– Que susto!!! – falei num sobressalto.
Acendi a tela do celular e mirei na cara dele. Era o The Killer, ou melhor dizendo, o namorado da minha irmã.
– Desculpa, eu não queria assustar. – falou ele sem jeito.
Eu me desconcentrei um pouco. The Killer vestia uma calça de moletom que acho que era do meu pai e uma regata. Os músculos e veias aparentes, bem como as tatuagens que o deixavam com cara de rústico.
Eu me esforcei para não olhar, mas acho que o p@u dele estava marcado no tecido da calça. Ele não estava vestindo cuec@?
– O que está fazendo no meio do corredor a essa hora? – perguntei.
– Eu estava tentando descobrir onde fica o banheiro.
Isso foi mais um motivo para eu desconfiar dele. O apartamento não era tão grande assim a ponto dele ir em uma direção completamente oposta.
– Hum, indo ao banheiro – falei em tom desconfiado.
– Está duvidando de mim? – disse quase em sussurro.
– Não disse isso. Só acho estranho…
Ele sorriu, sorriu com aquele ar de cafajest3.
– Escuta, desde o nosso primeiro encontro na sala que eu acho que você n
Gostou de mim.
Eu sorri com sarcasmo.
– E eu teria alguma razão para não gostar de você?
– Você que precisa dizer, pois até onde sei, a primeira vez que te vi na vida foi hoje.
– A primeira vez que me viu??? Conta outra.
– Não to entendendo. – disse ele.
– Vai fingir que não me conhece??
ele me olhou por longos instantes, como se de verdade tentasse se lembrar de algo.
– Aida continuo boiando. Seja mais clara.
– Eu sei que você é o The Killer.
– The quem???
– Já pode parar de fingir.
– Não tô fingindo nada, Alicinha.
Ele me pareceu convincente.
– Não pode ser sério isso… – falei suspirando exausta.
Será que eu estava ficando maluca?
– Não pode ser sério o que? Essa conversa está muito estranha.
– Onde conheceu minha irmã? – perguntei.
– Em uma festa, sei lá. Tem várias.
– Que festa??
– Jockey, eu acho. Talvez ela se lembre melhor que eu.
Aos poucos eu fui ficando calma e entendendo que havia algo muito maior ali, eu só não conseguia entender o que era. Não fazia sentido o The Killer ali, no meio da minha sala de madrugada.
– Desculpa… – falei exausta.
– Eu soube que você foi sequestrad@ ano passado…
– Agatha te contou, é claro – falei com certo asco.
– Comentaram sim. É algo relevante. Eu pareço com algum dos seus sequestrador3s?
Nesse momento, eu ergui meus olhos e ele sorria, sorria com certa malícia que só serviu para me deixar confusa.
– Sim, você se parece… e muito.
Nesse instante, ele puxou meu braço.
– Que foi?? – perguntei.
– Bela tatuagem.
Às vezes me esquecia de que tinha uma tatuagem com o nome da minha mãe bem pequena na lateral do punho.
– É o nome da minha mãe. – falei puxando meu braço de volta.
O toque nele, mesmo que breve, fez meu corpo se acender.
Agora, mais calma, eu relutei para não desviar meus olhos para o m****o dele marcando na calça, mas foi inevitável.
Acho que ele notou e eu fiquei ainda mais corada.
– É bonita, tanto quanto a dona.
Sacudi a cabeça, para saber se tinha ouvido direito. Fosse lá quem ele fosse, era o namroado da minha irmã.
– o que disse??
– A tatuagem é bonita. DE bom gosto.
Ficamos alguns segundos encarando um ao outro até que quase falamos ao mesmo tempo. Tinha uma troca de energia muito estranha acontecendo ali.
– Bem, vou ao banheiro. Ele passou por mim, quase encostando em meu corpo. O corredor não era estreito.
– Boa noite – eu disse o vendo passar por mim.
Apenas sei que voltei para o meu quarto completamente ofegante. E foi a primeira vez desde o sequestr0 que eu peguei meu vibrador da gaveta. Liguei na tomada e fiquei imaginando o The Killer me penetrand0. Foi a primeira vez que me permiti me entregar naquela fantasia que me recusava. Eu não queria admitir que sofria de síndrome de estocolmo ou sei lá o que.
Sim, eu estava interessada no namorado da minha irmã que parecia o The Killer.
Eu só precisava saber se eram a mesma pessoa ou não.