O dono do morro

254 Palavras
O morro inteiro parava quando ele aparecia. Os homens abaixavam a cabeça. As mulheres puxavam os filhos pra perto. O silêncio vinha antes dele. Mas ela… ela nunca teve medo. Ela dançava no meio do baile como se o mundo não pudesse tocá-la. O vestido colado no corpo, os cachos soltos, o sorriso fácil. Cada movimento dela era um desafio silencioso. Ele observava de longe, encostado na mureta mais alta, braços tatuados cruzados, olhar duro. — Já falei pra você não vir aqui — a voz dele saiu baixa, perigosa, quando se aproximou. Ela riu. — E eu já falei que não sou sua prisioneira. Os olhos dele escureceram. — Você é minha responsabilidade. — Não — ela respondeu, firme. — Eu sou sua irmã. Não sua posse. A palavra “irmã” queimou dentro dele como fogo. Ele virou o rosto, cerrando o maxilar, lutando contra algo que nunca soube nomear. Desde sempre, algo nele reagia à presença dela de um jeito errado… intenso… proibido. — Entra em casa — ordenou. — Agora. Ela sustentou o olhar. — Você não manda em mim. Por um segundo, o morro inteiro pareceu prender a respiração. Ele deu um passo à frente, tão perto que ela sentiu o calor do corpo dele, a tensão no ar, o perigo escondido no silêncio. — Eu mando em tudo aqui — ele sussurrou. — E você… é o que eu mais preciso proteger. Ela engoliu seco. Sem saber que aquela proteção escondia um segredo capaz de destruir os dois.
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