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Uma esposa para o mafioso sombrio

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Sinopse

Anya Kolesnikov aprendeu cedo que silêncio era sobrevivência.

Muda e rejeitada pelo próprio pai, ela cresceu invisível — um problema que a família planejava descartar.

Arkady Volkov é o mafioso sombrio da Bratva, conhecido como o Carniceiro. Irmão do Pakhan, ele não acredita em amor, apenas em acordos e controle.

Quando Arkady decide se casar com Anya, não é por romance, mas por conveniência. Para ela, o casamento é uma fuga. Para ele, uma aliança de aparência — dois destinos quebrados unidos por necessidade.

Ela não fala.

Ele não sente.

Mas no silêncio forçado entre eles, nasce algo que nenhum dos dois previu — e que pode custar caro demais no mundo da máfia.

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O homem que não escolhe
O salão de festas brilhava demais para alguém como Arkady Volkov. Lustres de cristal pendiam do teto alto como coroas de gelo, refletindo a luz quente sobre paredes revestidas de dourado e mármore. O chão polido devolvia o reflexo dos vestidos caros, dos ternos sob medida, das joias que denunciavam poder antes mesmo de qualquer nome ser dito em voz alta. Música clássica preenchia o ar, suave e calculada, escolhida para não incomodar os homens que realmente importavam. Arkady permanecia afastado, próximo a uma das colunas laterais, com um copo de vodca intocado na mão. Não bebia por necessidade. Bebia por hábito. E, naquela noite, nem isso parecia necessário. Seu irmão organizara aquela festa como organizava tudo: com intenção. Aleksandr Volkov sorria no centro do salão, cumprimentando aliados, políticos, empresários e figuras que não deveriam jamais dividir o mesmo espaço. O Pakhan da Bratva parecia confortável em meio ao luxo, como se aquele fosse o seu habitat natural. Arkady observava de longe, como sempre. Não por respeito. Mas porque era assim que funcionava entre eles. Um mandava. O outro executava. Horas antes, Aleksandr fora direto, como nunca costumava ser. Você precisa se casar. Não houvera rodeios, nem ameaças explícitas. Não precisara. Arkady conhecia o tom. Aquilo não era um pedido. Era uma ordem revestida de formalidade. Não há alternativa. Arkady não discutira. Não porque concordasse, mas porque discussões eram inúteis quando o assunto envolvia estratégia. O casamento não tinha nada a ver com afeto. Era política. Controle. Um elo que precisava ser criado para garantir algo que Arkady ainda não sabia — e não se importava em saber. Agora, parado ali, ele observava. As mulheres se moviam pelo salão como peças de um tabuleiro previsível. Risadas altas demais. Olhares treinados. Sorrisos calculados. Vestidos caros que abraçavam corpos moldados para agradar, não para resistir. Fúteis. A palavra surgiu em sua mente com facilidade. Não como julgamento moral, mas como constatação. Elas falavam demais. Tocavam demais. Exigiam demais. Queriam ser vistas, desejadas, escolhidas. Queriam o que Arkady nunca oferecera a ninguém. Algumas o olhavam. Poucas, na verdade. Em público, Arkady Volkov não era um homem convidativo. Não era aquele que rendia conversas fáceis ou risadas nervosas. Seu nome circulava em sussurros. Seu rosto era reconhecido com cautela. Muitos sabiam quem ele era. Poucos ousavam se aproximar. Mas ele as conhecia. Não pelo nome. Não pela história. Conhecia seus corpos, suas reações, o modo como tremiam quando percebiam tarde demais com quem haviam se envolvido. Muitas daquelas mulheres já haviam passado por sua cama — encontros rápidos, sem promessas, sem continuidade. Nenhuma permanecera tempo suficiente para deixar algo além de lembranças vagas. Nenhuma se encaixava. E isso o incomodava mais do que deveria. Arkady não sabia o que buscava em uma esposa. Sabia apenas o que não queria. Não queria alguém frágil demais para sobreviver ao seu mundo. Não queria alguém ambiciosa demais para tentar moldá-lo. Não queria alguém que confundisse o sobrenome Volkov com uma fantasia de poder. Ele não oferecia p******o emocional. Não oferecia romance. Não oferecia futuro no sentido tradicional. O que restava, então? Seu olhar percorreu o salão mais uma vez, avaliando com frieza clínica. A maioria daquelas mulheres fora criada para aquele ambiente: festas, acordos, aparências. Elas sabiam sorrir no momento certo, tocar o braço do homem certo, rir