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1525 Palavras
Não havia se quer saído da cozinha. Muito menos terminado de lavar toda a louça. A impressão que tinha, era que quanto mais lavava os copos, mais eles se multiplicavam, além dos pratos e todas aquelas panelas. Não pareciam ter fim! Só conseguia pensar, aonde tudo isto iria parar, me questionava se quando Christian tivesse sua vingança, se iria me deixar ir. Ou me matar. Não aguentava ficar em pé mais, minhas pernas não paravam de tremer, além disso, meu estômago roncava dolorosamente e já não sabia a quanto tempo estava naquele jejum forçado. Eu só sentia aquela necessidade extrema de comer o mais rápido possível e meu corpo ainda mais fraco, por falta de alimento. Tento chegar na cadeira mais próxima para me sentar, esperando que se fizesse isso, me sentiria um pouco melhor mas, falho no momento em que tento puxar a cadeira, batendo com força minha cabeça na própria, antes de cair ao chão. Reviro meus olhos nas órbitas, me sentindo incapaz de manter meus olhos abertos, agora a minha cabeça além de girar sem parar, ainda por cima doía. Uma dor aguda e profunda, assim como as demais que já haviam em meu corpo. Tento focar meus olhos em algum ponto no teto, me manter acordada, lúcida. - Você não está fazendo o que mandei - Ouço a voz de Christian inicialmente ao longe, só então após alguns instantes, percebo que estava próximo de mim, para ser mais exata, perto do meu corpo. -... não consigo mais - sussurro. - Consegue, Laura. Você consegue - diz me forçando a tentar ficar sentada, mas não conseguia, meu corpo já não obedecia e todas aquelas dores... já não as suportava mais - Levanta, agora - Sua voz soa entre dentes. Respiro pela boca, não conseguindo manter meusolhos abertos - Agora! - Grita, quando sua ordem não tem nenhum efeito sobre mim. Meu corpo faz um som estranho, quando bate no chão, movo minha cabeça para o lado, sentindo minhas pálpebras ainda mais pesadas, além de sentir o gosto persistente de sangue em minha boca. Aquele gosto amargo parecia que nunca mais me abandonaria. Ouço ele conversando com alguém, talvez com Matias, encontrando um jeito de se livrar do meu corpo. Eu sabia que existia diversos métodos para se livrar do corpo de uma pessoa e que eles não arrumariam nenhum problema com isto. Em determinado momento, não consigo mais processar o que estava acontecendo ao meu redor. Era como se eu fosse uma máquina, sendo tirada de repente da tomada. De vez em quando, recobro a consciência, não por muito tempo, apenas para perceber que não estava sozinha. Havia pelo menos duas pessoas, só não conseguia identificar suas vozes. E latidos. Muitos latidos. Perto de mim e ao longe. O cheiro pelo menos era familiar e característico de um pet shop, mas eu não tinha ideia do que poderia estar fazendo naquele lugar. Alguém se inclina sobre mim, estava deitada sobre algo metálico e frio, pude perceber que a superfície era lisa, graças as pontas dos meus dedos que ali roçaram. O homem fala consigo mesmo, enquanto suas mãos mexem em mim, mas não de um jeito obsceno, era como se estivesse me examinando. Sinto algo entrar em uma das veias do meu braço, só que não tenho nenhuma reação, apenas sinto o líquido se espalhando gradativamente. Depois disso, perco a consciência novamente. Acordo mais uma vez com os latidos, com aquela superfície desconfortável e a vontade de beber água. Meus lábios estavam secos e rachados, quando passava a língua sobre eles, os sentia arder. Abro meus olhos o máximo que posso, movendo a cabeça de um lado para o outro, tentando ver o local que estava. Parecia ser uma sala de hospital, mas eu sabia que não era. Os barulhos externosnão eram de um hospital, havia diversos latidos vindo da parte de fora. - Que bom que está acordada - diz um homem de repente, se aproximando - Isto é bom. Seu corpo está reagindo. - Estou no hospital? - pergunto mesmo sabendo que a resposta é negativa. - Longe disso - diz sem parar de se mover ao meu redor - Está na minha humilde clínica veterinária - Abro e fecho minha boca, pasma, puxando fortes lufadas de ar pela minha boca. - Como assim?! - Consigo elevar a voz e ao mesmo tentar tentar sentar. - Ei. Continue deitada - Ele