9

1496 Palavras
Como a maioria das pessoas, sempre imaginei como era o céu, mesmo sem ter certeza que não seria salva. Mas apesar de tudo, não imaginei que entre eu e a porta do céu, estaria uma lembrança. Eu era contemplada quase que frequentemente por aquela lembrança, geralmente em momentos que queria relaxar. Estava no quarto da mãe de Christian, era simples, com uma armação antiga de um mosquiteiro, estava nas quatro extremidades de onde estava a cama, onde um pano branco e quase transparente estava. Uma luz um pouco alaranjada vinha de algum lugar, preenchendo todo o ambiente, o deixando aconchegante e ao mesmo tempo sexy. Todo aquele lugar me lembrava um harém, não que eu já havia ido em um mas, já havia escutado histórias de como era lá. E em meio ao lugar que parecia um harém, estava eu, deitada sobre os lençóis macios e brancos, me sentindo como se estivesse deitada sobre nuvens. O ar tinha um cheiro gostoso, uma mistura de incenso e perfume masculino preenchendo o ar. Não estava vendo meu corpo, mas sentia plenamente que estava numa e completamente receptiva. Receptiva a uma pessoa. Como das outras vezes, ele chegava de repente, as vezes via sua silhueta pelo pano fino do mosquiteiro e as vezes não. Daquela vez, ele chegou de repente, inclinando-se sobre os pés da cama, ele engatinhou lentamente sobre a cama, até seu corpo grande estar sob mim e eu sentir algo úmido roçando em meio as minhas pernas. Ele sempre estava e******o, assim como eu e saber que estávamos a um passo de...prendo o ar quando seu rosto embaçado se aproxima do meu, me beijando com seus lábios carnudos. O beijo não demora para se aprofundar, nossas línguas entrando numa sincronia enquanto dançavam; Sentia suas mãos pelo meu corpo, grandes, um pouco ásperas, percorrendo todas as curvas do meucorpo e indo de encontro justamente aonde estávamos ligados naquele momento. Seus dedos acariciam meu clítoris, trazendo uma nova onda de excitação por todo meu corpo. Abro minha boca num O perfeito, encarando aqueles olhos que nunca descobri como eram ou a qual que possuíam, me sentindo cada vez mais perto de um orgasmo, enquanto ele continuava arrematando contra meu quadril, com força e de um modo contínuo. E foi justamente nessa parte, que estava sentindo o maior prazer que meu corpo poderia sentir em uma lembrança que, acordei abruptamente. Não estava morta, estava sentindo meu coração e a minha respiração. Estava deitada sobre algo confortável, poderia ser o chão, coberto com algumas cobertas. Não importava. Estava mais preocupada com o fato de ainda estar respirando e por conhecer o teto. - Não... - Gemo baixo, movendo minha cabeça de modo angustiante, quando me dou conta de que ainda estava sob o poder de Christian - Eu não quero estar viva - Lágrimas escorrem pelos cantos dos meus olhos. Até para me matar, eu era uma completa inútil. Não havia conseguido enfiar aquela faca o mais fundo possível, ceifando dessa forma a minha vida. Não havia conseguido. Havia falhado para mim mesma. Meu tórax doeu, quando tentei me sentar e perdi o fôlego mais rápido do que imaginei. Estava mais fraca que eu lembrava e tinha a impressão que meu corpo se partiria com a facilidade de um graveto, mesmo assim havia alguma coisa me mantendo viva naquele momento. Talvez fosse aquele soro amarelado com a mistura de vários medicamentos ou simplesmente não havia chegado a minha hora. Eu ainda queria morrer, não iria resistir mais a uma rodada de humilhações da parte de Christian, com o mesmo fazendo questão de esfregar partes do passado que compartilhamos em minha cara. Eu odiava tudo que aconteceu e por algum tempo, acredito que porum tempo menor, eu sofri com isso, sofri com tudo que aconteceu e agora ele estava me obrigando a sofrer também. Se havia em seu plano, que deveria sentir ódio de mim mesma, estava dando certo. Pois eu estava com ódio de mim mesma, tamanho era o ódio que eu queria se livrar de mim mesma e que não consegui fazer isso com ele. Justamente com a pessoa que estava me ferindo diariamente. Estava pagando um alto preço por erros do passado. Solto o ar dos pulmões, ainda decida ao que não terminei antes. Com um grande esforço, consigo me virar e retirar de uma vez o acesso em meu