da piada errada se isso garantisse uma posição melhor. Arkady sentiu um leve aperto no maxilar. Nada daquilo lhe pertencia. Ele não fora feito para salões de festas. Fora feito para salas sem janelas, para corredores escuros, para o silêncio pesado que precedia uma decisão final. Seu mundo era outro — e ele o conhecia bem demais. O Carniceiro. O apelido nunca o incomodara. Nunca tentara negá-lo. Ele sabia exatamente por que o chamavam assim. Sabia o que fazia. Sabia o que era capaz de fazer sem hesitação. E ainda assim, ali, entre taças de cristal e vestidos de seda, sentia-se deslocado. Uma mulher de cabelos claros passou por ele, lançando um olhar rápido, curioso. Arkady não retribuiu. Não precisava. Ela desviou o olhar quase imediatamente, como se tivesse tocado algo perigoso sem querer. Ele preferia assim. Seu irmão apareceu ao seu lado minutos depois, o sorriso calculado ainda no rosto. — Está se divertindo? — Aleksandr perguntou, em tom baixo. Arkady não respondeu de imediato. Deu um pequeno gole na vodca, sentindo o líquido queimar a garganta. — Não. — Sua voz saiu grave, controlada. Aleksandr sorriu como se já esperasse aquilo. — Observe com atenção — disse o Pakhan. — Esta noite não é sobre diversão. Arkady lançou-lhe um olhar breve. — Nunca é. Aleksandr inclinou a cabeça, aproximando-se um pouco mais. — Você vai entender quando chegar a hora. Arkady não insistiu. Não porque confiava plenamente no irmão, mas porque sabia reconhecer quando algo já estava decidido. O casamento não seria uma escolha. Seria uma consequência. E consequências eram sua especialidade. Enquanto Aleksandr se afastava para cumprimentar outro convidado, Arkady voltou a observar o salão. Seus sentidos permaneciam alertas, como sempre. O som da música, os passos, as conversas sobrepostas. Ele percebia tudo, mesmo sem demonstrar. Foi então que algo mudou. Não houve anúncio. Não houve entrada dramática. Não houve olhares imediatos. Arkady sentiu antes de ver. Uma alteração sutil no ar. Um silêncio que não vinha da ausência de som, mas da ausência de ruído. Como se algo ali não competisse por atenção. Ele virou o rosto lentamente. E a viu. Ela estava próxima a uma das extremidades do salão, quase escondida atrás de um grupo de convidados. Vestia algo simples demais para aquele ambiente. Escuro. Sem brilho. O cabelo preso de forma discreta. Não sorria. Não conversava. Apenas observava. Imóvel. O que chamou sua atenção não foi a beleza — embora ela fosse inegável de uma forma contida. Foi o fato de que ela não tentava ser notada. O olhar dela percorria o ambiente com cautela, como quem mede riscos. Quando seus olhos se cruzaram, ela não desviou imediatamente. Não sustentou o contato por desafio. Sustentou por atenção. Arkady sentiu algo raro atravessá-lo. Curiosidade. Ela não parecia deslocada como ele — parecia consciente demais de onde estava. Como alguém que não pertencia àquele mundo, mas fora jogada nele sem escolha. Ele a observou por mais alguns segundos. Nenhuma reação exagerada. Nenhuma tentativa de aproximação. Nenhuma encenação. Silêncio. Arkady não sabia ainda quem ela era. Não sabia por que estava ali. Não sabia que nome carregava. Mas, pela primeira vez naquela noite, teve certeza de uma coisa: Nenhuma daquelas mulheres importava. E isso… isso poderia mudar tudo. Arkady já calculava a distância até a saída quando decidiu que ficara tempo demais. O salão continuava o mesmo — risos ensaiados, música obediente, copos sendo preenchidos antes mesmo de esvaziarem. Nada ali exigia sua presença. Ele não era parte daquele espetáculo. Nunca fora. A mão fechou-se em torno do copo, e ele deu o último gole de vodca antes de pousá-lo sobre a mesa mais próxima. O gesto era quase um aviso silencioso: estava indo embora. — Não ainda. A voz do irmão surgiu atrás dele, baixa, firme, carregada de autoridade disfarçada de familiaridade. Arkady não se virou de imediato. — Já observei o suficiente — respondeu, sem emoção. Aleksandr aproximou-se, parando ao seu lado, ambos encarando o salão como dois predadores avaliando um território que já lhes pertencia. — Observe melhor — insistiu o Pakhan. — Você tem o hábito de decidir rápido demais. Arkady soltou uma respiração lenta pelo nariz. Seu irmão raramente pedia. Quando o fazia, era porque algo já estava em movimento. Ele voltou a percorrer o ambiente com o olhar, dessa vez sem pressa, sem intenção clara — apenas permitindo