Capítulo 5: O Golpe Final
(POV de Olivia)
"SAÍA DAÍ!" O rugido furioso de Theodore explodiu atrás de mim como um trovão. "Quem diabos te deu permissão para sentar na cadeira da minha Luna?"
Girei para vê-lo arrastando Clara do banco do passageiro, o seu rosto contorcido com o que parecia ser uma raiva genuína. Ela tropeçou e caiu no cascalho enlameado, o seu vestido branco manchando imediatamente de marrom.
"Theodore, eu só estava—" Ela começou, mas ele a interrompeu com um rosnado.
"Essa cadeira pertence a Olivia! Somente a Olivia!"
Por um segundo, algo caloroso crepitou em meu peito. Talvez—
Então Clara caiu de joelhos na lama diante de mim, as suas mãos unidas em perfeita súplica, lágrimas de crocodilo escorrendo por suas bochechas.
"Luna Olivia." Ela soluçava. "Eu te imploro, por favor não deixe que a Anciã Eleonora me mande embora! Eu farei qualquer coisa—eu deixarei a casa da matilha, trabalharei na cozinha, qualquer coisa! Apenas por favor não me exila!"
O meu sangue gelou. Eleonora—a mãe de Theodore—queria que Clara fosse embora? Quando isso aconteceu? Como Clara até soube disso?
"Mamãe!" A voz de Leo pipocou de dentro do carro, o seu rosto pequeno aparecendo na janela com um olhar acusatório. "Por que você disse coisas ruins sobre Clara para a vovó? Isso é maldade!"
Entendi como se fosse um t**a. Clara orquestrou toda essa cena. Ela trouxe Leo aqui especificamente para criar discórdia entre nós, para me fazer parecer a vilã que reclamou dela para Eleonora.
A mulher era uma mestre manipuladora.
"Olivia nunca falaria m*l de ninguém." Theodore disse firmemente, avançando para colocar uma mão protetora no meu ombro. "A minha companheira tem integridade demais para fofocas mesquinhas."
Uma vez, aquelas palavras me aqueceriam. Agora soavam como zombaria vindo da boca de um homem que estivera enterrado dentro da sua amante menos de duas horas atrás.
"Mas a Clara foi demitida!" Leo insistiu, saindo do carro e correndo para o lado de Clara. "Alguém tinha que contar coisas ruins à vovó, e você é a única que não gosta dela!"
"Leo." Eu disse baixinho, a minha voz firme apesar do caos no meu coração." Você não deveria fazer acusações sem saber os fatos."
O meu filho de cinco anos me olhou com o queixo teimoso de Theodore erguido desafiadoramente. "Então prove que não fez! Vá dizer à vovó para não demitir a Clara agora mesmo, ou não vou acreditar em você!"
Eu assisti com fascinação horrorizada enquanto Leo ajudava Clara a se levantar, cuidando do seu vestido enlameado enquanto ignorava completamente o fato de que eu estava encharcada e tremendo na chuva fria. As suas pequenas mãos alisaram o seu cabelo molhado para trás com cuidado terno—cuidado que ele nunca me mostrou.
"Ah, Leo." Clara disse com doçura perfeita e ensaiada. "Você não deveria falar com a Luna dessa maneira. Ela é a sua mãe."
Mas quando Theodore e Leo não estavam olhando, ela me pegou no olhar e me deu um pequeno sorriso triunfante que fez o meu sangue ferver.
"Eu vou permanecer de joelhos aqui quanto tempo a Luna Olivia quiser." Clara anunciou em voz alta, se certificando de que Leo ouvisse cada palavra. "Eu não me importo se pegar uma pneumonia, contanto que ela não me exilie da matilha."
"Você está vendo isso?" Leo se virou para mim com lágrimas nos olhos. "Clara está disposta a morrer por nós! Você tem que ajudar ela mamãe. Você tem que convencer a vovó!"
"Tudo ficará bem quando Clara for devidamente demitida," Theodore disse, embora a suas palavras carregassem um tom estranho que eu não conseguia entender completamente. "Você poderia até falar diretamente com a minha mãe, Leo. Tenho certeza de que ela ouviria você."
Eu fiquei chocada olhando para ele. Ele realmente estava dando ao nosso filho a ideia de pleitear o caso de Clara com Eleonora?
"É isso!" O rosto de Leo se iluminou como na manhã de Natal. "Eu vou implorar à vovó eu mesmo! Clara, você tem que vir comigo—ela precisa ver o quão boa você é!"
Antes que eu pudesse protestar, Leo estava puxando Clara em direção ao carro, ambos entrando juntos no banco de trás. Vi o meu precioso menino—o meu único filho—tratando essa mulher como se fosse sua verdadeira mãe, arrumando o seu xale molhado em volta dos ombros dela e prometendo que tudo ficaria bem.
"Uma vez que Clara sair das nossas vidas, tudo voltará ao normal." Theodore disse suavemente, se movendo para ficar ao meu lado. "Eu te prometo, Livvy. A nossa família vai se curar."
Olhei para ele—realmente olhei para ele—este homem que eu amara por dez anos. Será que ele realmente acreditava no que estava dizendo? Será que ele pensava que poderíamos simplesmente apagar Clara e fingir que nada disso aconteceu?
"Não tem volta, Theodore." Eu disse suavemente. "Algumas coisas não podem ser desfeitas."
"Eu vou dirigir sozinha." Eu disse quando Theodore indicou o seu carro.
"Livvy, não há necessidade—"
"Eu disse que vou dirigir sozinha."
Temia que, se compartilhasse um carro com eles, eu poderia perder o controle e m***r todos eles.
Fomos para a Mansão Redgrave em veículos separados, a chuva continuando a bater contra o meu para-brisa. Cada gota parecia uma lágrima que eu não conseguia mais derramar.
No momento em que estacionei, Eleonora correu para fora com servos da matilha segurando guarda-chuvas. Ela envolveu os meus braços em minha forma encharcada sem hesitação.
"Minha querida criança, você está congelando." Ela disse, a sua voz cheia de preocupação genuína. "Entre imediatamente."
Ela me guiou para a sala de estar quente, ordenando aos servos que trouxessem chá de e**a da lua quente e cobertores espessos. O seu cuidado era como o amor de mãe—algo pelo qual eu estivera faminta.
Eleonora fora a melhor amiga da minha mãe, Lyra. Após a morte de Lyra, ela cuidou de mim como se fosse sua própria filha.
No calor da sala, ela tomou as minhas mãos frias nas dela.
"Eu sei de tudo, Olivia." Ela disse suavemente. "Qualquer decisão que você tomar, eu sempre vou te apoiar. Estou ao seu lado firmemente."
As suas palavras quebraram algo no meu peito. Finalmente, alguém que se importava realmente comigo.
Eu abri a minha boca para lhe contar sobre a minha decisão de romper o vínculo de companheiros, para explicar tudo o que descobri.
Foi quando Leo irrompeu pela porta.
Ele se jogou nas pernas de Eleonora e começou a chorar, o seu corpo pequeno tremendo com soluços.
"Vovó, por favor não mande a Clara embora!" Ele implorava. "Prometo que nunca mais a chamarei de 'mamãe' de novo! Por favor, por favor não a faça ir embora!"