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1507 Palavras
Não tive permissão para me deitar em algo confortável, como o sofá que estava na sala. Era para continuar no chão, mas pelo menos agora, havia vestido o conjunto de roupa branca, que não estava tão branco, estava amarelado em diversas partes e o cheiro que saía das peças era repugnante. Me mantive o mais encolhida possível, tentando ficar invisível aos olhos dos homens que transitavam pela casa. Temia que me estuprasse novamente, que me usassem e que me largassem depois naquele chão frio. Só de imaginar eles me tocando, me lambendo e enfiando suas línguas e seus pênis, dentro da minha boca, tinha um ataque forte de ansiedade misturado com pânico. Eu chorava o mais baixo possível, ainda tentando não chamar atenção para mim. Enfiava minha cabeça entre meus joelhos e me forçava a me imaginar em outro lugar, num lugar feliz e que me sentia segura. Só que eu não conseguia, não conseguia dar isto para mim mesma. Invés disso, peguei no sono, ali mesma sentada, soluçando e sentindo tremores e dores pelos meu corpo. Mesmo dormindo, os ouvia conversar ao longe, ouvia suas risadas e sentia o mix de perfume, mas pelo menos não se aproximavam de mim. O silêncio repentino se arrastou por um longo tempo, neste período me senti um pouco segura, não o suficiente. Mas pelo menos, sabia que não estavam por perto e que não tentariam nada, aproveitei este “tempo” e cedi ao sono. Não sei quanto tempo se passa, até o momento em que ouço novamente um par de vozes, pelo menos, uma voz e questão era familiar e me fez abrir os olhos quase de imediato, os semicerrando, encontrando uma figura longa de ombros largos não muito longe de mim, no meio do cômodo, diante de Matias. - Se divertiram? - Christian pergunta, com certa malícia na voz, sem olhar diretamente para mim.- Deu para o gasto - Matias ergue um dos cantos da boca num sorriso - Não vai dizer que vai acabar com a nossa brincadeira - Christian não responde, o que faz com que ele prossiga - Vai matar ou...? - Não decidi ainda - diz Christian, o interrompendo - Acho que também quero me divertir. - Isso aí, chefe - Matias olha para mim, sorrindo maliciosamente - Para onde quer que eu leve ela? - Para minha casa - Christian não me olha ao sair da sala, Matias não hesita em vir até mim e me sentar bruscamente. - Acorda, bela adormecida - diz me colocando em pé com a mesma agressividade, que já estava começando a considerar costumeira. Tropeçando nos meus próprios pés, sou empurrada para fora da casa. Matias continuou me empurrando, até chegarmos do lado de fora, na rua, e ele me forçar a entrar dentro do porta malas do Gol prata. O carro ainda fica parado por algum tempo, não consegui chutar o horário pelo sol, já que o mesmo não estava alto no céu e sua temperatura em minha pele, não ajudou muito. Só sabia que ali estava quente de mais, impedindo que eu respirasse normalmente e começasse a acreditar que o ar ali estava cada vez menor. Eu iria desmaiar, tinha certeza disso. O suor se acumulava em meu rosto e em outras partes do meu corpo. Aquele compartimento ficou mais “fresco”, quando o carro começou a andar e logo já não estava crente de que iria desmaiar e sim, que estava a beira de desmaiar. Foi mais um inferno o tempo que passei naquele porta malas, querendo desesperadamente respirar, falhando miseravelmente, quando o ar não chegava em meus pulmões, causando uma agonia que não havia palavras para descrever. O carro para novamente e quando não abrem de imediato o local em que estava, começo a bater nos cantos, esperando que entendessem que deveria ter alguma coisa de errado. O ar invade de repente o porta malas, inspiro profundamente o ar, sem ter tempo de fazer com que o mesmo corresse pelo meus pulmões, invés disso, sou puxada para fora e quase caio na calçada,ao tropeçar no meio fio. Meu corpo é empurrado novamente e arrastando os pés, caminho agora para o interior da casa de Christian esperando ver Rafael em algum parte dali, mas não há nenhum sinal dele. - Bota essa sua b***a aí - Matias me empurra para a cadeira ao lado, quase caio da mesma, m*l conseguindo me manter sentada - Precisa de mais alguma coisa, chefe? - Não - diz Christian, não