
A vida é feita de escolhas... Alguém me disse isso uma vez. Mas, o que fazer quando você é apenas um garoto e não te dão esse direto de escolher? Quando eu tinha dez anos, vi os meus pais serem assassinos pelo homem que fez de mim um assassino frio e c***l. Me tornei um homem sem alma, insensível e implacável... até a ver pela primeira vez. Jasmine era a rachadura em minha armadura de ferro, um pequeno foco de luz em minha escuridão, um afago para a minha alma dolorida. Porém, era tudo o que eu podia ter no momento.
Quem vive uma vida de crimes, não deve se envolver amorosamente. Esse amor seria a sua fraqueza e a sua destruição, assim como foi com o meu pai.
Olho redor do imenso galpão. É dia de entrega dos pacotes e tem muitos homens armados nesse lugar. Cicatriz, nosso chefe está em seu escritório fazendo a contabilidade com os provedores. Em algumas horas terei que sair e fazer a outra parte do meu trabalho, aquela parte que fui forçado a gostar; apagar alguns arquivos e pressionar alguns devoradores.
Não vou negar, é um mundo atrativo, te rende muito dinheiro, te dá muito conforto, mas confesso que daria a minha vida para sentir um pouco de paz. Penso o quão minha mãe me queria longe tudo isso, que ela apostava nos meus estudos e me mantinha sempre ocupado. Como seria a minha vida hoje se os meus pais fossem vivos?
_ Está na hora Marrento. _O aviso me é dado. Eu assinto encarando o gerente das finanças e saio do galpão sem contestá-lo. Quando entro no carro sinto a costumeira adrenalina percorrer as minhas veias e o gosto do sangue vem a minha boca. É como se o meu coração parasse nessa hora e no mesmo instante torno-me um homem frio e calculista. Para o que eu preciso fazer agora, não pode haver sentimentos, nem culpa, muito menos remorsos. Tiro a pistola do cós da calça jeans, verifico o seu tambor e o giro o colocando de volta no lugar.
Meu nome é Marrento, e eu sou o mensageiro da morte.

