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802 Palavras
Dante Valentini entrou no quarto do hospital com uma fúria gelada. Seus passos eram precisos, sua postura rígida, e seus olhos carregavam a determinação de um predador que havia identificado sua presa. Isabela estava sentada na cama, o rosto pálido e os olhos vermelhos. Ela havia tentado limpar as lágrimas, mas o desespero ainda estava estampado em cada detalhe de sua expressão. Ele a encarou por um momento, mas não disse nada. Era raro para Dante não falar imediatamente, mas ele sabia que precisava controlar suas emoções. Deixar que sua raiva transparecesse não resolveria nada, e ele precisava entender o que tinha acontecido antes de agir. Isabela ergueu os olhos para ele, e a dor em seu olhar fez algo que poucas coisas no mundo conseguiam fazer: desestabilizou Dante por um instante. Ele viu o medo, a vulnerabilidade, mas também algo mais. Raiva. Desgosto. — Você está bem? — ele perguntou, a voz baixa, mas cortante. Ela não respondeu. Apertou as mãos contra o lençol, como se estivesse tentando encontrar forças para lidar com a presença dele. Por fim, respirou fundo e explodiu: — Estou bem? Como você tem coragem de perguntar isso, Dante? Eu fui atacada no meu local de trabalho, no único lugar onde eu me sentia segura. Tudo isso porque você me arrastou para o seu mundo! Ele estreitou os olhos, mas permaneceu em silêncio. Sabia que era melhor deixá-la falar. — Eu dediquei minha vida à medicina, à minha carreira. Passei anos tentando me afastar desse mundo podre que você representa. E agora, por causa de um contrato que eu nunca quis, estou presa a você, presa a essa vida que eu abomino! — Ela levantou-se da cama, os olhos brilhando de lágrimas e raiva. — Eu quero sair disso. Não vou me casar com você. Não posso. Você é perigoso, Dante. Traz perigo para mim, para minha vida, para tudo o que eu amo. Eu só quero ser médica. Quero salvar vidas, não viver fugindo da morte! Dante ficou imóvel. Seu rosto era uma máscara de calma, mas por dentro, uma tempestade de emoções crescia. Quando ele finalmente falou, sua voz era baixa, mas cada palavra carregava o peso de sua fúria controlada: — Eu não vou permitir que você saia. Você é minha, Isabela. E ninguém toca no que é meu. Ninguém. Ela riu, incrédula, mas havia amargura em seu tom. — Eu não sou sua! Tira isso da sua cabeça, Dante! Eu não sou um objeto que você pode possuir. Eu não sou sua! Ele se aproximou, cada passo meticulosamente calculado. Parou a poucos centímetros dela, sua presença esmagadora. Quando falou novamente, seu tom estava mais frio do que antes. — Descreva o homem que te atacou. Isabela hesitou, surpresa com o comando repentino. Ela recuou um passo, tentando manter distância, mas o olhar de Dante era implacável. Ela sabia que ele não sairia dali sem uma resposta. Respirou fundo, os olhos ainda brilhando de raiva e medo, e começou: — Ele tinha pele morena, olhos pequenos e intensos. Um corte no supercílio direito, profundo, como se fosse uma cicatriz antiga. Estava usando um terno escuro, mas não era caro... parecia algo funcional, fácil de se misturar na multidão. Ele tinha um sotaque do sul, como se fosse de Nápoles. E um relógio prateado na mão esquerda, algo grande, talvez chamativo demais para quem tenta passar despercebido. Ele disse... ele disse que não estava ali por mim, mas sim para mandar um recado. Dante ouviu cada palavra com atenção. Sua mente trabalhava rapidamente, montando o perfil do homem. Ele já sabia exatamente quem era. O relógio prateado foi a confirmação final. — Luigi Salerno — ele murmurou, quase para si mesmo, enquanto seus olhos ganhavam um brilho letal. Ele se virou para Isabela, e o gelo em sua voz era aterrorizante. — Pode ter certeza, Isabela. Esse homem está morto. Assim como o homem que o enviou. Ela arregalou os olhos, sentindo a ameaça naquelas palavras. — Você não pode simplesmente... — começou, mas ele a interrompeu. — Eu posso. E vou. Porque ninguém, absolutamente ninguém, toca no que é meu e sai ileso. — Eu não sou sua! — ela gritou novamente, mas ele já estava virando as costas para sair. Antes de cruzar a porta, ele parou e olhou por cima do ombro. — Meu motorista está esperando para te levar para casa. Você não ficará aqui. Não vou arriscar sua vida novamente. Vou resolver isso agora. Sem esperar resposta, ele saiu, deixando Isabela sozinha no quarto, tremendo de medo e raiva. Ela sabia que Dante era perigoso, mas só agora começava a entender a extensão de seu poder e determinação. Enquanto ela se sentava novamente na cama, abraçando os joelhos, a única coisa que conseguia pensar era: Como eu vou escapar disso?
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