que seus sentidos captassem o que antes parecia irrelevante. E então a viu. Ela não estava no centro. Nem perto das mesas principais. Não conversava com ninguém importante, nem tentava parecer interessante. Estava de pé, próxima a um dos cantos do salão, como se aquele espaço lhe tivesse sido designado por engano. O vestido era simples. Florido. Claro demais para aquela noite de cores fechadas e tecidos caros. Não marcava o corpo de forma estratégica, não revelava nada além do necessário. Nos pés, sandálias baixas — uma escolha quase ingênua naquele ambiente de saltos altos e posturas calculadas. O cabelo ruivo estava preso em um penteado discreto, nada elaborado. Nenhuma joia chamativa. Nenhuma maquiagem pesada. Nada nela parecia competir. Ela simplesmente existia. Arkady observou quando um garçom passou por perto. Taça na bandeja, olhar atento às mesas certas. A jovem ergueu o braço com cuidado, um gesto pequeno, quase tímido, pedindo algo que não chegaria. O garçom não viu. Passou direto, sem sequer diminuir o passo. Ela abaixou o braço sem reação exagerada. Não houve constrangimento visível, nem tentativa de chamar atenção novamente. Apenas aceitação. Aquilo fez algo apertar no peito de Arkady — um incômodo estranho, indefinido. — Quem é ela? — perguntou, finalmente, quebrando o silêncio. Aleksandr seguiu a direção de seu olhar. Demorou um segundo a mais do que o esperado para responder. — Aquela? — confirmou. Arkady assentiu uma única vez. — Filha mais nova de Viktor Kolesnikov — disse o Pakhan, em tom neutro. — Um nome que você conhece. Conhecia. Demais. Kolesnikov era um homem cuidadoso. Antigo. Do tipo que sobrevivera justamente por não chamar atenção excessiva. Tinha negócios no exterior, rotas discretas, alianças frágeis. Um aliado… até deixar de ser. — Ela é muda — continuou Aleksandr, como se falasse de algo sem importância. — Chegou recentemente do exterior. A família a mantém… protegida. Arkady manteve o rosto impassível, mas algo dentro dele se moveu. — Protegida? — repetiu. O irmão sorriu de lado. — Ou escondida. Depende do ponto de vista. Arkady não desviou os olhos dela. Observou o modo como mantinha os braços junto ao corpo, como se tentasse ocupar menos espaço do que realmente precisava. Como seu olhar era atento, mesmo sem interagir. Ela via tudo. Ouvia tudo. E ninguém parecia percebê-la. — Ela não se parece com o resto — disse Arkady, mais para si mesmo do que para o irmão. — Não deveria estar aqui — Aleksandr respondeu. — Mas certas circunstâncias mudaram. Arkady sentiu o peso implícito daquelas palavras. Circunstâncias raramente mudavam sem custo. E, quando mudavam, alguém sempre pagava. A jovem virou levemente o rosto, como se tivesse sentido o peso do olhar dele. Seus olhos encontraram os de Arkady novamente. Dessa vez, ela desviou primeiro. Não por medo. Por instinto. Aquilo o atingiu de forma inesperada. Ela não buscava aprovação. Não flertava. Não se oferecia. Não tentava agradar. Não tentava nada. Silêncio absoluto. — Ela sabe onde está? — Arkady perguntou. Aleksandr o encarou de soslaio. — Sabe o suficiente. Arkady pensou em todas as mulheres que já haviam cruzado seu caminho. Em todas que souberam exatamente o que queriam ao se aproximar dele. Em todas que confundiram perigo com poder, violência com p******o. Aquela garota não parecia querer nada. E isso… isso era o que mais o inquietava. — Viktor nunca mencionou uma filha muda — comentou Arkady. — Viktor não menciona o que não pode controlar — respondeu o irmão. — Ela sempre foi um risco. Um ponto fraco. Arkady estreitou os olhos. Pontos fracos eram usados. Protegidos. Ou eliminados. Ele voltou a observá-la quando o garçom finalmente retornou. Dessa vez, não para ela. Para outra mesa. A jovem não tentou novamente. Apenas segurou as mãos à frente do corpo, como se aquilo bastasse. Arkady sentiu algo raro se formar com clareza dentro dele. Interesse. Não o tipo superficial. Não o tipo carnal. Mas aquele que nasce quando algo não se encaixa e, justamente por isso, exige atenção. — Não sabia que você colecionava segredos — disse Arkady, olhando de lado para o irmão. Aleksandr sorriu. Um sorriso lento, calculado. — Esta noite é sobre observação — repetiu. — Eu disse. Arkady não respondeu. Não precisava. Seus olhos continuaram nela. E, pela primeira vez em muito tempo, ele não tinha pressa de ir embora.

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