braço, estar naquela posição fez meu tórax doer mais e eu notar ali um curativo bem feito, um igual aos que faziam em cães. Meus olhos encontram sob a bancada ao lado, um bisturi e outros objetos. Era o que precisava. Cortaria meus pulsos dessa vez e preferia sangrar até morrer do que ter que enfrentar Christian mais uma vez. Prendendo o ar, viro mais meu corpo, dessa vez caindo direto no chão. Uma forte dor me atravessa e preciso reprimir um grito para não soltar aquele grito e chamar atenção que não queria. Seguro na bancada e me puxo para cima, conseguindo ficar tempo o suficiente em pé, para pegar o bisturi. Entretanto, neste momento, a porta se abre e mesmo esperando ser o médico veterinário, não é ele que entra no cômodo e sim Christian , que anda em passos largos até mim, tirando de modo agressivo o bisturi da minha mão e o jogando contra a parede. - Você está brincando com a sorte - diz ele calmamente. - Eu tenho o direito de querer morrer - murmuro, sentindo meus lábios tremerem - Eu quero morrer. Ele semicerra os olhos, balançando a cabeça de um lado para o outro. - Você não vai morrer. - Não pode decidir isso - Preciso me apoiar na maca para me manter em pé, estava tão fraca que até o fato de ficar em pé, estava sendo um sacrifício - Eu quero morrer...Christian não poderia decidir quando eu viveria e quando ele iria querer que eu morresse. Sem qualquer aviso prévio, ele me ergue rapidamente do chão e me joga contra a maca fria, minha cabeça bate no metal, assim como meu tórax ferido. Gemo baixo, invadida mais uma vez pelas dores, esperando que meu corpo concordasse com a minha mente e parasse. Ele se inclina sobre mim, forçando com que olhasse dentro dos seus olhos, mesmo eu resistindo. - Estou no comando agora - diz baixo - Seu dinheiro. O status da sua família... aqui não tem valor algum. Você pode tentar se matar quantas vezes você quiser, irei trazer você de volta todas as vezes, mesmo que eu a mantenha em um soro - Seus olhos me analisam, olhos aqueles que um dia brilhavam como me viam - Eu decido se você morre, por quanto tempo irá permanecer viva. Eu sou seu dono. Laura. Eu gritava sem parar em minha mente, meus gritos lá ecoavam. Não aceitava ter que viver isso novamente, não aceitava ter que me ver declinada à isso, a viver uma vida que não queria e que não almejava. As lágrimas queriam vir a tona, mas as segurei a todo custo, não queria chorar mais na frente de Christian, não queria que visse minha fraqueza ou que notasse que estava definitivamente vunerável. Pois sabia que era o que ele queria, ele queria saber até onde eu iria, qual era o meu limite. Queria ter certeza se aguentava todo tipo de pressão física e psicológica, estava determinado em me quebrar não somente no meio, mas em diversos pequenos pedaços, que me veria incapaz de os juntar. Este era o plano de Christian e concluí isso olhando dentro de seus olhos. E não havia nada que eu pudesse fazer para impedir isso, nada que eu fizesse ou dissesse iria o fazer parar. Precisava descobrir o que poderia o fazer parar e, não era a minha morte, parecia que estava muito além disso. O médico veterinário entra no cômodo, mesmo com a presença dele ali, Christian demora para se afastar e quando o faz, solta um longo suspiro, inclinando a cabeça para o lado, com os olhos em mim.- Devia dar alguma coisa para ela - diz com sua calmaria familiar - Ela está queimando em febre - Ouvindo isso, o veterinário se aproxima rapidamente e mede minha temperatura com as costas da mão, voltando a se mover pelo cômodo. Isto explicava o frio que estava sentindo, que parecia estar penetrando em meus ossos, esfriando tudo por dentro de mim. O acesso volta para meu braço e mais medicamento é misturado com o soro pela metade, aos poucos me sinto sonolenta. Vejo quando Christian sai e isto me deixa aliviada, a presença dele me deixava aflita, angustiada e saber que ele não estava ali e que não iria me perturbar com sua presença, me deixava mais calma. Aos poucos sucumbo novamente ao sono, as lembranças e tudo que compunha isso. Não sabia o que era pior, se era Christian ou ter que lidar com o passado que nos ligava e que o mantinha cada vez mais vivo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR