Capítulo 6: O Golpe Final

1221 Palavras
Capítulo 6: O Golpe Final (P.O.V de Olivia) "Leo!" A voz de Eleonora estalou como um chicote. "Como você se atreve a chamar aquela mulher de 'Mamãe'!" O meu filho parou, mas não recuou. O seu queixo pequeno se projetou com desafio. " A sua mãe é a Olivia." Eleonora continuou, com um tom severo, mas amoroso. "Ela sacrificou a sua saúde e a sua própria loba para trazer você a este mundo. Ela tem sofrido as consequências desde então, e você vai mostrá-la respeito." O rosto de Leo se contorceu de raiva. "Ninguém a forçou a me ter!" As palavras me atingiram como um golpe físico. O meu próprio filho—meu precioso garoto—falando comigo como se eu fosse um fardo. "Desde que eu nasci, tudo o que falam é o quanto a Mamãe lutou." Leo gritou. "Ela sempre me dizendo o que eu não posso fazer, o que não devo tocar, o que não posso ter!" "Sempre que eu expressava uma opinião diferente, o meu pai, a minha avó e a minha tia me diziam o quão difícil foi para minha mãe me dar à luz, e que eu não podia ir contra os desejos dela!" Lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas não eram lágrimas de arrependimento. Eram lágrimas de frustração e raiva. "A Clara me deixa fazer o que eu quiser. Ela brinca comigo, lê para mim e não grita comigo o tempo todo. O que há de errado em gostar mais dela?" Cada palavra perfurou o meu coração como uma adaga. Aconteceu que os meus esforços para controlá-lo, que eu achava que eram para o bem dele, não significavam nada para ele. "Leo, talvez eu tenha sido um pouco rígida demais com você antes, isso foi minha culpa como a sua mãe. Você estaria disposto a me dar outra chance?" Eu tentei fazer uma última tentativa com voz calma. "Deixe de fingir!" Ele gritou."Você só quer que todos nós giremos em torno de você! Você não acha que fez nada de errado! Você simplesmente não suporta quando as pessoas não gostam de você." "Mas o Papai também gosta mais da Clara, não gosta?" "Leo!" A voz de Theodore ressoou quando ele agarrou bruscamente o ombro do nosso filho. "Chega!" Mas o estrago estava feito. A verdade havia escapado de lábios inocentes. Olhei para Theodore e, pela primeira vez, vi um medo real nos seus olhos. Não o medo de me perder—o medo de ser exposto. Clara se ajoelhou no chão, se agarrando à perna de Eleonora como uma criança desesperada. "Por favor, Anciã Eleonora, estou suplicando! Não me demita! Eu farei qualquer coisa—trabalharei na cozinha, limparei os pisos, qualquer coisa!" Eleonora afastou as mãos de Clara com nojo. "A minha decisão é final. Você está demitida." A sua voz era gelada, "Você deve ficar longe do Leo, deve deixar a matilha, e deve sair ainda esta noite." O rosto de Clara se desfez, mas eu peguei o lampejo de cálculo em seus olhos. Ela ainda não tinha terminado. Leo caiu de joelhos na minha frente com um baque, as suas pequenas mãos agarrando firmemente a minha saia. "Mamãe, por favor! Eu sei que estava errado, ok? Vou pedir desculpas, tudo bem? Você tem que ajudar a Clara! Diga à Vovó que ela pode ficar!" Olhei para o meu filho—esse filhote que eu quase morri trazendo ao mundo—e senti algo frio se instalar no meu peito. Estou cansada. Não quero mais concordar com tudo o que ele quer. "Não, Leo. Eu não vou." O seu rosto ficou branco de choque. Então ele se virou e correu para cima, os seus soluços ecoando pela casa. Clara se levantou lentamente, limpando a sujeira dos seus joelhos. Quando olhou para mim, a sua máscara tinha caído completamente. "Mesmo que eu parta..." Ela disse com um sorriso distorcido." Você nunca ganhará o coração dele." Ela lançou um olhar provocativo a Theodore, seu significado cristalino. Algo estalou dentro de mim. A minha mão se moveu antes que eu pudesse pensar, se conectando à sua bochecha com um som nítido que ecoou pela sala. "Pare de me olhar assim." Eu rosnei. A cabeça de Clara se virou para o lado, uma marca de mão vermelha florescendo em sua pele pálida. Mas em vez de raiva, ela parecia triunfante. Queria bater de novo. Um grito veio de cima. "Leo está se machucando!" Uma empregada Ômega veio correndo escada abaixo, o seu rosto branco de pânico. "Ele tem uma faca de prata!" O meu sangue se transformou em gelo. Theodore e eu corremos para a escada, Eleonora logo atrás. Invadimos o quarto de Leo para encontrá-lo em pé perto da sua mesa, um abridor de carta de prata agarrado no seu pequeno punho. Sangue pingava de um corte em seu antebraço, tingindo sua camisa branca de vermelho. "Leo!" Eu avancei, mas ele segurou a lâmina mais alto. "Fique longe!" Ele gritou. "Eu sei que você me ama mais do que qualquer coisa, Mamãe. Então agora que estou machucado, tudo que eu quero é que a Clara fique e cuide de mim. Você não pode fazer isso por mim?" O meu coração virou pedra. O meu próprio filho— o meu precioso garoto—estava disposto a se machucar apenas para me magoar e manter a amante de seu pai. "Posso encontrar outra babá para ficar com você." Eu disse, a minha voz mortalmente calma. "Não precisa ser a Clara." "Eu só quero a Clara!" A voz de Leo estalava de desespero. "Você não me ama mais do que tudo, Mamãe? Por que você não pode deixar a Clara ficar? Você só está com ciúmes porque ela é jovem e bonita!" A acusação me atingiu como um t**a. O meu filho de cinco anos pensava que eu estava com ciúmes da amante do meu marido. "Eu nunca concordarei." Eu disse calmamente. "Não importa o que aconteça." O rosto de Leo se contorceu de raiva. Ele ergueu a lâmina de prata e cortou o braço novamente, mais fundo dessa vez. Sangue respingou no chão. "Leo, é assim que você ameaça a sua mãe?" Eu estava muito decepcionada. "Não estou te ameaçando, só quero que você concorde! Você concorda?" Ele urrou histérico. "Então faça!" Eu disse, a minha voz vazia de toda emoção. "Chega!" Theodore de repente agarrou o meu braço violentamente e me empurrou de lado. "Por que você não deixa a Clara ficar pelo bem do Leo? Ele gosta dela! Por que você deixaria nosso filho ser machucado por causa de uma ômega?" "Olivia, quando você se tornou tão desalmada?" Eles foram aqueles que me traíram, mas agora estão dizendo que é minha culpa. Leo caiu de joelhos de novo, sangue ainda escorrendo das suas feridas. "Mamãe, por favor. O meu aniversário é daqui a trinta dias. O único presente que eu quero—a única coisa que eu quero—é que Clara fique ao meu lado para sempre." Olhei para essa criança que compartilhava o meu sangue, o meu DNA, a minha essência. Esse garoto por quem eu sacrificara tudo. "Leo." Eu disse. "Eu considero você um garoto crescido agora. Então vou te perguntar uma última vez, sério." Me ajoelhei para encará-lo, com a voz firme como granito. "Vou te dar três chances para reconsiderar."
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