ordena, empurrando meu peito para baixo - Não está ouvindo os latidos? - Estavam ali, bem depois daquela porta. Alto e claro. - Por que estou aqui? - Choramingo, mexendo a cabeça de um lado para o outro. - Diablo mandou você para cá. - Quem?! - De quem ele estava falando? E por que minha cabeça não parava de rodar a vontade de vomitar estava cada vez maior. - Ele conhece você, pelo o que parece. O Christian! Pisco algumas vezes, mantendo o cenho franzido. - O Christian... - murmuro ainda pasma - Ele me mandou para um pet shop... - Eu falei da UPA, mas ele disse que você não precisava de tantas mordomias - Fecho meus olhos por alguns instantes. Como ele pôde?, era a apenas essa pergunta que estava fixa em mim. O que ele estava pretendendo no final das contas? - Está sentindo alguma coisa? - Ele começa a me examinar. - Sede. Ele se afasta e quando volta é com um copo descartável com água, erguendo um pouco minha cabeça, faz com que o líquido chegue até a minha boca, onde não hesito em beber de uma vez. Acabando por vomitar logo em seguida. - Era para beber com mais devagar - Meu estômago doí, me fazendo me contorcer.-.... eu preciso que me ajude - murmuro. - Já estou fazendo isso. Dando meu melhor. - Não dessa forma. Preciso que me ajude a fugir - O homem de cabelos grisalhos e óculos quadrados, para, sustentando meu olhar - Não era para eu estar aqui. Fui estuprada por diversos homens e estou sendo mantida em cativeiro - Ele escuta com atenção, até que desvia o olhar. - Eu sinto muito... - Mas ainda você pode me ajudar. - Não, eu não posso - diz sem ao menos pensar, voltando a se mover. - Você poderia dizer que eu fugi - argumento. - Está fraca demais e não chegaria muito longe. Meus lábios tremem e meus olhos se enchem de lágrimas. - Só preciso que me ajude, não me importo com o que irá dizer. - Eu já disso. Eu sinto muito - diz sério, olhando para a porta de repente, saindo dali em passos largos. Tento virar meu corpo de lado para poder sentar, até este simples gesto era uma agonia. Meu corpo doía e os hematomas pelos meus braços, explicavam parte da dor. Parecia que ninguém naquele lugar sentia piedade, nem um médico veterinário. - Ela deveria descansar mais - Ouço a voz do homem novamente, só que agora ele não está mais falando sozinho, muito menos só tem ele ali - Pelo menos, é o que eu acho - Entram no cômodo, o homem para perto da porta, enquanto Christian se aproxima de mim - Já que tocamos no assunto. O que aconteceu com ela? Christian suspira, olhando ao redor, menos para mim. - Faça ela levantar. - Mas... - Ele olha para o homem que não hesita mais, tira o acesso que estava em mim e gentilmente me ajuda a sentar. Tudo ao meu redor, gira ao redor e preciso respirar pela boca para não desmaiar. Sustento o olhar de Christian, com meu corpo indo levemente para frente e para trás, até que o mesmo sai do cômodo. - Eu desejo boa sorte à você - diz o homem ao me ajudar a descer da maca e caminhar para fora dali. Eu queria gritar para ele, que ele teria sua parcela de culpa se qualquer coisa me aconteceria mas,simplesmente desisti ao ver Christian com um Pitbull preto de olhos claros, ameaçador. Havia uma época que eu gostava de cachorros, nossa família até tinha um, que minha mãe costuma tratar como uma pessoa, mesmo nós achando estranho. Ela fazia com que o tratasse da mesma forma e as pessoas ao redor. Minha mãe chorou por dias, quase entrou em uma depressão profunda, quando misteriosamente o cachorro “sumiu”. Até recompensas ela ofereceu, espalhou cartazes e fez tudo o que estava em seu alcance, mas a c****a nunca foi encontrada e minha mãe, não quis ter outro cachorro. - Conheça o m****o mais novo da minha família, Laura - diz Christian segurando a coleira, fazendo um breve carinho na cabeça do animal - Lorde - Um sorriso surge em seu rosto, logo ele desvia o olhar do cachorro para mim e entendo naquele instante, que estava em um jogo doentio. Lorde me parecia ser um nome contraditório ao nome da c****a da minha mãe. Princesa - E sua mais nova tarefa, depois de deixar a casa brilhando, será cuidar dele. Como se ele fosse a pessoa mais importante, pois ele é - O sorriso se estreita em seu rosto sombrio.
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