A casa parecia mais fria naquela noite. Não por causa do inverno. Mas porque Anya sabia que era a última vez. Ela estava sentada na beira da cama, olhando o quarto onde crescera — se é que aquele espaço podia ser chamado assim. Era grande demais, organizado demais, impessoal demais para ter sido um lugar de infância de verdade. Mesmo assim… Era onde ela aprendera a existir. A mala estava aberta sobre a cadeira. Poucas roupas. Alguns livros. O caderno antigo que ela mantinha escondido há anos. Nada que realmente a prendesse ali. Anya passou os dedos pela superfície da mesa, sentindo o ** fino que sempre parecia voltar, não importava quantas vezes limpassem. Aquela casa nunca fora viva. Ela se levantou devagar. Caminhou pelo corredor em silêncio. Não precisava se esconder — ninguém