muito longe. - Acho que é melhor ter cuidado com ela - diz Matias olhando para mim - Ela é bastante agressiva quando quer - Ele não responde, invés disso, Matias entende como um “até logo” e não demora para ir embora. Mantenho minha cabeça baixa, não queria olhar para ele e não esperava que ele me olhasse. Naquele momento, tentava decidir se tinha raiva dele ou não, se me deixaria ser consumida pelo ódio e a vingança também ou... não faria nada. Não conseguia pensar com clareza, estava com fome, cansada e com sono.Queria dormir, só que tudo indicava que isso não aconteceria tão cedo, não estavam dispostos em me deixar dormir. - Está vendo essa casa - A voz de Christian soa de repente, mas de um jeito que ele camuflava algo. Ergo minha cabeça hesitante, dando outra boa olhada na casa. Perto da maioria das casas ali, era uma boa casa, bem cuidada, tinha tudo que alguém precisava e eu não queria pensar, chegar na conclusão, de como ele conseguiu tudo isto, se seguiu seu plano B, que sempre dizia para mim, se algo desse errado. E confesso que nunca gostei deste plano e que esperava que ele nunca colocasse em prática - É minha. Da minha família - Ele faz questão de ressaltar e mesmo com isto, não o olho - Você vai limpar essa casa de uma ponta a outra, não vai deixar um canto se quer sem limpar - Ele sentencia. Balanço a cabeça levemente. Eu tive uma vida de princesa, considerada pelos meus pais. Sempre tinha alguém para fazer minha cama, limpar a sujeira e arrumar a bagunça que eu fazia, além delavar minhas roupas. Não tinha com o que me preocupar, além de brincar e continuar este mesmo ciclo: bagunçar e sujar. Depois que casei, minha mãe ainda contratou uma boa empregada, alguém que ainda continuasse a limpar e arrumar meu ciclo. Eu “aprendi” a cozinhar, pelo menos fingia, para agradar meu marido e deu certo, pelo menos no primeiro ano de casamento. - ...eu não consigo - sussurro. - O quê? - diz ele alto. Inspiro profundamente, engolindo em seco. - Eu não consigo - digo mais alto, mantendo meu olhar baixo. Ouço ele sorrir, o som faz com que meus ossos congelem e que eu sinta um forte tremor. - Claro que consegue - diz com um otimismo forçado - Minha mãe conseguiu durante anos, enquanto trabalhava para sua família, doente, com os olhos doentes, todos os dias ela estava lá! - Não percebo quando ele se aproxima de repente, segurando meu queixo com força, ergue minha cabeça, me forçando a olhar dentro de seus olhos sombrios irreconhecíveis - Você vai fazer o que estou mandando ou posso obrigar você também - Sustento seu olhar, sabendo que minhas opções não eram muito tentadoras. Levanto devagar, o que faz com que ele erga um dos cantos da boca num meio sorriso - Você ainda continua inteligente - Pontua, por fim. Ele se afasta de mim, indo sentar no sofá, ligando a tv por último. Passo pela sala, ainda arrastando os pés, precisando me apoiar nos móveis e parede para não cair. O interior da casa não lembrava mais a antiga casa que ali ficava, tudo ali era maior, os cômodos, os móveis melhores. Tudo estava diferente. Segui o corredor em forma de L até o final, chegando em uma cozinha, quase do tamanho de uma das cozinhas que tinha na casa dos meus pais e finalmente encontro a área de serviço, aparentemente com tudo que eu iria precisar. Pego uma vassoura e um balde com produtos de limpeza, deixando a área de serviço. Paro diante, mais uma vez da cozinha, me dando conta da bagunça que havia ali. m*l conseguindo me manter em pé, decidocomeçar por ali, parecia ser o mais certo a se fazer, a cozinha estava revirada de ponta cabeça. Me aproximo da mesa retangular, colocando os copos sujos na pia e os alimentos nos armários, no início de forma lenta, no limite que meu corpo conseguia. Eu sabia que naquele ritmo, demoraria ainda mais, mas estava dando meu melhor, me esforçando. A pia estava repleta de louça, quando esvaziei a mesa e diante de tantos pratos e copos, sem saber os lavar direito, me arrisquei, m*l sabendo como se lavava direito. - Só para você saber - diz Christian de repente, chegando a me assustar - Tem câmeras, caso cogite na ideia de comer alguma coisa sem a minha permissão.
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