria inimaginável.
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Dante Valentini estava em uma reunião em seu escritório quando o telefonema chegou. O assistente entrou com pressa, sem saber exatamente como entregar a notícia.
— Senhor, há uma situação urgente — começou, com a voz trêmula.
Dante sabia que algo estava errado. Ele levantou-se rapidamente, sem esperar que o assistente falasse mais.
— O que aconteceu? — perguntou, a voz profunda e séria.
— Doutora Moretti foi atacada, senhor. Eles tentaram matá-la no hospital. Estamos tentando localizá-la, mas ela conseguiu escapar.
A notícia caiu como uma bomba. Dante olhou para o assistente, seus olhos agora frios e calculistas.
— Quem fez isso? — a pergunta saiu com um rosnado.
— Temos razões para acreditar que foi a família Di Caro. Eles devem ter sabido sobre o casamento e… tentaram destruir tudo antes que fosse tarde demais.
A raiva em Dante foi instantânea e incontrolável. Ele pegou o telefone com uma violência quase animal e, com um movimento brusco, fez as ligações necessárias.
A guerra começava ali.